A música esquecida que Elton John ainda considera mágica
- Marcello Almeida

- 8 de jun.
- 2 min de leitura
Muito antes dos estádios lotados e dos sucessos mundiais, uma faixa do primeiro álbum já mostrava o caminho que o músico seguiria

Quando pensamos em Elton John, é natural que venham à mente clássicos como “Rocket Man”, “Tiny Dancer” ou “Your Song”. São canções que atravessaram décadas e ajudaram a transformar o músico em uma das figuras mais importantes da história da música pop.
Mas, para o próprio Elton, uma das músicas mais especiais de sua trajetória nasceu muito antes da fama global, dos figurinos extravagantes e das turnês em estádios. A faixa em questão é “Empty Sky”, que dá nome ao álbum de estreia lançado em 1969.
Hoje, o disco costuma ser visto como uma curiosidade dentro da vasta discografia do artista. Ainda faltavam a confiança, a identidade sonora e o refinamento que marcariam seus trabalhos seguintes. Mesmo assim, aquele primeiro registro carregava algo que Elton jamais esqueceu: o início de sua parceria com Bernie Taupin.
Poucas duplas criativas produziram tanto impacto na música popular quanto Elton John e Bernie Taupin. Curiosamente, a união dos dois nasceu quase por acaso, depois que ambos responderam a um anúncio de uma gravadora em busca de novos talentos. O resultado dessa improvável conexão seria uma das parcerias mais duradouras e bem-sucedidas da história da música.
Embora Empty Sky nunca tenha alcançado o sucesso dos discos que vieram depois, Elton sempre demonstrou um carinho especial pela faixa-título.
“Uma ótima faixa de rock and roll. Eu a amo demais.”
Ao relembrar a gravação, o músico destacou um detalhe que ajuda a explicar por que a canção continua tão viva em sua memória.
“Lembro-me de gravar o vocal na escadaria para conseguir aquele eco, em um estúdio bem pequeno em Londres.”
Para Elton, havia algo quase inexplicável naquela gravação.
“‘Empty Sky’ tem algo de mágico. Tudo se encaixou de forma brilhante e ainda soa muito bem.”
A admiração também está ligada a um desafio pessoal. Pianistas raramente eram vistos como protagonistas do rock mais pesado e energético no final dos anos 1960. As guitarras dominavam a paisagem sonora da época, impulsionadas por nomes como Jimmy Page.
Elton queria provar que havia espaço para outra abordagem.
“É difícil para um pianista compor uma música de rock and roll. Soava como uma música dos Stones. Pensei: ‘Eu consigo fazer isso’.”
O comentário revela algo importante sobre aquele momento da carreira. “Empty Sky” não era apenas uma canção. Era uma declaração de intenções.
Antes de se tornar um dos maiores compositores de baladas da história, Elton já demonstrava a ambição de expandir os limites do piano dentro do rock. E talvez seja justamente por isso que a música permaneceu tão importante para ele. Não porque tenha sido um grande sucesso.
Mas porque ali, pela primeira vez, era possível enxergar o artista que ele estava prestes a se tornar.
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