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Persona 5 Royal, um dos grandes RPG’s da atualidade, faz do puro entretenimento um espelho da vida real

Resumindo brevemente a psicologia de Carl Jung, o próprio nome Persona está relacionado à máscara que usamos diante dos outros

Persona 5 Royal
Créditos: Atlus / Divulgação

Um caso recente trouxe muitas discussões acaloradas nas redes sociais. Um professor de São Paulo usava o jogo Assassin’s Creed Syndicate para ensinar aos seus alunos características e fatos acerca da Revolução Industrial. Os vídeos do professor foram apagados após uma notificação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que não gostou nada da ideia.


 

Difícil acreditar que algumas pessoas ainda tem a noção que um jogo não seja um método de ensino para os jovens na atualidade. Lembra muito o pensamento dos anos 80 quando quadrinhos (os vulgos gibis) eram proibidos em sala de aula e nem pensar algum aluno levá-los para sua leitura diária. Hoje em dia, pelo contrário, os quadrinhos se tornaram excelentes recursos didáticos e são mais do que recomendados no auxílio de diversas disciplinas em sala de aula.

 

Se pensarmos que um jogo tem potencial (e tanto) para aprendizagem em sala de aula, um desses jogos, certamente, seria Persona. Franquia de RPG criada pela Atlus em 1996 com o título Revelations: Persona, a franquia, por si só, envolve combates em turnos que é um estilo dentro do RPG que demanda estratégia, leitura, observação e até matemática por parte do jogador.

 

Persona 5 em sua versão Royal chega com mais atrativos. Uma história maior, sobretudo com mais ênfase em outros personagens, confidentes, rankings e escolhas. Com a chegada do jogo na PS Plus Extra, as DLC’s ficaram gratuitas podendo o jogador optar por Personas novas logo no início do jogo e outros itens à disposição.

 

E não é todo jogo que a primeira masmorra tem como boss um jogador de vôlei machista e acusado de torturar e molestar seus alunos. Sim, além de entreter com requinte, Persona 5 Royal cutuca muito da realidade do mundo, para deixar no jogador a sua capacidade de refletir e de julgar crimes e problemas que são tão comuns em nossa vida real.

 

Para o jogador que deseja fazer tudo e tentar chegar até ao final verdadeiro (o chamado True Ending), o jogo oferece muitas horas (entre 100 a 130). Vamos estar na pele de Joker, um estudante do ensino médio capaz de viver entre o mundo real e o metaverso. Ele cria um grupo denominado 'Phantom Thieves’.

 

Créditos: Atlus / Divulgação
Créditos: Atlus / Divulgação

Em Persona Royal, estamos diante de um calendário onde precisamos gerenciar nossa rotina de estudo, vida social, atividades, lazer, trabalhos, compras e até mesmo namoros. Muito do que fazemos, vai aumentar atributos como conhecimento, charme, bondade, coragem e proficiência. A cada aumento, melhoramos desde nossa capacidade em acertar questões nos exames até a facilidade de fabricar recursos que nos auxiliam na exploração dos Palácios.

 

Também, nada de ficar sem manter amizades ou vínculos com outros personagens. Essas atividades aumentam nossos rankings de confidentes. Quanto mais nos aproximamos dos inúmeros personagens do jogo, mais ganhamos pontuações que melhoram habilidades e garantem bônus preciosos, sobretudo nas batalhas. Além disso, alguns personagens precisam estar com a confidência máxima caso o jogador opte em seguir por mais tempo no jogo e fazer o final verdadeiro.

 

Para os combates, devemos nos agrupar nos esconderijos e então partir para os Palácios (que aqui são como as masmorras dos habituais RPG’s). Claro que cada Palácio traz em si suas características (como o do cassino com suas máquinas caça-níqueis, por exemplo) e o design das salas e corredores equilibra muito bem ação e puzzles criativos. Existe a opção de agir no stealth e atacando o inimigo na surdina possibilita vantagens na batalha.


 

O combate em turno é um dos pontos fortes do jogo. Entender as fraquezas e resistências de cada inimigo (elementos como água e fogo, por exemplo), saber fazer uso tanto das personas através de golpes ou magias, assim como se defender e se curar na hora certa. A interface de batalha é outro atrativo. Os visuais são dinâmicos e estilizados, as cores são vibrantes, o design pega carona nos quadrinhos e tudo flui bem sem travamentos.

 

Créditos: Atlus / Divulgação
Créditos: Atlus / Divulgação

Algumas mecânicas adicionam mais ritmo nas batalhas e chegam de forma oportuna. ‘Showdown’ é um golpe poderoso feito por dupla que tira mais HP dos inimigos. Ideal para batalhas mais demoradas e inimigos mais resistentes.  O ‘All-Out Attack’ nos oferece exigir de um inimigo caído algum item, dinheiro ou até mesmo que ele se renda e seja mais uma persona de Joker.

 

Outra mecânica que une estratégia e leitura do jogo é o ‘Batton Pass’. O movimento é uma sequência de golpes que fica mais forte a cada mudança de turno dos personagens conforme encontramos as fraquezas corretas dos inimigos. Essa técnica é muito boa e será de grande utilidade inclusive nos chefes dos Palácios.

 

Lembrando que os Palácios precisam ser feitos seguindo uma data determinada. Entretanto, primeiro precisamos encontrar uma rota até o tesouro e depois sim, enfrentarmos o chefe que está ligado a esse Palácio. Neste tempo, podemos explorá-lo quando quisermos e em trechos específicos (com pontos de salvamentos estratégicos).

 

Está pensando que é só isso? Ainda existem os ‘Mementos’. Pense como fossem missões secundárias dentro do jogo. Temos que encontrar inimigos específicos. Alguns surgem na nossa lista conforme avançamos na história, outros precisamos obter pistas através dos NPC’s que ficam pelos cenários.


Os Mementos estão dispostos em labirintos gerados aleatoriamente que vão ficando mais difíceis à medida que descemos mais níveis. Longe de serem monótonos, incentivam o jogador a exploração até porquê concedem excelentes itens e equipamentos.

 

Um jogo de Persona não seria completo sem as Velvet Rooms. Certamente o jogador perderá um bom tempo nesta sala. Fundir ou criar novas Personas. Não gostou de alguma e deseja criar um item poderoso dela? Fique à vontade. Precisa melhorar o atributo de alguma preferida? Existe um treinamento só para isso. É muito gratificante tentar várias alternativas e fusões, sobretudo quando subimos de nível e os Palácios tornam-se mais complexos.


 

Resumindo brevemente a psicologia de Carl Jung, o próprio nome Persona está relacionado à máscara que usamos diante dos outros. E citando as Personas, elas compreendem todo um universo que engloba cultura pop, cartas de tarô e personagens de mitologias distintas (como a grega, por exemplo).

 

Créditos: Atlus / Divulgação
Créditos: Atlus / Divulgação

E voltando ao que tinha sido relatado no início desse texto, todo o extenso universo de Persona 5 Royal simula uma realidade que está diante de nossos olhos, ideal para se trabalhar em sala de aula. Uma realidade da qual não conseguimos fugir, vista nos recorrentes noticiários e redes sociais, muitas das quais nossos jovens precisam retirar suas aprendizagens e reflexões.

 

Temas como justiça, corrupção, liberdade, misoginia, repressão, abuso de poder, depressão, família e até suicídio se manifestam na trajetória de Joker e de seus amigos, seja pelas ruas de Tóquio que o jogador transita durante o jogo, seja pelos Palácios com seus chefes imponentes que precisamos combater.  

 

É um jogo que daqui a um tempo, quem sabe, com pensamentos menos conservadores e metodologias de ensino renovadas, pode ser encaixado em salas de aula. Para alunos de matérias específicas como Psicologia, Sociologia e Filosofia de diversas faculdades o jogo está oferecendo muitas teses e estudos, fáceis de encontrar pela internet.

 

Persona 5 Royal é um dos melhores RPG’s da atualidade e merece ser conhecido, jogado, contemplado, divulgado, recomendado e revisitado. 

 Trailer do jogo:


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