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Metro Exodus conduz o jogador numa Rússia pós-apocalíptica imersiva, sufocante e assustadora

há 2 dias
5 min de leitura

Metro Exodus leva a série para além dos túneis de Moscou e encontra na exploração de um mundo devastado uma de suas experiências mais imersivas.

Metro Exodus
Créditos: 4A Games / Divulgação


Em 2002 chegava nas livrarias a primeira edição de Metro 2033, livro do escritor russo Dmitry Glukhovsky. Numa ficção distópica, o livro narra a história de um grupo de sobreviventes que se refugia nas estações de metrô de Moscou após uma catástrofe nuclear. Tendo Artyom como personagem principal, o livro traz temas como filosofia, família, política e religião.


 


Nada melhor que capturar esse universo pós-apocalíptico e inseri-lo num jogo. Dessa forma, em 2010, chegaria Metro 2033, um FPS criado pela 4A Games. O jogo alcançou logo fãs pelo mundo inteiro, trazendo uma mistura de elementos como furtividade (stealth), ação e survival horror. Metro Last Light, o segundo jogo, chegaria em 2013. Com tanto sucesso, em 2014 ainda seria lançado Metro Redux, uma coletânea com os 2 jogos reunidos em versões remasterizadas.

 

Metro Exodus teria a obrigação de continuar o sucesso da série, sobretudo com os consoles da nova geração próximos de chegar, exemplo do PS5 e do Xbox Serie X/S. Mesmo mantendo as características que tornaram a série famosa, o jogo chegava com uma novidade: a entrada de alguns cenários de mundo aberto possibilitando um jogo muito mais apto a ser explorado e contendo também algumas side quests.

 

Num jogo que engloba mundo aberto, todo jogador sabe que as possibilidades são maiores devido a não linearidade dos cenários e da liberdade de seguirmos muitas missões conforme nossa preferência. Metro Exodus tem uma maior imersão que os jogos anteriores, mais tempo de duração e propicia muito mais a exploração. Em contrapartida, o jogo alterna entre aspectos positivos e negativos (que mesmo assim ainda são em menor número).

 

Os produtores também tentaram reproduzir um mundo mais distinto, não apenas baseado nos subterrâneos do Metrô. Volga é uma região que é constituída de ruínas e regiões alagadas. Cáspio é um território desértico que passa por constantes tempestades de areia. Por sua vez, Taiga é cercada por uma bela natureza, apesar de abrigar uma cidade devastada pela catástrofe nuclear.

 

Muito de Metro Exodus evoca jogos como Fallout e The Last Of Us. Qualquer canto, residência destruída, ruína e corpos encontrados pelo caminho oferecem saques que fornecem desde aprimoramentos até itens de sobrevivência. Da mesma forma, para se chegar a uma determinada missão, podemos escolher caminhos variados.

 

Os combates continuam, embora seja melhor optar pela surdina, caso o jogador deseje fazer um dos finais possíveis (assim como obter conquistas e/ou troféus). Neste caso, é melhor agir na surdina, agachado, fugindo de lugares iluminados e sem usar armas de fogo. Para isso, também contamos com objetos que servem para distrair inimigos como latas ou que não fazem barulho a exemplo de facas arremessáveis.


 


Metro Exodus
Créditos: 4A Games / Divulgação

Essa característica de mundo aberto traz agora opções para a locomoção de Artyom. Em Volga, podemos nos aventurar remando um barco, mesmo em regiões infestadas de animais aquáticos mutantes (e isso inclui um peixe gigantesco). Problema é que o barco tem uma movimentação muito arrastada, além de algumas vezes ficar emperrado em algum canto de região alagada.

 

Em Cáspio temos a oportunidade de dirigir a Bukhanka, um veículo que apesar de surrado nos transporta para diversas regiões do mapa. O problema é que Metro Exodus tenta ser realista demais e dirigir o veículo de noite durante uma tempestade de areia enxergando quase nada pela frente, nem mesmo a estrada, pode ser algo bastante irritante.

 

A característica de soar o mais realista possível citada anteriormente colabora para a atmosfera de sobrevivência. A necessidade de limpar armas que podem estragar e emperrar, a máscara que pode quebrar (e que também precisa ser consertada) e o filtro de oxigênio que sempre deve ser trocado e que nunca deve faltar em nossa mochila são mecânicas interessantes que contribuem com a tensão que alguns cenários causam.

 

Chegar perto de um lugar muito radioativo então, nem pensar. É morte certa. Se cair na água com a arma, é precisa limpá-la posteriormente para mantê-la ainda em bom funcionamento. O mapa de fácil uso e navegação traz as localizações de missões principais e de missões secundárias, assim como de pontos de interesse.

 

A mochila que carregamos traz também outro diferencial. Com ela, podemos fabricar kits médicos, munições, coquetel molotov, filtros de oxigênio e muitos outros itens. Também encontraremos bancadas pelos cenários que nos permitem aprimorar e consertar armas. Claro que tudo depende da nossa exploração em encontrar matérias-primas (e quanto maior a dificuldade, mais difícil de encontrar esses recursos).

 

O manuseio das armas foi algo que melhorou em relação aos jogos anteriores. Tudo está mais firme, além de armas que trazem possibilidades maiores de melhorias. Um revólver, por exemplo, pode ser transformado numa espécie de mini shotgun. O arco e flecha pode carregar tanto munições normais como explosivas, conforme a criação que o jogador deseja fazer.

 

A movimentação de Artyom também pode decepcionar jogadores mais apressados. Como estamos em terrenos acidentados, é preciso ter cuidado em não correr demais em morros ou lugares mais altos, pois uma queda pode acabar com a missão em questão de segundos (e isso numa dificuldade mais alta não é nada interessante).

 

Para quem deseja ainda mais exploração, os velhos diários continuam espalhados pelo jogo. Agora também podemos coletar cartões postais e melhorias para o próprio Artyom (como máscaras mais resistentes e coletes capazes de guardar munições extras).

 

Metro Exodus
Créditos: 4A Games / Divulgação

Outro detalhe que continua presente são os pontos de moral. Metro Exodus possibilita diversas ações que definem finais diferentes e até mesmo quem sobrevive ou não. Matar ou poupar quem se entregou? Atirar contra todo mundo dentro de uma seita? Resgatar o ursinho de pelúcia de uma pobre garotinha? Cabe ao jogador escolher.


Problema é que esses pontos de moral continuam obscuros e um jogador pode não perceber quando a boa ação ocorreu ou não. Da mesma forma, a série nunca elucidou completamente quais os pontos de moral de seus jogos, o jogador acaba descobrindo por dicas de outros jogadores.

 

Ao abrir o jogo, o carregamento está bem demorado. Pose ser irritante, sobretudo para quem tem pouco tempo para jogar. Não existe save manual e é de se pensar que em jogos de mundo aberto eles sempre são importantes. Os checkpoints são generosos, mesmo assim em determinado cenário, o personagem surgiu em outra parte do mapa, fazendo com que a locomoção até a missão precisasse ser refeita. Lembrando que a versão para a resenha foi a de PS4.

 

Mesmo com alguns percalços e falhas, o jogo encoraja o jogador a seguir adiante até os créditos finais. Claro que muito do que está implementado aqui pode ser melhorado para o aguardado Metro 2039 (que sairá em fevereiro de 2027). Entretanto, Metro Exodus é bonito, imersivo e um dos jogos que melhor captura a essência da atmosfera pós-apocalíptica sufocante e assustadora que sempre inquieta o fã do gênero.

 

Trailer do jogo:


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