Tom Morello lidera show histórico contra o ICE em Minneapolis com Bruce Springsteen e convidados
- Marcello Almeida
- há 18 horas
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Quando a música vira trincheira, o palco deixa de ser só palco

Tom Morello transformou indignação em som alto e direto ao liderar um poderoso show de protesto contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) em Minneapolis, reunindo nomes centrais de sua trajetória no Rage Against The Machine e no Audioslave.
O concerto aconteceu ao meio-dia da sexta-feira, 30 de janeiro, na histórica First Avenue, e foi anunciado como “um concerto de solidariedade e resistência em defesa de Minnesota”. O evento ocorreu em meio a protestos contínuos na cidade após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, ambos baleados e mortos por agentes do ICE nas últimas semanas.
O momento mais simbólico da tarde veio com a aparição surpresa de Bruce Springsteen, que subiu ao palco para a estreia ao vivo de sua nova canção anti-ICE, “Streets Of Minneapolis”. Ao lado de Morello, o Boss também participou de uma versão intensa de “The Ghost Of Tom Joad”, conectando décadas de música de protesto em um mesmo gesto.
Antes disso, Morello já havia incendiado o público com um repertório que percorreu toda a sua carreira. O show abriu com “Killing In The Name”, do Rage Against The Machine, passou por “Cochise”, do Audioslave, e incluiu uma leitura coletiva de “This Land Is Your Land”, de Woody Guthrie. No encerramento, todos os músicos presentes se reuniram para “Power To The People”, clássico de John Lennon.
Entre as músicas, Morello falou diretamente à plateia, em um dos discursos mais contundentes do dia:
“Irmãos e irmãs, obrigado por nos receberem na batalha de Minneapolis. Minneapolis é uma inspiração para toda a nação. Vocês se levantaram heroicamente contra o ICE, contra Trump, contra essa terrível onda crescente de terrorismo de Estado. Vocês defenderam seus vizinhos, a si mesmos, a democracia e a justiça. Ninguém virá nos salvar, a não ser nós mesmos, e irmãos e irmãs, vocês estão mostrando o caminho.”
Em outro momento, o guitarrista ironizou a narrativa do governo federal:
“Ouvi dizer que o governo Trump alegou que agitadores externos vieram a Minneapolis para causar problemas. Gostaria de confirmar que nós somos esses agitadores externos e vamos causar muita confusão.”
Mais do que um show, a apresentação funcionou como um ato político claro: música como ferramenta de resistência, memória e enfrentamento. Em Minneapolis, Tom Morello e seus aliados deixaram explícito que, quando o Estado falha, o rock ainda sabe ocupar o espaço da resposta.











