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Governo Trump ataca Bruce Springsteen após lançamento de “Streets Of Minneapolis”

Entre acordes, nomes e memória, Springsteen segue fazendo o que sempre fez

Bruce Springsteen
Crédito: Gus Stewart.

O lançamento de Bruce Springsteen reacendeu um embate antigo entre arte e poder nos Estados Unidos. Após a divulgação de “Streets Of Minneapolis”, o governo de Donald Trump reagiu publicamente, classificando a música como “irrelevante” e acusando o artista de espalhar informações imprecisas em uma crítica direta às ações do ICE.



A canção foi lançada na quarta-feira (28 de janeiro) e escrita em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti, ambos cidadãos americanos baleados e mortos por agentes do ICE em episódios distintos ocorridos em Minneapolis nas últimas semanas. Good, de 37 anos, foi morta no dia 7 de janeiro pelo agente Jonathan Ross, em um caso que desencadeou protestos em massa pelo país.


Já Pretti, também de 37 anos, foi assassinado em 24 de janeiro, a menos de um quilômetro e meio do local onde Good morreu, atingido por dez disparos em apenas cinco segundos. Ele havia participado das manifestações que se seguiram ao primeiro caso.


Springsteen compôs a música durante o fim de semana, gravou na segunda-feira (26) e a lançou dois dias depois. Em comunicado, o cantor afirmou que se tratava de “uma resposta ao terror de Estado perpetrado contra a cidade de Minneapolis” e que a faixa era “dedicada ao povo de Minneapolis, aos nossos vizinhos imigrantes inocentes e em memória de Alex Pretti e Renee Good”.


Na letra, o músico canta: Vamos nos lembrar dos nomes daqueles que morreram nas ruas de Minneapolis, antes de direcionar a crítica ao presidente: O exército particular do Rei Trump, do Departamento de Segurança Interna / Armas presas aos seus casacos. Em outro trecho, ele nomeia as vítimas:Dois mortos deixados para morrer em ruas cobertas de neve / Alex Pretti e Renee Good”.



A resposta oficial veio por meio da porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, em declaração ao The Hollywood Reporter:


“O governo Trump está focado em incentivar os democratas estaduais e locais a trabalharem com agentes da lei federais para remover imigrantes ilegais criminosos e perigosos de suas comunidades – e não em músicas aleatórias com opiniões irrelevantes e informações imprecisas”.


Ela completou dizendo que:


“A mídia deveria noticiar como os democratas se recusaram a trabalhar com o governo e, em vez disso, optaram por dar abrigo a esses imigrantes ilegais criminosos”.


Essa não é a primeira vez que Springsteen se posiciona de forma contundente contra Trump e o ICE. No início do mês, durante uma aparição surpresa em um show em Nova Jersey, o cantor pediu publicamente para que o órgão federal deixasse Minneapolis. No discurso, afirmou:


“Neste momento, estamos vivendo tempos extremamente críticos. Os Estados Unidos – os ideais e os valores que representaram nos últimos 250 anos – estão sendo testados como nunca antes na era moderna”.


E concluiu:


“Se você acredita no poder da lei e que ninguém está acima dela, se você se opõe à invasão de uma cidade americana por tropas federais mascaradas e fortemente armadas, usando táticas da Gestapo contra nossos concidadãos, se você acredita que não merece ser assassinado por exercer seu direito americano de protestar, envie uma mensagem a este presidente, como disse o prefeito daquela cidade: o ICE deveria sair de Minneapolis”.


Entre acordes, nomes e memória, Springsteen segue fazendo o que sempre fez: usar a música como documento do seu tempo, mesmo quando isso incomoda quem prefere o silêncio.



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