Mixtape divide jogadores, mas se transforma em um dos games mais elogiados de 2026
- Marcello Almeida

- 16 de mai.
- 2 min de leitura
Entre nostalgia adolescente, trilha sonora impecável e críticas nas redes, o indie da Beethoven & Dinosaur virou um dos jogos mais discutidos do ano

A nostalgia sempre ocupou um espaço perigoso na cultura pop. Quando usada apenas como decoração emocional, ela rapidamente vira um produto vazio. Mas quando aparece conectada a personagens, memória e sensação de despedida, pode acabar criando algo genuinamente poderoso. E é justamente nesse território delicado que Mixtape resolveu caminhar em 2026.
Desenvolvido pelo estúdio independente Beethoven & Dinosaur, o jogo acompanha três amigos vivendo sua última noite juntos após o fim da escola. A proposta mistura aventura narrativa, pequenos minigames e uma forte influência estética dos clássicos coming-of-age dos anos 80 e 90, especialmente os filmes de John Hughes.
A atmosfera melancólica e juvenil do jogo também se apoia fortemente na música. A trilha sonora reúne nomes importantes do rock alternativo como The Smashing Pumpkins, The Cure, Devo, Joy Division, Roxy Music e muitos outros, ajudando a construir aquela sensação de memória adolescente congelada no tempo, algo que muitos jogadores compararam a uma mixtape emocional sobre amizade, amadurecimento e despedidas.
Mas apesar da recepção extremamente positiva da crítica especializada, Mixtape também se tornou alvo de uma onda de críticas nas redes sociais e em plataformas de usuários. Parte da repercussão negativa surgiu pelo fato de o jogo poder ser terminado em aproximadamente três horas.
Muitos jogadores também reclamaram da quantidade de cenas cinematográficas e da pouca liberdade narrativa, já que a história não possui caminhos alternativos ou múltiplos finais.
Isso fez com que parte do público enxergasse o projeto mais como um “filme interativo” ou um romance visual do que propriamente um videogame tradicional. Um dos momentos mais comentados foi um minigame de beijo em que o jogador controla a língua dos personagens, sequência que acabou viralizando tanto de forma positiva quanto negativa nas redes.
Mesmo assim, os números mostram outro cenário. Na plataforma Steam, Mixtape mantém avaliação “muito positiva”, enquanto no Metacritic o jogo alcançou média de 86 pontos entre críticos especializados, se consolidando como um dos títulos mais elogiados de 2026 até agora.
Ao mesmo tempo, o game também virou alvo de review bombing no próprio Metacritic, fazendo sua nota de usuários cair drasticamente. Algumas avaliações acusam o jogo de depender “apenas de nostalgia”, enquanto outras questionam a ausência de mecânicas tradicionais de gameplay.
Curiosamente, toda essa discussão talvez diga mais sobre o atual estado da indústria dos games do que sobre Mixtape em si. Nos últimos anos, jogos narrativos passaram a ocupar um espaço semelhante ao do cinema independente: experiências mais curtas, íntimas e emocionais, menos preocupadas com horas infinitas de conteúdo e mais focadas em sensação, atmosfera e impacto emocional.
E talvez seja exatamente por isso que Mixtape esteja gerando tanto debate. Porque ele parece menos interessado em desafiar reflexos ou entregar mundos gigantescos e mais disposto a provocar aquela sensação amarga que surge quando uma fase da vida termina e você percebe, tarde demais, que certos momentos nunca mais voltarão.
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