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I Used To Go To This Bar: quatro anos depois, Joyce Manor retorna com um... Power Pop?

E o mais estranho: eles fazem um trabalho decente!

Joyce Manor
Joyce Manor — Foto: Reprodução

Diretamente de Los Angeles, o trio de pop-punk Joyce Manor retorna com seu oitavo disco e o primeiro em quatro anos. Em 2022 a banda lançou "40 oz. to Fresno", que, pra ser sincero, sempre me soou como o disco menos essencial da carreira deles: divertido, leve, mas meio subnutrido, como se faltasse carne no osso. Ainda assim, depois de mais de uma década de boa vontade acumulada, era difícil não dar um passe livre.



Mas antes disso, a trajetória da banda já tinha passado por fases bem definidas. Os três primeiros álbuns são praticamente intocáveis pra mim. Discos curtos, diretos, repetitivos na forma, mas com um nível de composição tão alto que isso nunca foi um problema. Depois vieram os dois discos mais debatidos da carreira: Cody, o mais ambicioso e conceitual que eles já fizeram, e Million Dollars to Kill Me, que soa quase como um projeto solo de Barry Johnson de tão limpo, reto e pouco orgânico. Autêntico de outro jeito, mas distante da identidade crua que fez eu me interessar taaanto por Joyce Manor na minha adolescência.


Mas I Used To Go To This Bar é um passo bem mais interessante. Tem uma coleção de músicas que realmente me pegaram, principalmenteWell, What It Was, The Opossum e “Grey Guitar”. Os instrumentais são sólidos, bem encaixados nesse pop punk mais limpinho com umas tintas de emo e midwest emo, e o disco tem um clima melancólico bem contemporâneo — aquela ansiedade meio difusa da vida americana recente.All My Friends Are So Depressed é o exemplo óbvio, mas I Know Where Mark Chen Lives e Grey Guitartambém capturam bem essa vibe de miséria compartilhada.


As músicas curtas são parte da identidade da banda, mas aqui algumas parecem esboços, não canções completas.Falling Into It, principalmente, sofre com isso — espremida entre duas faixas fortes, ela simplesmente desaparece. Eu não espero um Never Hungover Again 2, mas às vezes parece que eles param as ideias antes de elas realmente virarem algo memorável.



O disco também soa bem transitório, cheio de referências como a faixa-título flertando com Sum 41, Well, Whatever It Was parecendo um single de uma banda one-hit wonder dos anos 90, e After All You Put Me Through que nasce com cara de música que vai dividir fãs. E lançar quatro singles de um álbum de nove faixas definitivamente não ajudou... quando o disco chega, metade dos melhores momentos já não é novidade.



Talvez não seja o retorno explosivo que alguns fãs antigos esperavam, mas é um Joyce Manor confortável com a própria fase, brincando com power pop, nostalgia e entregando o que pra mim são uma das melhores letras da banda.


Se eles continuarem encaixando uma ou duas músicas realmente especiais por disco, eu continuarei sempre aparecendo no bar!


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