top of page

Socorro transforma o ambiente tóxico de trabalho num jogo perturbador de sobrevivência

Em Socorro, Raimi não quer ser sutil ao tratar de ambientes tóxicos de trabalho e desvarios de poder, ele transforma isso num jogo de sobrevivência perturbador

Capa do filme Socorro (Send Help)
Imagem: Reprodução


Para o Cinema, nada escapa. Ele é capaz de criar narrativas soberbas pegando algo típico de nossas vidas: a relação entre patrão e empregado. Filmes como O Diabo Veste Prada (2006) e Dois Dias Uma Noite (2014) deixam um bom exemplo de como transformar ficção em algo tão comum da vida real e que é capaz de sintonizar com a vida de muitos espectadores.



 


Socorro (Send Help, 2026) do diretor Sam Raimi (Homem-Aranha, 2002) traz essa temática a todo fervor numa narrativa crescente e que sempre está prestes a explodir. O filme reúne vários gêneros como Suspense, Humor Negro, Ação e claro, o Terror não fica de fora, tanto que os roteiristas Damian Shannon e Mark Swift foram responsáveis por produções como Sexta-feira 13 (2009) e Freddy Vs Jason (2003).

 

Linda Liddle (Rachel McAdams), mesmo toda tagarela, humilde e sendo excluída de seus colegas de trabalho, tem muitos anos na empresa e faz seu serviço com competência. Entretanto, após o criador da empresa falecer e seu filho Bradley Preston (Dylan O'Brien) assumir o lugar, Linda passará por alguns problemas, inclusive perder o cargo de vice-presidente que já estava prometido pelo pai de Bradley.

 

Para piorar, o machismo e a arrogância de Bradley impedem o diálogo entre patrão e empregada. Da mesma forma, em diversas situações de humilhação e bullying, ele chega a rir dos modos da moça e evita inclusive a aproximação dela. Porém, uma trágica viagem de negócios da empresa faz com que a situação mude.

 

Um acidente aéreo muda o destino de Linda e Bradley. Justamente depois dessa cena com um avião se despedaçando e pessoas em desespero, percebemos que o filme faz uma prévia do que está por vir, inclusive garantindo um contorno mais pesado e sombrio, embora de forma cadenciada.

 

Ambos ficam isolados numa ilha. Devido às circunstâncias, a relação entre patrão e empregada não existe mais, embora Bradley ainda teime em afirmar ser quem manda em tudo. Machucado, ele precisa seguir as regras de Linda que entende tudo de sobrevivência. A ironia é que Bradley foi obrigado a aceitar isso, sendo que ele próprio havia zombado de um vídeo de Linda tentando entrar num reality de sobrevivência da TV.

 




Entre pescarias, caçadas e explorações pela ilha, Linda ganha sua importância e imponência perante Bradley. O poder agora trocado de mãos. Acontece que o filme engana a todo instante a respeito das atitudes dos personagens. Linda pode começar a confiar em Bradley? Ele mudará seus pensamentos acerca de Linda?

 

Socorro
Créditos: 20th Century Studios / Divulgação

Longe de criar mais uma narrativa de empoderamento, muito menos de trazer à tona uma guerra de sexos, aqui a função é entreter, surpreender e prender a atenção do espectador a cada dia de sobrevivência da dupla na ilha. Um lugar longe do escritório onde pode mais quem sabe ao menos acender uma fogueira e consegue construir um abrigo com folhas. Mas ainda não será bem assim.

 

Não faltam cenas onde o gore e a repulsa dão as honras. Uma batalha intensa entre Linda e um javali furioso até vômitos intensos no rosto de alguém podem até incomodar, mas são essenciais para compreendermos as reviravoltas e a espiral narrativa. Muito das cenas ágeis e inusitadas, claro, chegam com a marca do cinema de Raimi que contemplamos desde os tempos de A Morte do Demônio: Uma Noite Alucinante (1981).

 

Mesmo usando velhos clichês presentes em filmes com sobreviventes em ilhas isoladas, Raimi foge de alguns aspectos que poderiam ser previsíveis em narrativas desse tipo, até mesmo quando o sentimentalismo parece querer seu lugar na narrativa.

 

A trilha sonora de Danny Elfman é atraente e mostra que o músico não perde o tato em suas composições para o cinema. Os créditos finais ficaram bem feitos com várias ilustrações sobre técnicas de sobrevivência, isso tudo ao som da furiosa canção 'One Way Or Another' do grupo Blondie.


Vale ressaltar a atuação de Rachel McAdams vivendo uma personagem com diversos comportamentos no filme. Por fim, o visual e a fotografia também convencem e até mesmo quando o forte temporal surge, Raimi quer fazer uma analogia com alguma mudança prestes a acontecer.



 


Em Socorro, Raimi não quer ser sutil ao tratar de ambientes tóxicos de trabalho e desvarios de poder, ele transforma isso num jogo de sobrevivência perturbador onde ressentimento e competência podem virar o jogo e se tornarem verdadeiras armas. E funcionou em mais um bom filme do diretor.

 Trailer:


Comentários


O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • Tópicos

Categorias + Comentadas

Institucional

Teoria Cultural

INSCREVA SEU EMAIL PARA RECEBER

ATUALIZAÇÕES, POSTS E NOVIDADES

© 2026 Todos os direitos reservados a Teoria Cultural |  PRODUZIDO CRIADO E DESENVOLVIDO, com EXPRESSÃO SITES

Expressão Sites
bottom of page