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Para Sempre Medo trabalha com isolamento e relações amorosas conturbadas para tecer seu horror folclórico

Aquela velha sensação do lugar que parecia ser um recanto de sossego e que se transforma numa jornada assustadora e mortal

cena do filme Para Sempre Medo
Créditos: Diamond Pictures / Reprodução

Como é comum em qualquer campo artístico, sobretudo dentro do Cinema, uma renovação precisa acontecer. Uma nova safra de atores e diretores costuma despertar a atenção de público e crítica. Claro que os holofotes sempre pairam sobre novas promessas, sobretudo quando cresce o hype em torno de algumas revelações.

 

Certamente aconteceu assim como Osgood Perkins (ou Oz Perkins como também é chamado). Desde 2015, o diretor respirava o Terror e chegou com o filme A Enviada do Mal. Entretanto, foi com Longlegs – Vínculo Mortal (2024) que Perkins começou a ganhar projeção junto aos fãs do gênero. Digamos que o filme agradou, embora não a todo mundo e o quanto se esperava.



 


Em seguida, Perkins trouxe O Macaco (2025). Carregado mais no gore e no humor negro, o filme torna-se interessante também pelo fato de ser inspirado num conto não tão conhecido do mestre Stephen King. O diretor então chega com o terceiro filme, Para Sempre Medo (Keeper, 2025), isso num espaço de tempo inferior a 2 anos. O roteiro ficou a cargo de Nick Lepard (Animais Perigosos, 2025).

 

Para comemorar um ano de namoro, Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland) resolvem passar um final de semana numa cabana isolada na floresta, habitação essa que pertence a família do rapaz. Contudo, conforme o tempo passa e Malcolm precisa sair para resolver assuntos de trabalho, Liz desconfia do lugar e eventos estranhos começam a acontecer.

 

Perkins usa de sentimentos/artifícios comuns do terror para criar uma atmosfera sombria a seu filme: isolamento, desconfiança, desconforto e claustrofobia. Aquela velha sensação do lugar que parecia ser um recanto de sossego e que se transforma numa jornada assustadora e mortal da qual é difícil escapar.

 

Claro que não poderia faltar o elemento humano para contribuir com a tensão (tanto do personagem como do espectador). Aqui, Darren (Birkett Turton), o primo de Malcolm, é um cara perturbado, machista e arrogante que mora numa casa próxima e que pretende dar as boas vindas ao casal.

 

Créditos: Diamond Pictures / Reprodução
Créditos: Diamond Pictures / Reprodução

A convivência entre Liz e Malcolm é morna e está caminhando a passos lentos. Liz até recebe ligações de uma amiga dizendo para ela ir embora dali e esquecer o namorado. O terror da película também se expande no discurso sobre o machismo e o relacionamento que abre mais espaços para o homem e não para a mulher.

 

Além disso, o início bem estranho do filme com diversas cenas de mulheres sendo cortejadas e depois surgindo ensaguentadas também nos sufoca, até porque todo esse sentimento recai para Liz, inclusive nas diversas visões, sonhos e sensações estranhas que ela tem quando passa a ficar mais tempo sozinha na casa.



 


Outra característica aqui é a manipulação do sensorial. Esse recurso é para acentuar muito do que o diretor pretende passar, inclusive o desfecho do filme com todas suas simbologias e alegorias. Um bolo de chocolate ofertado ao casal, o vapor que permanece na janela, a madeira que envolve a residência, a água corrente de um rio da região. São passagens que até poderiam transmitir uma sensação de conforto, porém, pelo contrário, adicionam mais mistérios até a resolução da narrativa e nos conduzem à curiosidade em relação ao que realmente Perkins deseja apresentar.

 

Longe de ser um filme ruim e esquecível, Para Sempre Medo poderia ter uma meia hora final mais rebuscada, Entretanto, a explicação dos eventos do passado que contribuem para um aspecto forte de horror folclórico poderiam ter recebido um melhor aprofundamento. O diretor parece querer correr perto do final para causar logo o medo e o choque no espectador. 

 

A maquiagem assustadora, a fotografia contemplativa, os espertos ângulos de câmera e uma cena bem angustiante no porão da casa mostram que o diretor tem uma boa mão para o terror. Pensando que Perkins fez 3 filmes recentes do gênero em tão pouco tempo e cada um assumindo suas características próprias, ele tem sim a capacidade de criar filmes interessantes mesmo reciclando velhos elementos do terror. Apenas, talvez, ainda não tenha feito seu grande filme.

 

Trailer:


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