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Os 40 melhores discos nacionais de 2023

Atualizado: 29 de dez. de 2023

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Os 40 melhores discos nacionais de 2023
Imagem: Montagem


O grande papel dos portais de cultura pop é garimpar e tentar evidenciar novos trabalhos e bandas que estão na estrada, produzindo material de qualidade e autoral. E não podemos reclamar de 2023 em relação a discos nacionais; o cenário da música foi invadido por inúmeros lançamentos que rebatem graciosamente aquele velho ditado de que não tem coisa boa sendo feita por aqui.


 Listas tendem a ser injustas, mas é chegada aquele momento de destacar os melhores discos da música brasileira, uma verdadeira salada sonora entre a MPB, Samba, Rock, Indie e Bossa Nova.


Sem me estender muito por aqui, vamos logo ao que interessa, que são os bons sons nacionais de 2023. Separamos 40 discos que, em nossa humilde opinião, são reflexo do que há de melhor em nosso país. Confira logo abaixo.

(Marcello Almeida)


 

Colaboradores nesta lista: Eduardo Salvalaio, Alexandre Tiago, Thaís Sechetin e Marcello Almeida

 

40- Xande de Pilares – Xande Canta Caetano


“Xande Canta Caetano” foi lançado em 4 de agosto e é um belo disco que contém 10 faixas, mostrando a versatilidade e o carisma de Xande de Pilares, que consegue contemplar as diversas fases de Caetano Veloso ao mostrar seu lado romântico, pensador, provocador e influenciador, além de fazer canções icônicas e inesquecíveis. A produção conta com a assinatura de Pretinho da Serrinha nos arranjos e na produção.


Para falar desse álbum, vou começar pela última faixa, “Gente”. A música foi lançada originalmente em 1977, no disco “Bicho”. A letra traz um forte lado humanista e social, mostrando belezas e, ao mesmo tempo, explicitando que as pessoas devem brilhar nessa vida, em vez de morrerem de fome. Essa versão de Xande de Pilares consegue deixar um aspecto bem emocionante em sua forma de interpretar e traz um som que exalta o Samba com bonificações, tornando-a muito bonita. O vídeo da música, divulgado horas antes do lançamento do disco, mostra o quanto esse trabalho é especial.


39- Bruna Caram - Afeto e Luta


Afeto e Luta” foi projetado para ser lançado em 2021, mas acabou sendo lançado agora, em 2023. Ele possui 10 faixas que mostram bem essa mistura bem-feita de diferentes gerações, que teve Jean Wyllys como pesquisador do repertório.


Se Gonzaguinha não tivesse falecido cedo demais, aos 45 anos, em 29 de abril de 1991, certamente aconteceria um dueto dos dois, porque Bruna Caram exalta bem a qualidade sonora e poética do seu homenageado de forma primorosa, cativante e ótima, que embala e acolhe com seu sentimentalismo forte, seu lado político feito de forma enfática e seu poetismo maravilhoso. Isso fez com que dois músicos se complementassem muito bem, tornando "Afeto e Luta" um disco de MPB de homenagem feito de uma forma extremamente espetacular, que exalta a genialidade de Gonzaguinha e a magnitude de Bruna Caram.


38- Nevi Lunes – E De Novo Eu quase morri


Nevi Lunes é um dos integrantes do Ultrópico Solar, coletivo artístico localizado no município da Parnaíba (Piauí). Com total liberdade para expor seus trabalhos solos, o músico chega com um novo álbum, 'E De Novo Eu Quase Morri’.


São 10 faixas num álbum curto que não passa dos 25 minutos. Com a própria ajuda de alguns integrantes do coletivo, Lunes compõe sua música que recebe muitas influências e que passa por gêneros como Samba, MPB, Tropicália, Música Regional do Nordeste e Indie-Pop.


Não tão dinâmico e explosivo quanto os trabalhos do Ultrópico Solar, mas não tão menos interessante. Assim se processa o disco do piauiense Nevi Lunes. Como músico, essa inquietude de querer buscar mais amplitude para a Música e de não querer ficar parado, por si só, já serve de exemplo e nos deixa ansiosos para o que está por chegar no futuro.




37- Matheus Mota -Tribufu


Matheus Mota é um compositor e pianista carioca, porém radicado no Recife, cidade essa por qual tem todo um carinho. O músico, apesar de não tão comentado, está no cenário musical há mais de 10 anos e em 2012, havia lançado seu début, “Desenho”.


Muitas das composições do músico também sofreram inspirações de jingles. As letras ganham destaque e muitas delas chegam provocativas e divertidas através de um artista que preza por conceber sua poesia musical com muita inventividade e irreverência.


Mostrando que o Brasil tem sim uma nova safra de músicos para se prestar atenção, inclusive saindo do Nordeste, Matheus Mota é um músico que vem forte para essa nova geração.


36- Equilibristas do Mundo Torto – Abaixo a realidade


Equilibristas do Mundo Torto é um grupo formado no Rio Grande do Norte e que tomou forma depois de um evento no Estúdio Do Sol, em março de 2022. Seis integrantes com ideias semelhantes que sentiram a necessidade de criar um coletivo e pensarem além de seus trabalhos individuais. O début com 8 faixas chega agora em 2023 intitulado “Abaixo a Realidade”.


Um disco com menos de 30 minutos, entretanto que não deixa de experimentar gêneros variados. O objetivo é realmente mostrar uma sonoridade despojada e eclética, um resultado que chega através de um grupo que mesmo novato mostra entrosamento, sem deixar de exercer o gosto individual de cada integrante.


35 - Indigo Mood - Fim do Autoengano


O grupo Indigo Mood, de Fortaleza, foi criado pelo multi-instrumentista, cantor e compositor Leonardo Mendes. A história dos cearenses vai começar a tomar forma em 2017, quando eles participam do Garage Sounds. Uma banda Indie dentro de um line-up formado basicamente por bandas de Metal? Apesar de parecer bem estranho, tudo deu certo.


“Fim do Autoengano”, disco de estreia, foi lançado em 8 de Agosto. Contendo 11 faixas, o recente e importante trabalho define um novo ciclo para o grupo.


‘Time Bomb’ tem um arranjo que preza a guitarras com loops, ‘White Wine’ e ‘Once Again’ se embrenham sem medo pela Psicodelia. ‘1402’ tenta sintonizar a herança da MPB de João Gilberto com a Soul Music feita pelo Motown. De rápida assimilação, a faixa ‘Fim do Autoengano’ conduz o ouvinte com guitarra dedilhada e linha de baixo fácil de grudar.


34- LuvBugs -Solstício de Inverno


Do bucólico bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro, temos o LuvBugs. A dupla é formada pelo casal Paloma Vasconcelos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz).


Gravado entre Abril de 2022 e Janeiro de 2023 no estúdio caseiro do duo, “Solstício de Inverno” é um trabalho que valoriza bastante o espírito DIY (Do It Yourself).


LuvBugs é mais uma daquelas bandas para se prestar atenção e para indicar para quem ainda pensa que o cenário musical brasileiro ficou no passado. E que venha mais uma década aí de bons trabalhos e mais paixão pela Música.



33 - Elza  Soares – No Tempo da Intolerância


Lançado em junho, mais de um ano após a morte da cantora, o disco não é apenas mais uma obra atual fazendo protesto.


Os temas abordados neste trabalho são o preconceito, a luta contra a exclusão da mulher negra pela sociedade, desigualdade social, a ocupação de corpos femininos nos espaços comuns, mas eles não vieram de letras escritas recentemente: muitas composições estavam registradas em cadernos e agendas que datavam anos. Com este trabalho, Elza conseguiu, de forma póstuma, voltar para o passado e entregar contemporaneidade, tudo ao mesmo tempo.


Destaques para o samba "Quem disse?", "No tempo da intolerância" e "Mulher pra mulher (A voz triunfal)".


32 - João Gilberto - Relicário


Relicário é um projeto do Sesc que visa lançar gravações de shows históricos, e este é o primeiro da série: um registro histórico de um show de João Gilberto de 1998, realizado na Unidade Vila Mariana, em São Paulo.


O disco é duplo e conta com 26 músicas, entre elas, uma inédita: "Rei sem Coroa", que nunca havia sido registrada antes em disco, apesar de estar no repertório de alguns shows do artista. Relicário é uma obra simples e refinada ao mesmo tempo, assim como são os eventos realizados no Sesc.


O álbum conta com as versões ao vivo de clássicos como "Rosa Morena", "Carinhoso", "Desafinado", "Chega de Saudade" e "Eu Sei que Vou te Amar", em versão de voz e violão, que são um presente para quem não esteve ao vivo no Sesc em 1998. São também um instante de calmaria para quem precisa de um pouco de beleza, poesia e sossego depois de um 2023 tão caótico.


31- Karen Francis– Anos Luz


O grande poder de Karen Frances em seu disco de estreia, intitulado 'Anos Luz', fica a cargo da sensibilidade e força emocional dos versos dessas canções, que ganham cada vez mais força a cada audição.


Vale destacar também o cuidado e capricho com a parte instrumental e arranjos que permeiam esse registro gracioso, composto por oito faixas.


As composições de Francis são possivelmente elaboradas em cima de relacionamentos instáveis, amores desfeitos e desejos compartilhados pela cantora amazonense. No entanto, são tão sensíveis e detalhadas que é praticamente irresistível não se encantar pelos encantos de Francis.


30 - Polara – Partilha


Após longos 15 anos, chega o segundo trabalho da banda paulistana Polara, o disco intitulado 'Partilha' foca em ritmos dosados por ótimas guitarras e melodias, seguindo uma vibe indie nostálgica. Possivelmente, é um daqueles discos para ficar ali colado nos fones de ouvido.


Atualmente composto pelos membros Carlos Dias (voz), Mario Cappi (guitarra), André Satoshi (baixo) e Fernando Cappi (bateria), o conjunto persiste em explorar a criação de músicas que abordam temáticas urbanas, relacionamentos instáveis e crises existenciais.


Uma baita surpresa para esse 2023, o disco pontua um importante capítulo na trajetória do grupo paulistano, com músicas que colam uma na outra e você nem percebe o tempo passar. Destaque para as faixas "Corte", "Como Assim?" e "27-43".


29- Rodrigo Ogi – Aleatoriamente


A música potente e complexa de Rodrigo Ogi soa como crônicas verdadeiras do nosso cotidiano. 'Aleatoriamente' chega com um RAP forte, abraçando diversos personagens que caracterizam a ambientação densa e acinzentada de São Paulo.


Em muitos momentos do disco, a psicodelia faz uma fusão com as melodias, criando uma paisagem distinta e envolvente.


São composições que transitam de um extremo a outro, contraindo e expandindo para reforçar a aleatoriedade explicitada no título do álbum. Em muitos momentos, você pode se sentir imerso em um conto de Rubem Fonseca, tamanho é o caráter cru e potente das letras e versos que permanecem ecoando na mente do ouvinte.


'Aleatoriamente' vale cada segundo de audição, sendo uma daquelas obras que impactam do início ao fim.



28- Arturo e a cidade devastada – A Pior Pessoa do Mundo


É do Piauí que chega Arturo e a Cidade Devastada, banda praticamente novata, mas que promete com o primeiro EP que acaba de sair do forno, intitulado "A Pior Pessoa do Mundo". Tendo como líder o vocalista e letrista Ithalo Furtado, a banda de apoio se completa com Gabriel Cr3spo (Guitarra, Voz e Arranjos), Clara Lily (voz), Bruno Lopes (baixo), Andressa Mesquita (bateria) e Erico Ferry (sintetizador, teclado e voz).


O mais interessante do grupo piauiense é abraçar variados gêneros e influências. A música Clássica se faz presente logo com a abertura orquestrada de #Appdm. O Pop-Rock enérgico que irrompe em ‘Cartomante (A Triste Jornada do Louco)’ é uma faixa que deixa os instrumentos crescerem gradualmente, trazendo um refrão bem contagiante e nervoso.


Iniciando sua trajetória com um EP de 6 faixas e somando pouco menos de 20 minutos, Arturo e a Cidade Devastada mostra que é uma banda para se ficar de olho e que representa um país que não ficou parado em sua musicalidade.


27-Frederico Heliodoro – The Weight of the News


Em "The Weight of the News", Frederico Heliodoro traz uma sonoridade aconchegante, convidativa e dosada por um espírito aventureiro; detalhes que ficam evidentes nos arranjos e versos das canções.


São canções para levar na alma e coração. O músico sabe muito bem como introduzir camadas do pop, rock e jazz, criando uma atmosfera que consegue conectar artista e ouvinte. Sem dúvidas, "The Weight of the News", configura como um dos belos trabalhos nacionais deste ano.


Cada faixa contém sua própria magia, mistério e poder de sedução. Levando em consideração que o músico levou oito anos para lançar um disco de inéditas, Frederico nos brinda, no momento certo, com sua música, que tem muito a dizer sobre a atualidade.


Uma abordagem curiosa ao próprio repertório, gradualmente se expandindo para incluir novos colaboradores, explorar diferentes ritmos e contemplar inúmeras possibilidades.


26-Carla Boregas – Pena ao Mar


Fruto de um período de residência artística em Zurique, Suíça, durante o ano de 2020, "Pena Ao Mar" progride em um ritmo temporal singular. Ao escolher "Ações Em Paralelo" como a faixa de abertura, Boregas introduz alguns dos elementos que serão posteriormente integrados e minuciosamente explorados ao longo da obra.


Um disco provocativo, misterioso e cercado por detalhes e elementos instigantes. São atmosferas em tons acinzentados que se complementam através da incorporação de texturas eventuais, efeitos e gravações de campo, proporcionando uma maior profundidade ao conteúdo.


Equilibrando-se entre períodos de reflexão mais profunda e ascensões dinâmicas, o álbum atua como uma jornada, onde cada elemento mínimo abre caminho para um universo repleto de novas oportunidades, sutis rupturas e sensações.


25- Tori –Descese


Vitória Nogueira é uma talentosa cantora, compositora e guitarrista originária de Sergipe, inaugurou sua entrada no cenário musical com o primeiro álbum de estúdio sob o nome artístico Tori.


Intitulado "Descese", esse trabalho é lançado pela PWR Records, selo que já apresentou artistas notáveis como Mariana Cavanellas e Mulamba.


O álbum chegou ao público revelando a pureza do talento de Tori, com um conjunto de canções que se destacam pela delicadeza de cada arranjo embutido. Destaque para as faixas "Água Viva", "Hybris", "Eco", "Morada", e a conclusiva "Travessias Maiores".


24-Ianaê Régia - AFROGLOW


Com sete faixas, "AFROGLOW" impressiona e encanta, espalhando inúmeros sentimentos. O primeiro trabalho da cantora gaúcha Ianaê Régia canaliza emoções e versos sobre questões raciais de forma precisa, bonita e agradável aos ouvidos.


O produto final desse trabalho harmonioso, provocativo e muitas vezes reflexivo se reflete na criação de uma obra permeada pela melancolia dos versos, sem, contudo, diminuir em momento algum o brilho e a força criativa de Ianaê.


23-Tatá Aeroplano – Boate Invisível


Esse é aquele álbum que coloca os dois pés e o corpo na dança. Composto por dez faixas, este trabalho é notável por sua essência profundamente colaborativa.


Fruto de um processo imersivo de cinco dias, o compositor se juntou a Bruno Buarque, Dustan Gallas, Junior Boca, Kika e Malu Maria em estúdio, iniciando sem qualquer material prévio. A Boate Invisível, originada a partir de pequenos improvisos, evolui para se tornar uma das criações mais inventivas do artista.


Um misto de psicodelia e camadas dançantes que se tornam deliciosamente atrativas para qualquer momento do dia.


22-Marcelo D2 – Iboru


"Iboru" é definitivamente um dos melhores trabalhos da carreira solo de Marcelo D2, por conseguir trazer, do início ao fim, a impactante poesia do Rap em canções cheias de Samba. Isso é graças às suas participações especiais, suas letras pessoais e sociais, que trouxeram poesias em forma de canção.


O álbum traz momentos bastante intensos e emocionantes, e mostra o quanto D2 é inovador para elencar, de forma definitiva, que ele é um autêntico gênio da música brasileira.


A primeira faixa, "Saravá", já é, por si só, uma verdadeira carta de boas-vindas do artista ao mostrar para o ouvinte o que vai encontrar nesse disco.


21-Playmoboys – Nada é de uma vez


Com influências que vão do Rock britânico à MPB, a Playmoboys disponibilizou o disco Nada é de uma vez através da Symphonic distribuidora.


O álbum, que inclui faixas vibrantes e enérgicas como “Queda livre” e “Antes do sol”, elenca as referências da banda brasileira, que bebe na fonte de The Strokes e Libertines.



20-Clarice Falcão – Truque


"Truque" é aquele disco que representa dois caminhos: um, o recolhimento, e o outro, a liberdade. Clarice Falcão passeia por temas íntimos com canções movidas por uma pegada lírica sentimental e nostálgica.


Com fortes elementos do pop e música eletrônica, o que não falta aqui são batidas de sintetizadores que convidam o ouvinte a dançar.


Essa fusão de elementos culmina no que pode ser considerado o trabalho mais abrangente na carreira de Falcão, embora isso não a isente de alguns deslizes.


19-Lupe de Lupe – Um Tijolo com Seu Nome


Ainda que imerso no lirismo inquietante e na brutalidade emanada dos arranjos, "Um Tijolo Com Seu Nome", possui notável semelhança com as demais obras da Lupe de Lupe.


O disco revela vibrantes refúgios instrumentais e poéticos, destacando mais uma vez a notável versatilidade da banda.


Cada faixa se veste de um potente personagem e lugares do nosso cotidiano ganhando cada vez mais força e potência com o som distinto, denso e retorcido da banda. Algo nessas camadas do novo trabalho remetem aos primeiros discos da Lupe, como Recreio (2011) e Sal Grosso (2012).


18- Canto Cego - Canto Cego


Canto Cego é um grupo originário da Favela da Maré (RJ) que foi formado em 2010. E neste tempo de atividade já colecionaram algumas conquistas interessantes. Ganharam prémios no Festival da Nova Música Brasileira (2012) e do Planeta Rock (2014), também participaram de shows ao lado de grandes nomes da música como Ira!, Biquini Cavadão e Detonautas.


A característica maior do quarteto é casar peso com poesia. E isso eles fazem bem. Preocupação com um instrumental que frequentemente surge explosivo nas canções e um abrangente lirismo não tão fácil de assimilar por conta de muitas mensagens, metáforas e significados.


O terceiro e homônimo álbum indica uma direção oportuna para os cariocas. Experiência musical aumentando, um trabalho bem produzido, influenciado corretamente pelo legado incontestável da história do Rock e possuindo letras que falam de uma sociedade brasileira que respira música (e continuará respirando).


17-Besouro Mulher - Volto Amanhã


Sentimentalismo profundo, letras honestas e histórias do meio urbano se fundem a uma atmosfera tomada por um tom poético e extravagante no álbum de estreia da banda paulista Besouro Mulher, 'Volto Amanhã'. 


São canções forjadas pelas lacunas da alma, melodias que nascem do gosto distinto dos integrantes Sophia Chablau, Arthur Merlino, Bento Pestana e Vitor Park. Um trabalho que começou a ganhar vida durante a pandemia do Covid-19, isolamento social e distanciamento do contato físico.


Tudo isso é narrado nas canções, que soam como um diálogo franco e aberto com ouvinte; é difícil não se identificar com as letras que narram eventos que vivenciamos há pouco tempo.


16- Lucas Santana - O Paraíso


Lucas sempre foi um músico atento e contextualizado com o que acontece no mundo e como evolui o comportamento humano vivendo em sociedade. A música entrou em sua vida muito cedo, filho do produtor musical Roberto Sant’Ana, graças ao pai cresceu convivendo com Caetano Veloso, Tom Zé (primo de seu pai) e outros artistas.


O novo disco é fruto de diversas influências, como ritmos afro-brasileiros. Morar em Paris permitiu que ele tivesse uma visão mais ampla do mundo, o que o fez enxergar inúmeras situações e fatos sob uma nova perspectiva, às vezes dura, ácida e crua, mas sem deixar de ser leve, positivo e encantador, com doces e belas melodias.


15-Jonathan Ferr - Liberdade


O renomado pianista e compositor carioca Jonathan Ferr está de volta com um disco repleto de ótimas vibrações e surpresas. Partindo do encontro de onde parou seu disco anterior, 'Cura' de 2021, Ferr mergulha na fusão do Urban Jazz com o Hip Hop no novo e saboroso ‘Liberdade’ (2023).


Um disco que explora novas camadas, como o uso de vozes nas canções, e se abastece de sonhos, amor, felicidade e resistência. Explorando um lado experimental do músico e pianista.


'Liberdade' é mais um trabalho exuberante de Ferr, que sempre nos deixa com aquele brilho no olhar e cheios de esperança e positividade na vida e na música brasileira. Ferr nos concede uma viagem subliminar, uma experiência afável que ganha proporções cada vez mais expansivas entre o Jazz contemporâneo que flerta agridocemente com os ritmos do Rap, R&B e Jazz. A força musical de Jonathan Ferr é latente, arrebatadora e potente na medida certa. Perfeito do início ao fim.


14-Mahmundi – Amor Fati


Lançado em maio, este disco é um mix de tudo o que faz sucesso recentemente: arranjos pop, estilo lo-fi, batida eletrônica suave, mais poesia e menos vozeirão. As letras não fogem muito do tema "relacionamentos", com poesia e rima, mostrando a habilidade da artista em brincar com as palavras sem se tornar abstrata.


Este é outro disco que me cativou mais pela calmaria dos ritmos, o que mostra que há momentos da vida em que a gente só quer relaxar e apreciar algo agradável aos ouvidos. Destaque para a releitura da própria Mahmundi em "Meu Amor Reprise", a faixa que mais foge do pop moderno do álbum, trazendo uma sofisticação que é muito "anos 90".


13-Letrux - Letrux Como Mulher Girafa


A primeira questão que surge na cabeça ouvindo o novo trabalho da cantora e compositora carioca Leticia Novaes, cujo o nome artístico é Letrux, é: qual bicho você vai querer ser para encarar a “doidera” de morar nesse país? Em ‘Letrux Como Mulher Girafa’, seu terceiro disco solo, a cantora solta os bichos da selva para criar uma metáfora sobre a existência humana.


Logo fica perceptível, entre uma faixa e outra, a notável influência do clássico ‘A Revolução dos Bichos’. A própria artista revelou em entrevistas recentes que teve uma crise existencial após ler o icônico livro.


Segundo a própria compositora, o disco foi dedicado a ilustre e saudosa Rita Lee (1947 – 2023), “uma mulher girafa especial em minha vida”. E essa homenagem e influência da rainha do rock fica bem evidente na enérgica "Teste Psicológico Animal", que emula primorosamente a fase dançante de Rita na áurea dos anos 80.


12-Pato Fu - 30


Outro álbum que merece destaque pela sutileza de arranjos e pela característica voz suave de Fernanda Takai. Mas não se engane quem achar que é um disco açucarado ou alternativo demais: só a faixa "A Besta" já dá um belo toque sobre, na real, qual é o assunto do disco.


O álbum busca falar sobre temas sombrios que assolaram nossos dias nos últimos anos, principalmente no Brasil. E aí tem um pouco de tudo: política, isolamento (seja por desavenças ou COVID), a "ignorância" e intolerância das pessoas.


Para quem sentir falta da pegada alternativa da banda, com todos aqueles efeitos instrumentais da fase "Made In Japan", a banda representa muito bem com a faixa "Curral Mal Assombrado".


11- BIKE - Arte Bruta


Originalmente concebido como um projeto composto por duas extensas composições, abrangendo as metades de uma única obra, "Arte Bruta" (lançado em 2023 pela Quadrado Mágico / Before Sunrise Records) foi gradualmente refinado e recebeu um novo tratamento em estúdio.


Da mesma forma que ocorre com a maioria dos álbuns da banda, a concepção deste trabalho teve início com a formulação do título e a ideia audaciosa de lançar um álbum composto apenas por duas músicas extensas, cada uma ocupando um dos lados da versão em vinil do disco.


O próprio título, de certa maneira, simbolizava esse salto, uma vez que o termo - também fragmentado em duas partes - expressava o contraste entre a sofisticação artística e a crueldade da brutalidade.


O álbum efetivamente encapsula o esforço do grupo em progredir, superando possíveis barreiras criativas e evitando a adoção de estruturas previsíveis.



10-terraplana - Olhar Pra Trás


'Olhar Pra Trás', o debut da banda terraplana formada em Curitiba pelos amigos Stephani Heuczuk (voz, baixo), Vinícius Lourenço (voz, guitarra), Cassiano Kruchelski (voz, guitarra) e Wendeu Silverio (bateria), mergulha profundamente nas camadas inebriantes e sedutoras do Shoegaze com elementos agridoces e memoráveis do Dream Pop.


São canções lindas e sentimentais que resvalam em memórias de tempos áridos e difíceis, os quais vivenciamos nos últimos três anos com toda aquela incerteza provocada pela pandemia da COVID-19.


O grupo fez bastante sucesso entre os fãs brasileiros de post-hardcore e shoegaze, ao ganhar destaque ao vencer um concurso organizado pela Groover Brasil, garantindo sua participação no Balaclava Fest, evento promovido pela Balaclava Records. Agora, eles lançaram seu primeiro álbum pelo selo paulistano de música independente. O trabalho foi produzido por Gustavo Schirmer (Terno Rei/Jovem Dionísio) e as faixas foram mixadas/masterizadas por Nico Braganholo.


Uma estreia marcante do quarteto curitibano, uma mistura singular de passado, presente e futuro, que explora o processo criativo e experimentalismo da banda dentro de um estúdio. Um verdadeiro salto estelar, com todos os ingredientes necessários para se fazer uma música pop daquelas que ficam por tempos rodando em sua cabeça.



9- Julia Branco - baby blue


Julia Branco tem se destacado como um dos grandes nomes do pop contemporâneo. Após sua estreia no cenário musical com a banda 'Todos os Caetanos do Mundo', deu início a sua carreira solo em 2018 com o disco 'Soltar os Cavalos'.


A artista recebeu elogios de Arnaldo Antunes e foi definida por André Midani como uma das vozes mais doces e sedutoras de sua geração. O novo trabalho, intitulado 'baby blue', lançado pelo selo Dobra Disco, viu o mundo pela primeira vez em 4 de agosto de 2023.


Com uma abordagem minimalista, arranjos cativantes e sedutores, o álbum é embasado pelo sentimento da maternidade e vivências da cantora no decorrer dos anos até a chegada de sua filha Cora. Com isso, a vida ganhou uma novo colorido e sentido, e esse sentimento é estampado logo na introdução de 'baby blue', com as gargalhadas de Cora abrindo o trabalho apresentando ao ouvinte as temáticas tratadas no decorrer de 10 faixas e pouco menos de 30 minutos.


São momentos nos quais somos convidados a nos imergir em um território criativo profundamente pessoal da artista de Minas Gerais, tão nosso quanto dela.



8-Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo - Música do Esquecimento


'Música do Esquecimento' é um dos grandes discos de 2023, destacando o amadurecimento sonoro e lírico da banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo.


O álbum é primoroso, impactante, belo e sensacional, apresentando canções inesquecíveis que demonstram o talento dos integrantes da banda. Este trabalho merece reconhecimento e audição, representando uma promissora continuidade para futuros discos e ampliando o alcance da excepcional musicalidade alternativa da artista paulista Sophia Chablau.



7-Luiza Lian - 7 Estrelas| Quem Arrancou o Céu


Desde que lançou seu homônimo álbum de estreia, a cantora e compositora brasileira Luiza Lian tem chamado bastante atenção com sua música, que é uma mistura entre o alternativo, experimental, Pop e MPB, respeitando o ecletismo sonoro e trazendo letras poéticas e interessantes que observam de perto a realidade social atual.


“7 Estrelas| Quem Arrancou o Céu” possui 10 faixas e foi feito com produção da artista com o produtor musical Charles Tixier, seu parceiro de longa data. Luiza compôs todas as músicas em 2019, em plena pandemia da Covid-19, mas sua produção foi mais lenta para conseguir inserir de forma bem sintonizada as melodias com os líricos.


É um excelente disco de Luiza, um nome musical que tem se destacado de forma muito positiva na cena independente brasileira há muitos anos, ao trazer misturas musicais bem formidáveis em letras sentimentais e reflexivas desde o primeiro disco.



6-Sara Não Tem Nome - A Situação


Sara Não Tem Nome é o projeto musical da cantora mineira Sara Alves Braga. Mas a artista, formada em Artes Visuais, é inquieta e também trabalha em outros campos artísticos. Dirigiu filmes e fez alguns trabalhos de fotografia. Na música, apareceu em 2015 com o disco “Ômega III”. Agora chega ao segundo álbum intitulado “A Situação” que não deixa de ser um trabalho bem centrado nos últimos acontecimentos que marcaram o país.


Boa parte do disco é envolta por uma nuvem de melancolia. Porém são belos arranjos e a astúcia da cantora que não deixam um sabor tão amargo assim, esse é o diferencial que se sobressai.


Sara Não Tem Nome está na lista dos nomes da música brasileira que precisamos prestar atenção, que precisamos ouvir para não termos ‘mais um dia de robô’, como é citado pela própria cantora irreverente em ‘Parque Industrial’.



5-Lê Almeida - I Feel In The Sky


Lê Almeida visita inúmeros universos sonoros e paisagens psicodélicas em seu mais recente álbum, 'I Feel In The Sky'. Essa obra quebra todas as barreiras e expande fronteiras na música brasileira.


O trabalho demonstra com maestria a sensação de liberdade criativa. As canções do disco foram gravadas em São Paulo, Seattle e Nova York, e essa pluralidade se reflete nas músicas, que ampliam a jornada musical do artista com primor. O resultado simplesmente pode ser mais um registro para a lista dos melhores discos nacionais do ano.


Conhecido como o mentor de uma cena indie inquietante e ao mesmo tempo instigante que surgiu nos subúrbios do Rio de Janeiro em meados dos anos 2000, Lê Almeida veio ganhando cada vez mais notoriedade pela mistura sonora que passeia entre Lo-fi, Kraut, Free Jazz, Afrobeat, Hip-Hop e música brasileira. Essas camadas vieram se intensificando em trabalhos como 'Amenidades' de 2018 e 'Aulas' de 2020.


'I Feel In The Sky' é um belo e audacioso projeto de Lê Almeida, um músico que ainda tem muito a dizer com sua criatividade e sonoridade. O disco se torna uma baita surpresa na música brasileira e uma ótima pedida para aqueles que ainda possuem o velho e enraizado pensamento de que não tem nada de bom sendo feito no Brasil em termos de cultura pop. Lê Almeida, juntamente com muitos outros, estão prontos para provar que isso não passa de pura conversa de botas batidas.



4- Jéf - Amor


Jéf tem uma visão de mundo fascinante. Em 'Amor', o cantor explora ainda mais seu lado poético e lírico; as canções fazem jus ao título do álbum. São 10 faixas de puro amor, sentimentos, emoções e sutilezas.


O disco já abre com uma música sensacional, "Estrada", que deixa uma mensagem positiva para esse finzinho de ano. Parece que o compositor gaúcho absorveu muito bem as vivências do tempo, levando em consideração que 'Amor' chegou cinco anos após seu terceiro disco.


Dentre as 10 faixas de seu mais recente álbum, Jéf colaborou com renomados artistas da música brasileira, como Roberta Campos em "Pensando em Você", Duca Leindecker em "Estrada", bibi em "Qual É A Sua" e o duo Mar Aberto em "Fica Mais Aqui".


Um disco para guardar no coração. Tenho certeza de que isso aqui vai te trazer momentos de paz e uma viagem através de boas melodias, carregadas por um folk envolvente e ótimas letras. Jéf se destaca no cenário nacional.



3-Ana Frango Elétrico - Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua


Desde seu surgimento na cena musical brasileira nos anos 2010, a carioca Ana Faria Fainguelernt, mais conhecida pelo seu nome artístico Ana Frango Elétrico, tem demonstrado uma fusão de diversos gêneros, como MPB, Rock, Pop e Bossa Nova, para criar um som único e alternativo. Essa abordagem a coloca com méritos como um dos grandes nomes da cena Indie/Alternativa brasileira.


Pode-se dizer que “Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua” é um dos trabalhos mais maduros e impactantes de Ana Frango Elétrico. Utilizando sua atuação como artista de canto, composição e poesia, juntamente com uma formação musical eclética, ela apresenta sua evolução e maturidade nas partes líricas e sonoras.


Isso deixa seu nome cada vez mais em evidência, solidificando sua posição de forma positiva na história da música brasileira com um dos discos mais interessantes de 2023.



2-Mateus Fazeno Rock - Jesus Ñ Voltará


A história de Mateus Fazeno Rock com a música começou ainda quando criança, observando seu vizinho ouvindo Nirvana e Silverchair. Esses fragmentos de memórias de infância ajudou a consolidar seus anseios e vontades de seguir pela música inspirado pelo Reggae, Rap, Funk, Rock e Punk. Com a chegada dos anos 2000, a internet dominou as periferias do Brasil através de lan houses, detalhe que contribuiu para o músico adquirir conhecimento e fazer pesquisas sobre música.


Mateus já tinha algum conhecimento em violão, graças a sua participação em um projeto da ONG Revarte, que buscava resgatar valores pelo meio da arte, na Sapiranga, seu bairro de origem na periferia de Fortaleza. Junto com dois amigos, um dos quais não tinha nenhuma habilidade musical e outro que sempre se autoproclamava como baterista, eles decidiram formar uma banda. No entanto, como era de se esperar, a ideia não vingou e os encontros entre os três eram mais repletos de devaneios imaginativos sobre como seria a banda do que realmente práticos.


Hoje com 26 anos, o músico mora em Fortaleza, e já soma no ótimo currículo sonoro dois álbuns. 'Rolê Nas Ruínas' chegou em 2020 trazendo uma potência sonora urgente e necessária. A coisa não muda muito com o novo e vigoroso 'Jesus Ñ Voltará' lançado em 28 de abril, uma obra que disseca a vida nas periferias com versos poéticos, pungentes que falam sobre o começo e fim da vida em lugares onde a dor, angústia, vida, afeto e morte andam lado a lado.


Além da sonoridade muito bem consolidada, o álbum mostra sua força nas letras que destilam histórias reais da vida de inúmeros brasileiros que lutam batalhas diariamente para garantir sua sobrevivência e dos seus.


'Jesus Ñ Voltará' aborda o caos e a calmaria dos momentos que fazem parte da nossa vida, sejam eles na rua em meio ao trânsito caótico das grandes cidades, ou no aconchego do seu lar ao lado daqueles que realmente importam. Um álbum que trafega poderosamente pelos caminhos do Funk, Reggae, Rock, Funk e até mesmo o R&B. São músicas que ganham diversas paisagens e ambientações que acabam potencializando a poesia incompreendida desse jovem músico cearense que chega contestando a realidade trivial da vida.



1-Ian Ramil - Tetein


O que mais chama atenção e cativa na música feita pelo gaúcho Ian Ramil é a sua capacidade e criatividade para criar mundos imaginários, dosados ​​por uma paisagem lúdica repleta de sensibilidade e paixão.


Essa é uma característica presente nos três álbuns do compositor: desde 'Ian' de 2014 e 'Derivacivilização' de 2015, o músico adotou em sua roupagem musical uma fórmula autêntica e única. Após um longo hiato, chega o mais recente trabalho intitulado 'Tetein', um disco intimista, que navega entre canções que mais parecem uma meiga e doce cantiga, trazendo temas relevantes e bem inspirados para essa era modernista dominada pelas redes sociais e pelos avanços da I A.


O novo álbum é uma obra de arte que ganhou asas com a chegada de Nina, sua filha. Com 12 faixas inovadoras e versáteis, o trabalho cativa com sua poesia aventureira e arranjos que exploram diversas texturas e dinâmicas. O disco mergulhou de forma intensa na esfera íntima e na realidade urbana, abraçando os fatos do dia a dia. Ian conseguiu entrelaçar toda a sua vivência nesses anos todos. Apesar do minimalismo e meiguice que vai de uma canção pra outra, cada faixa parece ter sido projetada para fazer os jovens adultos refletirem sobre suas vidas e o valor do tempo.


Após oito anos sem lançar material inédito, Ian Ramil nos entrega um disco lírico, meigo, bonito e honesto. Um trabalho que consegue materializar os mais profundos sentimentos e manter um agridoce equilíbrio entre o popular e o contemporâneo. Os arranjos, melodias e a delicadeza e cuidado do músico com cada faixa desencadeia inúmeras paisagens sonoras que soam potentes, ao mesmo tempo que trazem leveza e suavidade.


Um misto de frescor ousado cheio de ótimas ideias que despertam aquela doce sensação de surpresa a cada música. Um trabalho muito bem produzido, tocado e cantado.



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