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Marcelo D2 inova mais uma vez na música e traz uma ótima mistura de Rap com Samba no disco "Iboru"

"Iboru" foi lançado em 14 de junho de 2023.

Foto: Fábio Tito/g1.


O carioca Marcelo Maldonado Gomes Peixoto, mais conhecido como Marcelo D2, é um dos grandes nomes da música brasileira por ser um verdadeiro significado de ecletismo de qualidade. Quando surgiu nos anos 90 com a banda Planet Hemp, ele inovou ao trazer o gênero musical Rap para uma banda de Rock, o que fez dessa mistura ser uma importante característica musical desse renomado conjunto musical que faz parte de forma positiva da música brasileira, suas letras politizadas e seu som são algo sensacional.


Em paralelo a isso, ele começava também investir em sua carreira solo, sendo o disco “À Procura da Batida Perfeita” de 2003 mais uma inovação, onde ele misturou o Rap com Samba. Detalhes que consagraram o álbum tanto com o público como pela crítica especializada. Essa sonoridade acabou influenciando o músico de maneira assertiva em sua carreira solo.



Hoje em dia, Marcelo D2 é apreciado e admirado dentro do Rock, do Rap, do Samba e da MPB; o que, por si só, é um feito grandioso por ter trabalhos excelentes tanto solo como com o Planet Hemp. Mas, mesmo tendo conquistado essa propriedade recíproca por 4 gêneros musicais diferentes, ele não se deixa acomodar e busca sempre se inovar para conseguir mais fãs e admiradores para seus trabalhos. Prova disso está em 'Jardineiros', disco maravilhoso que ele lançou com o Planet Hemp em 2022; e vem em 2023 com "Iboru", seu nono álbum de estúdio da sua prestigiada carreira solo, que traz uma interessante mistura de Samba com Rap, juntadas a uma originalidade letrista que faz desse trabalho mais um disco certeiro da sua extensa carreira musical.


"Iboru" tem 16 faixas interessantes que merecem atenção, nas suas letras que contam com a participação de muitos músicos ilustres, como Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho, Moacyr Luz e Xande de Pilares. A audição é marcante, não apenas pelos timbres, mas também pelas participações especiais e pela mistura avassaladora de gêneros musicais. Além disso, há a presença gratificante do prestigiado escritor e historiador brasileiro Luiz Antonio Simas na formação de duas músicas e a colaboração de Luiza Machado, esposa de D2, o que torna esse disco ainda mais especial.



A primeira faixa, "Saravá", já é, por si só, uma verdadeira carta de boas-vindas do artista ao mostrar para o ouvinte o que vai encontrar nesse disco. Ao trazer o Rap como característica principal, do lado do Samba, com um chamado para observar a ancestralidade e o futuro, sem perder o lado crítico social das coisas do mundo, com discurso forte que faz lembrar do disco anterior "Assim Tocam Meus Tambores" de 2020, e com áudios emocionantes de Paulete Peixoto, mãe de D2, que faleceu em 2021.


Paulete Peixoto é homenageada mais uma vez em "Pedacinhos de Paulete", com interlúdio cheio de emoção, que enche os olhos de lágrimas, aquece o coração e faz a mente lembrar de forma extremamente carinhosa da mãe que cada um de nós temos.

Em "O Samba Falará + Alto", temos uma faixa que mostra a importância e a riqueza que o gênero musical possui na música brasileira, com uma letra bem bonita que é como uma versão atualizada do inesquecível hit sambista "Não Deixe o Samba Morrer", com contexto social indiferente, uma sonoridade bem suingada e traz as participações de Alcione e Mumuzinho, que fazem da faixa um dos grandes pontos altos desse trabalho.

"Só Quando Meu Samba Morrer" reverencia o Samba de forma magnífica, com D2 fazendo uma linda homenagem ao mostrar sua maravilhosa relação com o gênero musical. Ao exaltar nomes importantes e excelentes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Bezerra da Silva, João Nogueira, Paulinho da Viola e outros, ele mostra que o Samba jamais vai morrer e que merece sempre respeito e consideração. Em um lírico contagiante e um ritmo maravilhoso, se ainda fossem vivos, Beth Carvalho e Bezerra da Silva fariam uma participação bem especial nessa canção que não sairá tão cedo dos ouvidos.



"Tempo de Opinião" traz a participação de Metá Metá, uma banda de Jazz de São Paulo, com uma sonoridade cheia de clímax. Isso soa como se fosse uma mistura de Bossa Nova, Jazz e Samba de Raiz em uma letra que mostra luta e força para enfrentar as desavenças e acolhimento para as bonanças. "Bundalelê" é um Samba alegre que conta com a presença pontual de Zeca Pagodinho e Xande de Pilares, cuja canção pode ser considerada futuramente um clássico para as rodas de Samba. Isso ocorre devido ao som maravilhoso e à letra cheia de causos e romantismo ardente.


"Pra Marcelo", uma letra autobiográfica, cujo ritmo lembra Samba de Morro, em um lirismo que ressalta temas sociais e cita Marcelo Yuka, ao mencionar um trecho que traz na lembrança a música "Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)", um clássico do repertório da banda O Rappa, na qual foi integrante de 1992 até 2001. "Kalundu" tem mais uma letra autobiográfica e aqui, ela tem a participação especial de Mateus Aleluia, integrante de um grupo cultuado de MPB chamado Os Tincoãs, para trazer elementos de ancestralidade e futuro na sua história.



"Iboru" é definitivamente um dos melhores trabalhos da carreira solo de Marcelo D2, por conseguir trazer, do início ao fim, a impactante poesia do Rap em canções cheias de Samba. Isso é graças às suas participações especiais, suas letras pessoais e sociais, que trouxeram poesias em forma de canção. O álbum traz momentos bastante intensos e emocionantes, e mostra o quanto D2 é inovador para mostrar, de forma definitiva, que ele é um autêntico gênio da música brasileira. Ao lado de vários grandes nomes, que vão de Tom Jobim e Chico Buarque até Chico Science e Zeca Baleiro, ele faz desse disco uma obra-prima cheia de maravilhas, esperanças e evoluções para 2023.

 

Iboru

Marcelo D2


Gênero: Samba, MPB, Rap

Lançamento: 14 de junho de 2023

Ouça: “O Samba Falará + Alto”, “Só Quando Meu Samba Morrer”, “Tempo de Opinião”, "Pra Marcelo"

Humor: Provocativo, Moderno, Poético


 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 

Ouça "Só Quando Meu Samba Morrer":


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