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Série Fallout faz adaptação correta do jogo com detalhes adicionais que suplementam a narrativa

Vale destacar o cuidado de preservar um dos elementos típicos do jogo: o retrofuturismo.

Créditos: Reprodução/Prime Vídeo


Criado por Tim Cain, Fallout teve seu primeiro jogo lançado em 1997 através da Interplay Entertainment. Entretanto, em 2008, a série de jogos passou a ser propriedade da Bethesda Softworks. O jogo, que começou apenas como um RPG (Role-Playing Game), passou a inserir também elementos de tiro em primeira e terceira pessoa.

 

Depois da crescente valorização dos jogos, sobretudo depois de Fallout 3 (2008), nada mais conveniente levar esse universo para as telas de Cinema. Contudo, esse terreno é perigoso e pantanoso, pois a produção cinematográfica costuma ficar aquém do esperado, como aconteceu com o fraco Resident Evil (2022) ou com o mediano Twisted Metal (2023).

 

Presente no catálogo da Prime Video, a série foi criada por Geneva Robertson-Dworet e Graham Wagner. Para a produção, foi escalado o inglês Jonathan Nolan que tem em seu currículo a série Westworld (2016) como também os filmes O Grande Truque (2006) e Interestelar (2014). 



Imagem: Prime Video

Logo no primeiro episódio, é preciso exaltar a correta adaptação do jogo para as telas. Detalhes, características, cenários e easter eggs caprichados conectam jogo e cinematografia. Apesar disso, aqui temos uma história nova, diferente dos jogos, mas que se aproveita bem do universo pós-apocalíptico que deixou marcas em Fallout.

 

Vale destacar o cuidado de preservar um dos elementos típicos do jogo: o retrofuturismo. Uma sociedade segregada e despedaçada por uma bomba nuclear que vive ainda na sombra do anos 50, com tv em preto e branco, mas que possui toda uma tecnologia a seu dispor como robôs, armaduras poderosas, armas avançadas, remédios que curam rapidamente (stimpacks) e soluções que diminuem a radioatividade (radaways).

 

Como no jogo, dois ambientes coexistem: o mundo subterrâneo que abriga centenas de refúgios (vaults) com sobreviventes que criaram uma espécie de sociedade com serviços e regras, em contraposição com o mundo externo, devastado, radioativo e semidesértico, preenchido por ruínas, casas abandonadas e vilas construídas com barricadas de ferro-velho que ainda abrigam pessoas.

 


O avançado pip-boy no braço dos residentes dos refúgios parece indicar segurança e harmonia entre eles. Entretanto, não é bem assim, e essas instalações escondem muitos segredos, revelando que não são tão seguras assim. A série equilibra habilmente esses dois espaços, criando uma narrativa repleta de descobertas, choques, tensões e reviravoltas.

 

A história se conduz através de 3 personagens principais. Lucy MacLean (Ella Purnell) é uma jovem do Refúgio 33 que é forçada a sair para o mundo externo (passagem essa que lembra bastante o início de alguns jogos). Maximus (Aaron Moten) é um rapaz que sonha em vestir a famigerada armadura T-60 e fazer parte da Irmandade de Ferro. O necrótico (Walton Googins, em mais uma ótima interpretação) é um caçador de recompensas que costuma não ter misericórdia de seus inimigos. 


Imagem: Prime Video

As vidas e os objetivos desses 3 personagens irão se cruzar. Também vamos entendendo o passado de cada um. Antes da explosão, o necrótico era Cooper Howard, um ator bem sucedido que chegou a fazer propagandas para a Vault-Tech, empresa responsável por trás da construção dos refúgios. Lucy e Maximus tem vagas lembranças de quando eram crianças após a transformação do mundo num cenário pós-apocalíptico.

 

Todavia, é na figura de Howard que a série faz um trabalho incrível chegando até a dar mais destaque em sua trajetória. Com um flashback melancólico, coeso e amarrando alguns fatos na narrativa (sobretudo no último episódio), o espectador passa a interpretar a atitude e as ações de um homem que precisou se transformar para seguir adiante num mundo modificado e caótico que não respeita mais regras.

 

Sci-fi, Ação e Drama. Tudo num só lugar. Em momentos certos da trama, o humor negro surge (como no episódio que nossos personagens precisam lidar com uma criatura aquática). Ainda sobra tempo para pitadas de Faroeste a exemplo da intensa cena do mercado. Inclusive, o zoom na trajetória dos projeteis e movimentos em câmera lenta em alguns tiroteios lembra bastante a técnica usada por Sam Raimi em ‘Rápida e Mortal’ (1995). Seria uma referência ao diretor?

 

Nada melhor que uma série que traz a estética vintage em seu cerne do que trabalhar a trilha sonora em torno dessa característica. Muito do que se ouve, representa fielmente a Era do Jazz 50's. Nomes importantes da música do passado não ficam de fora como Nat King Cole (“Orange Colored Sky”), The Ink Spots (‘I Don’t Want to Set the World on Fire’), Gleen Miller (‘In The Mood’), entre outros.

 


Algum fã incondicional pode reclamar da ausência de muitas criaturas clássicas dos jogos, da falta de uma maior abordagem do mundo externo com suas inúmeras facções, seres mutantes e perigos a cada canto. Também alguns fatos como o Enclave e a República da Nova Califórnia ficam não tão bem explicados, mas nada mal se eles ganharem mais profundidade numa segunda temporada. 


Imagem: Prime Video

Mas é bom pensar que a série foca o humano, o que sobra de seu caráter e de suas condições, sobretudo após eventos catastróficos. Prefere nos atormentar com o que ainda podemos temer e que abala nossa própria humanidade. Como diria um dos personagens da série: ‘você defende um sistema preparado para botar fogo no mundo’. Sim, é o próprio homem que é capaz desse ato de amargas consequências.

 

Mesmo com alguns absurdos e exageros que não tiram o equilíbrio geral dos episódios, essa é mais uma produção longe de servir apenas como entretenimento. Também se encaixa para criar um alerta sobre a empresa que não mede esforços para angariar lucros ou sobre as grandes corporações que segregam e que oferecem melhores condições a quem possui maiores privilégios.

 

Junto com The Last of Us, Fallout é uma das melhores adaptações de videogame que chegaram nos últimos anos para o espectador que espera diversão, boa adaptação e refletir sobre muito do que é visto na tela. Que a segunda temporada continue firme até porque neste amplo universo existe muito para revelar, contar e explorar.

 

Fallout

Em andamento (2024 - )


Criadores: Geneva Robertson-Dworet e Graham Wagner

Onde ver: PrimeVideo

Gênero: Ficção Científica




 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Trailer:


NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

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