The Cure prepara dois novos álbuns após retorno triunfal
- Marcello Almeida

- há 3 dias
- 3 min de leitura
Robert Smith revela que a banda gravou material suficiente para três discos e promete uma continuação ainda mais intensa para Songs of a Lost World

Menos de um ano após encerrar uma espera de 16 anos com o lançamento de Songs of a Lost World, o The Cure já parece pronto para abrir um novo capítulo de sua história.
Durante o Primavera Sound, em Barcelona, Robert Smith revelou que a banda não apenas está trabalhando em novas músicas, mas já possui dois álbuns praticamente concluídos.
Em entrevista à BBC 6 Music, exibida no último domingo (8), o vocalista contou que as sessões de gravação renderam material suficiente para três discos completos. Segundo ele, o sucessor de Songs of a Lost World já está finalizado e prestes a ser entregue à Universal. A declaração reforça a impressionante fase criativa vivida pela banda, algo que poucos imaginavam possível após um intervalo tão longo entre lançamentos.
Para os fãs que esperam uma mudança radical de direção, Smith adiantou que o próximo trabalho permanecerá conectado ao universo emocional do álbum lançado em 2024.
Segundo ele, o disco é ainda mais intenso e pesado do que seu antecessor. Embora evite o termo "sombrio", palavra frequentemente associada ao The Cure desde os anos 80, o cantor admite que as novas canções exploram perspectivas diferentes sobre os mesmos sentimentos que inspiraram Songs of a Lost World.
O processo de composição foi profundamente pessoal. Smith revelou que o álbum nasceu em meio ao luto pela perda de diversos familiares próximos, tornando a escrita e a gravação experiências particularmente difíceis. Por esse motivo, parte do trabalho vocal foi realizada em casa, em um ambiente mais íntimo, onde ele pudesse registrar interpretações que realmente refletissem o estado emocional vivido naquele momento.
Mas nem tudo no horizonte do The Cure será marcado pela melancolia. O terceiro álbum mencionado por Smith promete surpreender até mesmo os fãs mais antigos. Originado das mesmas sessões iniciadas em 2019, o trabalho foi descrito pelo vocalista como um disco "muito animado" e próximo daquilo que ele considera uma versão pop do The Cure.
A declaração ganhou ainda mais repercussão após sua participação especial no show de Olivia Rodrigo durante o Primavera Sound, onde os dois apresentaram uma colaboração inédita.
Apesar da comparação inevitável, Smith fez questão de destacar que o projeto não segue os caminhos do pop contemporâneo. Segundo ele, trata-se de um disco energético, com pegada mais rock e melodias que dialogam com a identidade histórica da banda. Em suas palavras, o resultado é algo "arrasador", ainda que distante dos padrões radiofônicos atuais.
As novidades chegam em um momento de intensa atividade para o grupo. Após quase dois anos longe dos palcos, o The Cure retomou sua agenda de apresentações no Primavera Sound e no North Festival, em Portugal. Nas próximas semanas, a banda será uma das principais atrações do Isle of Wight Festival antes de iniciar uma série de apresentações pelo Reino Unido e por diversos festivais europeus.
Poucas bandas conseguiram atravessar mais de quatro décadas mantendo relevância artística sem se tornarem reféns da própria nostalgia. O The Cure parece determinado a seguir por esse caminho.
Se Songs of a Lost World representou um retorno emocionante, os próximos capítulos prometem mostrar que Robert Smith ainda não terminou de explorar as sombras, nem a luz, que sempre alimentaram sua música.
.png)



Comentários