Primata retrata a transformação de um querido animal de estimação num pesadelo sangrento
- Eduardo Salvalaio
- há 24 horas
- 3 min de leitura
Mesmo com quase nada de novo e assumindo velhos clichês do gênero, Roberts consegue assustar e imprimir seu terror com O Primata

Cujo, livro do renomado Stephen King, falava de um dócil cachorro da raça São Bernardo que passa a ser agressivo e mortal após ser mordido por um morcego e contrair raiva. O filme chegou aos cinemas em 1983 com a direção de Lewis Teague que tinha em seu currículo um filme com um animal perigoso e assassino (Alligator, 1980).
Essa ideia de trazer para a tela um animal que muda seu temperamento e que agora descontrolado passa a ser uma ameaça para os humanos, mesmo para aqueles que o domesticaram, recaiu para o diretor Johannes Roberts. Lembrando que o diretor também já trabalhou com animais, caso dos tubarões nos filmes Medo Profundo (2017) e Medo Profundo: O Segundo Ataque (2019).
Em O Primata (Prrimate, 2025), temos Ben, um chimpanzé dócil e inteligente que foi domesticado pela família da jovem Lucy (Johnny Sequoyah). Problema que Ben é atacado por um mangusto raivoso justamente quando Lucy decide fazer uma festa com seus amigos na mansão de seus pais. Uma residência imponente situada num penhasco de uma região remota do Havaí.
Esse processo de transformação do animal, claro, não acontece logo. O grupo ainda consegue brincar com o chimpanzé, mas aos poucos suas atitudes e ações tornam-se mais agressivas. Inclusive, o próprio diretor no início do filme faz questão de explicar como a Raiva acontece, resumindo que a hidrofobia é um dos últimos sintomas da doença.
Lógico que a salvação do grupo, acuado pelo animal, é a piscina. Porém é preciso pensar em algo para escapar da morte e fugir do local. E vale lembrar que Roberts é experiente nesse assunto, trabalhar com o medo e a tensão usando cenas aquáticas. Capturar personagens num estado máximo de sobrevivência é algo que o diretor está acostumado a fazer.
Existe um equilíbrio de Horror Teen, Slasher (com o chimpanzé aqui fazendo as honras) e até mesmo homenagens ao gênero do passado (80’s/90’s), Primata traz muita das características que o fã do Terror sangrento fica aguardando: mortes violentas, sangue, mutilações e desfigurações.

A película conta com alguns artifícios que colaboram com a tensão e seguram o filme até o final: a surdez do pai de Lucy, a rivalidade entre Lucy e a mimada Hannah (Jessica Alexander), a sensação de confinamento e até mesmo convidados que ainda estão para chegar na casa (e que mal sabem do terror que os espera).
Outro aspecto importante é a evolução de Ben. Conforme sua doença avança, vai mudando sua fisionomia, adquirindo cada vez mais agressividade e abusando de sua força física. Em certas cenas, ele parece imóvel, até nos confunde sobre se ele não agirá violentamente, entretanto essa sua falsa passividade momentânea nada mais é que própria estratégia do animal para confundir sua vítima e matá-la de surpresa.
Sim, o cinema de terror tem muitas produções com animais assassinos (de tubarões até aranhas), contudo, nunca esperamos que um animal de estimação se volte contra nós. A docilidade e a afetividade que se transforma em nosso maior pesadelo. Mesmo com quase nada de novo e assumindo velhos clichês do gênero, Roberts consegue assustar e imprimir seu terror com O Primata.







