Predador: Terras Selvagens é um espetáculo visual com ação intensa que foca no protagonismo do alienígena
- Eduardo Salvalaio
- há 3 dias
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A película abusa do visual e das sequências de Ação. Do início ao fim, os combates são intensos...

Para manter uma franquia de sucesso sempre em atividade, existem vários recursos. Criar sequências ainda melhores (o que na maioria das vezes não acontece) ou então recorrer a métodos, por vezes ineficazes, como remakes e reboots.
Outra alternativa é mostrar diferentes visões e perspectivas acerca da história ou até mesmo dos personagens (aqui, neste caso, da criatura). Tentar uma direção contrária daquilo que os cinéfilos se acostumaram a conhecer. Caso do Predador, aquela temível criatura alienígena capaz de se camuflar que dizimou um batalhão de homens armados e musculosos comandado por Dutch (Arnold Schwarzenegger) em sua estreia nos cinemas em 1987.
Dessa forma, em quase 40 anos, nosso esperto caçador que guarda o crânio de suas presas, ganhou diversas produções, algumas bem criativas, outras dignas de ficar no esquecimento. Quem parece estar comprometido com a franquia é Dan Trachtenberg. Em 2022, ele foi responsável por dirigir Predador: A Caçada. Uma narrativa que se passa durante o Século XVIII e que serve de palco para os combates entre uma jovem índia comanche e o temível caçador alienígena.
Agora Trachtenberg chega com Predador: Terras Selvagens (Predator: Badlands, 2025). O novo filme da franquia coloca o alienígena como protagonista. Ele é o foco e não o vilão. Após ser banido de seu clã, Dek, um jovem predador, precisa ir atrás da captura de um adversário poderoso. Em sua perigosa jornada, ele encontrará Thia (Elle Fanning), uma andróide tagarela que perdeu metade do corpo.
A película abusa do visual e das sequências de Ação. Do início ao fim, os combates são intensos e existe pouca brecha para diálogos. O design de produção também é caprichado. Genna, o planeta explorado por Dek, é cheio de segredos e perigos (fazendo jus ao título do filme), acrescentando toda uma atmosfera diferente ao que já tinha sido vista nos filmes da franquia.
Aqui, uma fauna e flora mortais sugerem um território hostil para nosso alienígena. Plantas que explodem, vermes que disparam ácido e árvores com tentáculos mortais. Pense tal qual aconteceu no ambiente letal que a tripulação do Carl Denham (Jack Black) encontrou no filme King Kong (2005).

O roteiro não despreza os velhos clichês dos filmes em que os personagens precisam se entender caso queiram ficar vivos. Claro, como de praxe, essa sintonia não chega logo e as próprias condições adversas farão que ambos trabalhem juntos.
Alguns cinéfilos podem reclamar da ‘humanização’ de uma criatura que ficou famosa por ser cruel, assassina e vilã, porém convenhamos que impressiona como o roteiro trabalha na maturidade e personalidade do Predador. Uma criatura que é enganada pelo próprio clã, mas que encontra em seu caminho forças para não desistir e para encontrar sua identidade.
Uma criatura longe de ser imbatível que passará por muitos apertos e que vai aprendendo a lidar com sua resiliência e até com suas falhas. Um guerreiro capaz de perceber que uma guerra nunca é vencida apenas por meio de combates, mas também através de uma boa estratégia (onde é mostrado que um próprio ambiente inóspito pode estar a nosso favor).
Mesmo que o filme pegue a ideia do antigo provérbio ‘o inimigo do meu inimigo é meu amigo’, Predador: Terras Selvagens é recheado por um espetáculo visual grandioso, sobretudo pelas técnicas computadorizadas da atualidade e pelos intensos combates coreografados.
Tipo de produção ideal para assistir na tela gigante de um cinema e que intensifica a noção do filme blockbuster. E Trachtenberg, esperto que só, ainda deixa um gancho bem amarrado para um próximo filme. Resta saber se a franquia continuará renovando seu fôlego.







