Justiça Artificial mescla sci-fi distópico e thriller policial questionando o uso da IA na justiça
- Eduardo Salvalaio

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Como todo filme de investigação, não espere novidades

O emprego da IA é hoje um dos assuntos mais debatidos. Claro que em todos os setores as discussões são acaloradas sobre os aspectos negativos e positivos que esse recurso tecnológico pode trazer. No cinema, não poderia ser diferente. E sabemos bem que chegou um momento aonde a IA será recorrentemente retratada nas produções que surgem.
A nossa realidade segue para muita coisa que está acontecendo ali na tela, mesmo quando a trama aborda um cenário futurístico e distópico com a tecnologia ditando novas regras e costumes para a sociedade. Nada é tão difícil de acontecer e muito da tecnologia que contemplamos nas telas de cinema em décadas passadas está inserida em nossas rotinas (como os próprios robôs).
Esse talvez seja o caso de Justiça Artificial (Mercy, 2026). Dirigido por Timur Bekmambetov (Ben-Hur, 2016), o filme traz o detetive Chris Raven (Chris Pratt) que precisa provar sua inocência ao virar o próprio réu no assassinato de sua esposa.
Problema que o detetive agora está preso à tecnologia que ele mesmo criou. Uma espécie de julgamento eletrônico conhecido como Mercy controlado pela juíza Maddox (Rebecca Fergusson) que, na verdade, é uma avançada inteligência artificial. Ele tem 90 minutos para encontrar outras pistas e culpados da morte da esposa, caso contrário estará condenado e morto.

Podemos até lembrar de Minority Report (2002) onde John Anderson (Tom Cruise), um renomado chefe de polícia, é acusado de cometer um crime do qual não cometeu. Lembrando que neste filme, a tecnologia também está presente num sistema que consegue apontar crimes futuros e seus prováveis assassinos.
Com um início cheio de cenas ágeis, o diretor aproveita para mostrar uma Los Angeles conturbada que não consegue mais resolver seus crimes. O filme então vai trabalhar com dois fatos de forma potencial: a crescente explosão da violência nas grandes cidades e o emprego da IA no sistema judiciário.
Embora nosso personagem esteja esperando seu julgamento final, Justiça Artificial preza pela constante Ação. Com direito a revisar as prováveis pistas e os possíveis suspeitos, Chris estará diante de diversos eventos ligados ao assassinato. Apesar de possuir todo um acervo tecnológico a sua disposição, o detetive precisará usar de seu talento e de sua intuição para mudar o resultado do julgamento (com o tempo correndo contra ele).
Lógico que o filme abusa da tecnologia e dos efeitos para compor as investigações do detetive. Um frenesi de informações, imagens, ligações, mensagens e filmagens de câmeras. Um apelo visual que, na verdade, não destoa em nada de nossas vidas num mundo corrido de inúmeras informações controlado pela tecnologia, celulares, e-mails e redes sociais.
Como todo filme de investigação, não espere novidades. O roteiro segue pelo mesmo método de outros filmes do gênero: perseguições, chegar a um veredito dentre vários suspeitos, revelações, corrida contra o tempo. E aqui, Bekmambetov consegue se segurar até o final, embora não de forma primorosa, inclusive recheando a trama de surpresas e perspectivas acerca dos fatos do assassinato.
Justiça Artificial acaba sendo inferior a Minority Report (detesto comparações, mas aqui é inevitável) e se encaixa como uma diversão mediana para um final de semana. De qualquer forma, essa é mais uma produção questionadora da fragilidade do sistema judiciário mesmo quando envolve novas tecnologias. Porque tudo é uma constante evolução e necessita de aprimoramentos. Como disse um dos personagens do filme: ‘Todos cometemos erros e aprendemos’.










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