Lago dos Ossos: uma casa alugada sendo cenário para um cruel e sangrento jogo de sobrevivência
- Eduardo Tadeu Ferrari Salvalaio
- há 11 horas
- 3 min de leitura
Lago dos Ossos é um filme mediano que é mais intenso em sua primeira metade

A amizade que surge repentinamente, de forma inesperada, nem sempre termina bem nos filmes. Pegue por exemplo Não Fale o Mal (Speak no Evil, 2022) onde uma família dinamarquesa visita uma família holandesa que conheceu nas férias. Um final de semana que não sai como planejado e que revela terríveis segredos e intenções, inclusive com um dos finais mais dolorosos vistos até hoje no cinema.
No caso de Lago Dos Ossos (Bone Lake, 2024) dirigido por Mercedes Bryce Morgan, o casal Diego (Marco Pigossi) e Sage (Maddie Hasson) aluga uma imponente casa próxima a um lago, porém logo depois outro casal surge alegando também ter alugado a mesma casa. O carisma de Will (Alex Roe) e Cin (Andra Nechita) acaba convencendo Diego e Sage que o quarteto pode compartilhar o lugar sem problemas e ressentimentos.
Mesmo com personalidades diferentes, o grupo passa a conviver em harmonia no lugar. Entre banhos de sol, mergulhos no lago, bebedeiras e jantares, a paz reina na casa. Claro que um dos assuntos do quarteto cita em torno de um serial killer que matava suas vítimas e as jogava no lago. Com isso, a diretora até tenta criar uma atmosfera sombria a sua narrativa.
O filme também traz, logo nos minutos iniciais, uma cena que acrescenta a ideia de que algo não vai terminar bem. Vemos uma cena rápida onde um casal nu é perseguido e morto por alguém com arco e flecha. Posteriormente, surgem alguns segredos que a casa guarda (com direito a recortes de jornais e acessórios sexuais) passando uma ideia que o lugar esconde muito mais do que parecia.
Infelizmente, praticamente difícil não sentir certa previsibilidade na trama, sobretudo quando os ânimos ficam animados (e acirrados). O bom relacionamento de antes começa a dar lugar para ciúmes, mentiras e desculpas. Uma antecipação das revelações, do caos e da violência gráfica que estão por vir, mesmo que sem muitas inovações numa narrativa já conhecida do cinema.
Trazendo uma mescla de erotismo, thriller psicológico e gore, essa é mais uma produção que preza por uma tensão crescente. A mais simples harmonia se transforma num conflito onde a sobrevivência fala mais alto. Pena que as cenas de Ação acabam não tão interessantes e os vilões aqui acabam nem sendo tão assustadores. E mesmo que seja explicado o motivo dos vilões, essa surpresa não acrescenta tanto assim para o desfecho do filme.

A fotografia de Nick Matthews contempla alguns momentos criativos e captura boas cenas no interior da casa. A iluminação de alguns ambientes, como o recinto descoberto pelo grupo, colabora para uma atmosfera sombria e ao mesmo tempo inusitada (e até humorada). O ator brasileiro Marco Pigossi também merece ser citado, sobretudo por conta do destaque que vem recebendo lá fora (ele também atuou em alguns episódios da série Gen V).
Ainda existe o fato de que certos trechos da narrativa dialogam (mesmo que metaforicamente) com relacionamentos amorosos da atualidade, sexo e família, embora esses discursos não sejam tão recorrentes durante o filme.
Lago dos Ossos é um filme mediano que é mais intenso em sua primeira metade. Com um final que será bem previsível para muitos espectadores, consegue conquistar até o final, embora não com total eficiência narrativa. Assista, de preferência, do lado de seu (a) companheiro(a).

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