'It Won't Always Be Like This', prova o quanto o Inhaler pode ser uma banda promissora. Ouça!



It Won’t Always Be Like This’ debut da banda de Dublin, Inhaler, liderada por Elijah Hewson, filho de Bono do U2, aponta um começo promissor para a banda que forja seu som no Indie Rock tradicional e no Pop característico dos anos 80. A semelhança com os primeiros discos do U2 é bem notória. Apesar que Hewson já disse em entrevistas que o pai não teve nenhuma interferência no som do Inhaler. O grupo parece fazer o som que o U2 não faz mais hoje em dia, mas buscando seu próprio teto sobre os raios solares da cena Indie Pop. Não é novidade para ninguém que o U2 perdeu muito da sua força criativa no decorrer dos anos, muitos consideram o Acthung Baby seu grande último disco em termos de processos criativos. Mas como esse não é um texto sobre o U2, não vou me ater nesses comparativos. Apenas coloquei isso em evidência, porque ouvir ‘It Won’t Always Be Like This’ fica difícil não pensar na semelhança tremenda de sons e vocais que rodeiam pai e filho. Temos a sensação de estar ouvindo um Bono Vox rejuvenescido com toda a energia do mundo. Mas isso são apenas divagações desse que vos escreve.


O disco começa muito bem com o hino que dá nome ao debut “It Won’t Always Be Like This” e suas guitarras rasgadas e ensolaradas, que ganham mais ênfase com a ajuda dos sintetizadores enérgicos. Talvez seja o Inhaler no seu melhor. A letra narra o dramatismo de um jovem que precisa aceitar que está crescendo, e Hewson canta como se fosse o protagonista de uma melancólica história de vida. Como se ele próprio estivesse buscando caminhos distintos e se afastar dos seus laços sonoros familiares que podem tanto molda-lo, influenciar e facilitar a trajetória de sua banda. A música pode muito bem ser uma amostra do grupo explorando sua própria identidade e sonoridade. Uma prova dessa busca por independência fica evidente no clipe artístico que a faixa ganhou, e é um ótimo acompanhamento visual mesclando o preto e o branco com o colorido das cores, dando vida ao vídeo.


Em seguida somos apresentados a enérgica “My Honest Face” que mantém bem a atmosfera e o clima dramático emocional do disco. Uma faixa mais reflexiva que ganha seu potencial nos vocais de Hewson. Ele mistura simpatia e momentos introspectivos em uma letra que fala sobre erros e arrependimentos. Eu não queria te machucar, mas há apenas uma certa cultura quando você é jovem.” Pode muito bem ser uma letra direta e confessional para seu pai, dizendo que ele precisa trilhar seu próprio caminho. Os estrondos da bateria no decorrer da canção ajudam a incorporar o tom agressivo da faixa.


Do meu ponto de vista e audição, a terceira faixa “Slide Out The Window” é a mais bonita do álbum. São guitarras cativantes, sintetizadores climáticos e atmosféricos. A música caminha entre a diversão e o caos, como se a banda se divertisse e experimentasse novos elementos. “Cheer Up Baby” é a música mais divertida do disco. A banda busca por uma sonoridade mais próxima do mainstream, fugindo dos sons atmosféricos e profundos apresentado até aqui. Para dizer a verdade o álbum funciona muito bem até esse ponto. Daqui pra frente as canções são fracas e imaturas. Temos uma sequência de três faixas que deixam muito a desejar: “A Night On The Floor” perde muito com sua letra fraca que tenta passar um ar intelectual, mas não consegue transmitir sua mensagem. O instrumental Funk soa até legal, mas não combina com os versos impregnados e confusos da canção. “My King Will Be Kind” soa até interessante e legal. Mas você sente falta daquela energia e sons atmosféricos do início do disco. “When It Breaks” parece que a banda tenta soar como o The Strokes, mas a canção não consegue se desenvolver e ganhar vida, embora a música em si seja forte, emotiva, o processo criativo não atinge seu momento.


Who’s Your Money On? (Plastic House)” recupera o clima do disco. A faixa consegue envolver você em sua atmosfera climática e distinta, são graves e agudos que se misturam ao peso do baixo e fazem sua atenção retomar para o disco. ‘It Won’t Always Be Like This’ apesar de suas falhas é um bom disco de estreia. O Inhaler mostrou seu potencial e habilidades para criar boas canções atmosféricas e enérgicas, às vezes descontraídas e voltadas para um Indie moderno, possui suas ressalvas, mas não deixa de ser um bom disco que vale a pena ouvir.

 

Ficha Técnica:

Artista: Inhaler

Álbum: 'It Won't Always Be Like This'

Gênero: Indie Rock, Indie Pop

Data de Lançamento: 9 de julho de 2021

Ouça: "It Won' t Always Be Like This", "My Honest Face" e "Slide Out The Window"

Para quem gosta de: U2 e The Strokes



 

Ouça no Spotify:


 

Veja o vídeo de "It Won't Always Be Like This" abaixo:


 

Sobre Marcello Almeida

É editor e criador do Teoria Cultural.

Pai da Gabriela, Técnico em Radiologia, flamenguista, amante de filmes de terror. Adora bandas como: Radiohead, Teenage Fanclub e Jesus And Mary Chain. Nas horas vagas, gosta de divagar histórias sobre: música, cinema e literatura. marce.almeidasilvaa@gmail.com


 




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