O Som da Morte traz imitações e influências do terror, embora acabe sendo esquecível e incompleto
- Eduardo Tadeu Ferrari Salvalaio
- há 12 horas
- 3 min de leitura
Nota-se uma atmosfera retrô e uma produção que busque valorizar o terror de baixo orçamento

Nos primeiros minutos de O Som da Morte (Whistle, 2025), fácil perceber o tanto de imitações e de influências que o filme aborda. Um grupo de jovens que se depara com um objeto maligno que lhes atrai para eventos sobrenaturais e mortais (Fale Comigo, 2022 e O Macaco, 2025). Pessoas que estão destinadas à mortes sangrentas (os filmes da franquia Premonição).
Uma das regras do cinema é que podemos copiar e sofrer influências sempre. Isso não é pecado e tornou-se até corriqueiro. Problema é quando a produção falha e, na soma de todos os aspectos, termina como um filme que deixa poucas lembranças para o espectador. Assim é o caso de O Som da Morte, filme do diretor Corin Hardy (A Freira, 2018).
Um grupo de estudantes encontra um apito asteca antigo que, após ser usado, invoca forças sobrenaturais revelando o destino trágico das pessoas que entram em contato com ele, antecipando as circunstâncias de suas mortes. O que fica bem evidente na cena inicial onde a primeira morte ocorre.
Nota-se uma atmosfera retrô e uma produção que busque valorizar o terror de baixo orçamento. Tudo de propósito, claro. A intenção aqui é trazer algo nostálgico. E novamente chegam outras referências, sobretudo envolvendo jovens americanos como A Hora do Pesadelo (1984) e Garotos Perdidos (1987). Inclusive, o próprio diretor afirmou ter incentivado o elenco a assistir esses clássicos para que a essência ficasse ainda mais completa.
Infelizmente, a superficialidade geral dos personagens, jump scares repetidos e uma construção narrativa que termina arrastada e sem coerências tiram o brilho de uma das características mais cruciais para um filme de terror: o choque e a surpresa do espectador em relação ao desfecho dos personagens e de toda a história em si.
Quase nada se salva no filme de Hardy. São pouquíssimas as passagens que acabam tensas, bem criadas e que convencem (como a da perseguição no parque de diversões). Também é preciso dizer que o filme até assusta por colocar mortes frequentes do nosso cotidiano (e não por inventar demais como acontece em algumas mortes da franquia Premonição).
Por exemplo: uma morte ocasionada por bebida e direção é comumente vista em nossos noticiários. A alta velocidade com a imprudência ao volante termina de forma brutal. E aqui, o diretor faz justamente questão de mostrar isso, igualmente de forma brutal (numa cena chocante e sangrenta, embora exista um exagero gráfico dos efeitos em CGI).

O destaque aqui fica por conta da presença das atrizes Dafne Keen e Sophie Nélisse. Dafne ficou conhecida por interpretar Laura Kinney / X-23 em Logan (2017) enquanto Sophie está fazendo um belo trabalho na série Yellowjackets no papel da jovem Shauna. Importante ter essas duas atrizes em ascensão, atuando além das produções que a tornaram conhecidas.
Mesmo assim, seus papéis no filme soam rasos, sem desenvolvimento, sobretudo se pensarmos que trabalhar com relações homossexuais em filmes sempre é algo que pode gerar polêmicas e desagradar a uma parte do público.
A trilha sonora é bem recheada e diversa, contando com nomes de peso como Olivia Rodrigo (‘ballad of a homeschooled girl’), The Prodigy (‘Omen’), Concrete Blonde (‘Joey’), Iron Maiden (‘Killers’) e CHVRCHES (‘Final Girl’). A sonoplastia do filme também convence e é algo que se sobressai em meio a alguns aspectos técnicos que mereciam mais retoques.
Fique atento, pois ainda existe aquela cena pós-créditos. Imagina por quê? Sim, abrir gancho para uma sequência. Pena que, como primeiro filme, O Som da Morte nem engrena tanto para dar continuidade a uma franquia de peso dentro do gênero.
E apesar do som estridente do apito, o terror aqui se manifesta através de velhas fórmulas que muitas vezes vendem mais pelo apelo de marketing que fazem do que pelas ideias que pretendem passar.
Trailer:
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