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Bramble: The Mountain King traz a coragem de um garoto numa jornada sombria e repleta de emoções

Entre contos sombrios e criaturas da mitologia nórdica, uma jornada pequena em escala, mas gigante em emoção

Bramble: The Mountain King
Créditos: Merge Games /  Divulgação


Mesmo quando um jogo traz mecânicas velhas e conhecidas dos jogadores, é interessante saber como ele envolve sua narrativa. Em certas ocasiões, conciliar elementos folclóricos e culturais de determinados povos e países pode conferir aquele elemento de destaque a mais para que a jogatina tenha certo aspecto de originalidade.

 

Desenvolvido pela sueca Dimfrost Studio e distribuído pela Merge Games, Bramble: The Mountain King é um jogo de 2023 que funde Terror, Plataforma e Ação, porém com uma história que traz o rico folclore e a curiosa mitologia escandinava. Nosso personagem encontrará distintas criaturas em seu caminho, desde gnomos brincalhões até trolls furiosos.


 

Ollie é um garoto que acorda de noite e vê que sua irmã saiu para a floresta. Ele resolve então ir atrás dela, entretanto, como a própria narração diz: ‘de dia, a floresta é bem conhecida do garoto, mas de noite ela esconde seus perigos’. A jornada de Ollie então não será nada fácil.


Trajetos com armadilhas, regiões alagadas com criaturas vorazes submersas, espinheiros, pântanos com plataformas que afundam e até mesmo uma vila atingida por uma praga mortal estão no caminho do garoto. Um caminho onde amizades podem nascer, como também a morte é sempre iminente.

 

Dividido em capítulos, no início nem tudo é tão pesado e tenso. Com uma natureza vibrante, na verdade o jogo ainda apresenta suas mecânicas que são bem simples e fáceis de executar. Pular e subir obstáculos, arrastar objetos, se agarrar em heras, ter cuidado com lugares altos. Posteriormente, nosso personagem vai adquirir uma bola de luz que pode ser arremessada nos inimigos. Um botão para mirar, outro para atirar, essa é a única ‘arma’ que o jogo oferece.

 

Mas não basta nem meia hora para que o primeiro grande desafio surja. O jogador pode ficar até assustado diante da pequenez de Ollie em relação ao tamanho de algumas criaturas, mas isso também faz com que outro recurso chegue na hora certa: o stealth. Muitas batalhas contra chefes são divididas em seções onde se agachar entre plantas e não fazer barulho garantem nossa sobrevivência.

 

Para se sair bem em muitos combates, a melhor opção é estudar e decorar o movimento dos personagens. Mesmo assim, o jogo é bem cruel quando trabalha com a ideia do 1 hit-kill, ou seja, apenas um golpe mata Ollie. Então, não espere barra de HP ou itens que recuperam nosso sangue. Morrer aqui é frequente, por sorte os checkpoints são generosos e os saves automáticos frequentes.

 

Bramble: The Mountain King
Créditos: Merge Games /  Divulgação

Os percursos com plataformas não são complicados, mas exigem do jogador certo apego com os jogos do gênero. Muitos trechos envolvem plataforma com momentos em que precisamos nos esconder o que faz com que o jogador tenha reflexos e paciência ao mesmo tempo. Os puzzles também não demandam muitos esforços e alguns consistem em encontrar manivelas para ativar mecanismos que dão acesso a outros lugares (praticamente uma herança de Resident Evil).


 

Outro aspecto forte do jogo é sua caracterização dramática. Alguns livros encontrados contam histórias tristes, muitas vezes explicando a origem de determinadas criaturas que são chefes. O próprio Ollie, quando mata um dos chefes, sente-se pesaroso e desanimado pela morte do oponente. Em outro instante, a cena final que fecha a passagem pelo pântano garante um dos momentos mais tristes dos jogos vistos até hoje (não contaremos pra evitar SPOILERS).

 

A jogabilidade flui bem, entretanto uma bronca se diz respeito à mira e ao arremesso de luz. Em certos momentos, a própria câmera do jogo desviou o alvo feito, dessa forma, o arremesso não pode ser completado por conta da tela ter mudado o ângulo. O jogo poderia ter aprimorado esse sistema, sobretudo em chefes onde o arremesso precisa ser feito rápido e sem erros.

 

Outro aspecto ruim é o fator replay que praticamente é inexistente. A não ser, claro, que o jogador opte em cumprir algumas conquistas e troféus como, por exemplo, de terminar a história sem morrer. Certamente essa tarefa garantirá uma segunda jogatina, inclusive com os capítulos decorados e com saves mais estratégicos (que podem ser guardados online e devem ajudar o jogador caso ele cometa erros e morra).

 

Bramble: The Mountain King é um jogo curto e que precisaria de uma maior polidez em sua mecânica de combate. Em contrapartida, isso não impede de afirmar que ele precisa ser conferido, inclusive para quem curte uma atmosfera sombria e elementos de terror, stealth e plataforma. Depois que você sair com Ollie do quarto, o caminho é sem volta e você estará determinado a seguir até o fim. Siga.

Bramble: The Mountain King

Trailer do jogo:


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