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Modernidade, passado e atemporalidade se juntam em “Hello Young Lovers” da dupla Sparks

“Hello Young Lovers” é um belo cartão de visitas para se aprofundar na sonoridade do Sparks

Foto: Los Angeles Times

Muitas pessoas torcem o nariz para discos remasterizados. Para alguns ouvintes, é mais uma forma de caça-níquel. Porém um fato é inegável: são essas produções que geralmente nos fazem reparar alguns erros do passado como, para o exemplo dessa resenha, conhecer algum grupo ou álbum que deixamos passar batido e que realmente valha nosso tempo de conhecimento.

 


 

O pensamento retratado acima se encaixa no caso da dupla Sparks e, para esse texto, citando o disco “Hello Young Lovers” que foi lançado em 2006 e que agora em 2022 recebe edição remasterizada (juntamente a outros discos clássicos do duo). Formada pelos irmãos Mael (Ron e Russell), a dupla está em atividade desde os 70’s, com mais de 20 discos na bagagem, além de algumas trilhas sonoras e de colaborações em diversos projetos de outros artistas/grupos.


A qualidade exponencial do Sparks é atravessar todas as décadas com naturalidade, sempre trazendo entretenimento e colocando sua música numa atemporalidade e contemporaneidade em sintonia mútua. Caso dos álbuns “Kimono My House” (1974) e “Lil’ Beethoven” (2002) que, apesar de distantes temporalmente, traduzem a força da sonoridade da dupla e podem ser escutados em qualquer época, sem contraindicações.

 


 

“Hello Young Lovers” é um belo cartão de visitas para se aprofundar na sonoridade do Sparks. Resquícios da Era Disco, Synth-Pop, New Wave, até mesmo o Punk e o Rock se abraçam num redemoinho ágil que é frequentemente propulsionado pelos exercícios infinitos vocais de Russell e pelo acompanhamento preciso do piano de Ron (ouça ‘Here Kitty’).

No universo sonoro dos irmãos, o bloco maciço criado por uma instrumentação clássica/orquestrada se colide facilmente com a urgência Glam Rock de ‘There’s No Such Thing As Aliens’. A desconcertante ‘Waterproof’ une um Jazz da época Vintage com um Rock enérgico e apocalíptico. A faixa de abertura ‘Dick Around’ é uma Ópera-Rock certeira e indubitavelmente seria uma canção que o Queen faria em sua melhor fase.


As acrobacias vocais de Russell funcionam tal qual um novo instrumento para a composição do duo. Ecos, camadas e texturas vocais complementam perfeitamente faixas como ‘The Very Next Fight’, ‘(Baby, Baby) Can I Invade Your Country’ e ‘Rock, Rock, Rock’. Inspirados na música francesa entregam ‘Perfume’ que ganha um clima romântico, enquanto ‘Metaphor’ é outra que traz uma aproximação do Pop-Rock com a música Vintage.

O álbum remasterizado conta com uma canção bônus (‘We Are The Clash’) e uma versão exclusiva e com letra alternativa para ‘(Baby, Baby) Can I Invade Your Country’. Em tempos de tantas alavancas da internet que nos permitem o aprofundamento e conhecimento sobre diversas bandas importantes do passado com facilidade, Sparks deve estar em sua lista. “Hello Young Lovers” pode abrir essa lista com méritos.

 


 

Hello Young Lovers

Sparks


Lançamento original: 6 de fevereiro de 2006

Gênero: Rock Alternativo, Indie Rock, Pop

Ouça: "Dick Around", "The Very Next Fight", "Here Kitty"

Humor: Exuberante, Peculiar, Irônico


 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 

Veja o vídeo oficial de ‘Dick Around’:


 

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