Life In Small Spaces do Black Marble intensifica a construção da música atual tendo o passado como influência
- Eduardo Salvalaio

- há 22 horas
- 2 min de leitura
No quinto álbum do Black Marble, Chris Stewart amplia o espaço das guitarras sem abandonar os sintetizadores e a atmosfera que moldaram o projeto

Chris Stewart é um músico de Nova Iorque com algumas paixões em sua vida desde adolescente: Coldwave, Synth-Pop e até mesmo o baixo virtuoso de Peter Hook do New Order. Então, dessa forma, ele resolveu criar seu projeto musical intitulado Black Marble. As primeiras composições tomaram forma ainda em 2010, com o músico num processo criativo que envolvia apenas seu laptop na tranquilidade de sua casa.
Quando Chris teve a ideia de apresentar suas músicas para alguns amigos, estes descobriram potencial nele, mas afirmaram que as composições mereciam um instrumental melhor e mais rebuscado. Foi justamente quando, também inspirado pela cena nova-iorquina, o músico deu uma reajustada em suas canções.
O début veio logo em 2012 com o charmoso A Different Arrangement, um disco recheado de boas canções a exemplo de ‘Cruel Summer’ e ‘A Great Design’. Chris não estava de brincadeira e em seguida chegaram discos igualmente interessantes como It’s Immaterial (2016) e Bigger Than Life (2019).
Life In Small Spaces, quinto álbum de estúdio do Black Marble, chega trazendo mais canções com a sonoridade que consagrou o projeto, colocando novamente o ouvinte dentro de uma máquina do tempo que o transporta confortavelmente para a década 80’s.
Entretanto, é notável como neste novo disco, Chris optou por inserir muitas texturas com guitarras. Junto aos sintetizadores, elas também ganham importância. Exemplo é ‘It Always Come To Me’ e ‘Picture When’ que parecem canções fundindo tanto bandas da lendária C86 como bandas do Synth-pop 80’s. ‘Anything’ se entrega abertamente a um Pós-punk que dita seu ritmo entre guitarras enérgicas e uma incisiva bateria eletrônica.
A construção rítmica bem elaborada é destaque na contagiante ‘Jim Carol New Year’. Certamente um dos destaques do álbum. Embora abrace uma atmosfera mais melancólica, ‘Other Man’s Dream’ ganha seu espaço no repertório. ‘Get Back Up’ e 'Missing History’ determinam como o New Order foi realmente importante para o Black Marble construir suas características.
Não apenas preocupado com arranjos e melodias, Chris também não se esquece de trazer letras que tratam de temas tão comuns em nossos tempos. Exemplo é ‘Panoptican Calls’ que fala de como a solidão ainda pode ser perturbadora mesmo quando estamos diante de tanta tecnologia e das redes sociais.
Mais de 20 anos de atividade e uma discografia que continua coesa e firme, Chris torna suas influências e paixões em realidade, sem deixar de nos mostrar que o passado e o presente da música ainda continuam tão bem sintonizados.
Veja o vídeo oficial de ‘Jim Carol New Year’:
.png)



Comentários