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Párvulos: Filhos do Apocalipse traz um Terror diferente envolto num cenário pós-apocalíptico

Párvulos: Filhos do Apocalipse é um filme repleto de surpresas

Párvulos: Filhos do Apocalipse
Créditos: Prime Video / Divulgação

Párvulos: Filhos do Apocalipse (Párvulos: Children of the Apocalypse, 2024) é um filme mexicano que, a primeira vista, traz temas que o Cinema atual tem retratado constantemente: cenários pós-apocalípticos, epidemia e infectados. E é o que podemos pensar ao conferir os primeiros minutos do filme.



Salvador (Farid Escalante Correa) e seus irmãos Oliver (Leonardo Cervantes) e Benjamin (Mateo Ortega Casillas) precisam sobreviver numa casa isolada na floresta num lugar cometido por uma epidemia. O trio sai constantemente em busca de recursos que, na verdade, não são necessários apenas para eles, e sim, para também alimentar algo bem perigoso que está trancado no porão da casa.


Um segredo inicial que o diretor esconde tão bem deixando não apenas o trio de irmãos aflitos, bem como nós, espectadores. Destaque para a sonoplastia que se torna um forte recurso para imprimir medo na primeira meia hora (o barulho que vem do porão é realmente assustador e agonizante).

 

A ambientação é espetacular. O diretor Isaac Ezban não se preocupa em mostrar um mundo totalmente devastado, mas sim, a organização dos irmãos para ficarem vivos a cada dia nesse cenário. Sem a presença dos pais, os irmãos conseguiram sobreviver e são criativos em sua rotina que envolve caça, alimentação e até a criação de alguns equipamentos necessários (como a prótese para a perna amputada de Santiago).

 

Da mesma forma, eles criam todo um esquema de proteção para poder alimentar o que está trancado no porão. Um esquema que não poupa desde sacrifícios de cães até ratos que eles deixam guardados caso a carne da caça acabe. Apenas Santiago e Oliver tem essa missão, enquanto o caçula Benjamin sequer pode descer as escadas para tal tarefa.

 

Créditos: Prime Video / Divulgação
Créditos: Prime Video / Divulgação

Logo, o filme abraça esse drama familiar. A rotina nem sempre é pacífica. Entretanto, mesmo entre gritos, discussões e desentendimentos, o trio consegue cumprir suas tarefas, lidar com a falta de pais e sobreviver sozinhos num mundo desolado.

 

Meia hora depois, o filme toma outro contorno. Após a revelação do que estava escondido no porão, digamos que a trama prefira seguir por um humor negro e ganha maior intensidade no drama familiar. Também algumas explicações surgem a exemplo da origem da epidemia (apesar disso, o roteiro não pretende focalizar ou dramatizar demais essa questão).

 

Muitos espectadores verão algumas influências, talvez, de filmes como Fido – O Mascote (2006) e A Vida Depois de Beth (2013). Um universo cinematográfico onde zumbis ganham outra dimensão e até subvertem aquela ideia que tínhamos desde a época do clássico A Noite dos Mortos Vivos (1968) de George Romero.


 

Claro que Ezban não esquece de trazer a violência. Aqui não fortuita, mas necessária para criar tensão no que ainda está por vir. nem deixa de fora o gore que chega quando menos esperamos (numa cena que traz muito do Trash 80’s dos tradicionais filmes com zumbis). Essa mudança acabou redimensionando a própria psicologia dos irmãos que passam a viver outros dilemas mais pesados  caso queiram manter a ordem que existe entre eles.

 

Sem recorrer a sentimentalismos redundantes, a própria rotina e os eventos que passam pelo caminho dos três irmãos trazem reflexões bem apropriadas conforme a trama avança. Temas como moralidade, sexualidade, culpa e, posteriormente, religiosidade ficam mais determinantes, sobretudo quando pensamos que nossos personagens são crianças que precisam amadurecer e lidar com seus atos e desafios.

 

O filme peca por trazer alguns momentos desnecessários que colaboram para um terceiro ato que poderia ter sido melhor lapidado, que poderia ter prezado mais pelo suspense do que por alguns exageros. Mas isso, de longe, retira o poder de um filme que traz um cenário pós-apocalíptico com outra visão e com um elenco de crianças que consegue chamar a atenção do espectador.

 

Párvulos: Filhos do Apocalipse é um filme repleto de surpresas. Tipo de filme que precisa ser descoberto pelo espectador (alguns detalhes que realmente não podem ser entregues para não tirar a experiência de quem for assistir). Apesar da distopia que apresenta, muito que é visto ali serve para nossa rotina e certamente nos fará perguntar: 'até onde iríamos por nossa família e pela nossa sobrevivência?’.

 

Trailer:


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