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Lady Gaga interrompe show em Tóquio para condenar ações do ICE e pedir “misericórdia”

Do outro lado do mundo, a urgência atravessou o palco

Lady Gaga
CRÉDITO: Kevin Mazur/Getty Images para Live Nation

Durante a penúltima noite da turnê japonesa Mayhem Ball, na quinta-feira (29), Lady Gaga interrompeu sua apresentação no Tokyo Dome para fazer um discurso duro e emocional contra as ações do ICE. O momento veio em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti, baleados por agentes do órgão nas últimas semanas, nos Estados Unidos.



Good, de 37 anos, foi morta a tiros em Minneapolis no dia 7 de janeiro pelo agente Jonathan Ross. Já Pretti, também de 37 anos, foi morto no dia 24 de janeiro, a menos de um quilômetro e meio do primeiro caso, atingido por 10 tiros em apenas cinco segundos.


Ambos eram cidadãos americanos, e Pretti havia participado dos protestos que se seguiram à morte de Good.


Visivelmente emocionada, Gaga falou ao público japonês sobre a necessidade urgente de mudança, união e responsabilidade:


“Precisamos voltar a um lugar de segurança, paz e responsabilidade. Pessoas boas não deveriam ter que lutar tanto e arriscar suas vidas por bem-estar e respeito. E eu espero que nossos líderes estejam ouvindo; espero que estejam nos ouvindo enquanto pedimos que mudem rapidamente seu rumo e tenham misericórdia de todos em nosso país.”


A cantora também destacou o peso emocional do momento e como encontra força em sua própria rede de afetos:


“Num momento em que parece difícil ter esperança, são a minha comunidade, os meus amigos e a minha família que me dão forças.”


Antes de apresentar “Come to Mama”, faixa do álbum Joanne que já carrega em si um apelo à empatia, Gaga reconheceu que era incomum fazer esse tipo de discurso fora dos Estados Unidos. Ainda assim, explicou por que sentiu que precisava falar, especialmente às vésperas de seu retorno ao país, marcado para 1º de fevereiro, pouco antes da cerimônia do Grammy:


“Quero dedicar um momento para falar sobre algo extremamente importante para mim. Algo importante para pessoas em todo o mundo e especialmente nos Estados Unidos neste momento. Daqui a alguns dias, estarei voltando para casa, e meu coração está apertado ao pensar nas pessoas — as crianças, as famílias, em toda a América — que estão sendo impiedosamente perseguidas pelo ICE.”


Ela seguiu, sob fortes aplausos, ampliando o olhar para o impacto coletivo da violência institucional:


“Estou pensando em toda a dor deles e em como suas vidas estão sendo destruídas bem diante dos nossos olhos. Também estou pensando em Minnesota e em todos que ficaram em casa e estão vivendo com tanto medo, buscando respostas sobre o que devemos fazer. Quando comunidades inteiras perdem seu senso de segurança e pertencimento, algo se quebra dentro de todos nós.”


Ao final, Gaga pediu que o público permanecesse solidário e dedicou a canção seguinte:


“‘Come to Mama’ é dedicada a todos que estão sofrendo, a todos que se sentem sozinhos e desamparados, a todos que perderam um ente querido e estão passando por um momento difícil, um momento impossível, vendo quando o fim está próximo.”



O posicionamento da artista se soma a uma onda crescente de manifestações no meio musical e artístico contra o ICE. Recentemente, Billie Eilish incentivou colegas famosos a se posicionarem publicamente, enquanto Finneas criticou o que chamou de hipocrisia de discursos conservadores sobre leis de armas.



Outros nomes que se manifestaram incluem Sabrina Carpenter, Green Day, Neil Young, Moby, Zara Larsson, Joe Keery, Duran Duran, Dave Matthews, entre outros.


Do palco de Tóquio, Lady Gaga deixou claro que, para ela, música ainda é movimento. E silêncio, definitivamente, não é uma opção.

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