top of page

Turnstile vence dois Grammys, provoca debates e reforça discurso coletivo

Quando o underground bate à porta do mainstream, e entra sem pedir licença

Turnstile
Imagem: Alexis Gross

O Turnstile viveu um daqueles momentos que mudam a escala de uma carreira. No último domingo (1), a banda de Baltimore levou para casa dois prêmios no Grammy Awards: Melhor Álbum de Rock, com o elogiado NEVER ENOUGH, e Melhor Performance de Metal, com a música BIRDS.



O segundo troféu, como era de se esperar, não passou sem controvérsia. Mas antes de qualquer polêmica, o grupo liderado por Brendan Yates usou o Instagram para falar sobre o reconhecimento e deixar claro que a banda nunca foi sobre protagonismo individual.


“No domingo, nossa banda ganhou dois Grammys: Melhor Álbum de Rock e Melhor Performance de Metal. Nunca imaginamos que estaríamos aqui, mas estamos muito gratos por estarmos aqui.Esta banda nunca teve a ver com o indivíduo, mas sim com uma busca coletiva por um fio condutor comum num mundo onde esses fios estão sendo escondidos de nós. O mundo gosta de nos dizer quem somos e quem não somos, mas a verdade é que não pertencemos a nada e pertencemos a todos.”


No mesmo comunicado, o Turnstile ampliou o discurso e tocou em temas políticos e sociais, algo que sempre esteve presente, de forma explícita ou não, na identidade do grupo:


“Estamos vivendo em uma época de crescente violência estatal. Estamos vendo pessoas sendo expulsas de suas casas aqui nos EUA, na Palestina, no Sudão, no Irã, em todos os lugares, como se não pertencessem a esses lugares. Como se não pertencêssemos uns aos outros.A música é um veículo para vozes que estão enterradas, que estão em busca de algo, que são estrangeiras. O Turnstile sempre existiu como algo estrangeiro.”


A mensagem foi encerrada com um agradecimento direto à base que sempre sustentou a banda, longe dos holofotes:


“Obrigado à nossa família, aos nossos amigos, aos nossos parceiros e aos nossos colegas por continuarem a nos moldar e a nos dar um senso de pertencimento. Obrigado a todos que já foram a um show e vibraram conosco no escuro. Obrigado à nossa equipe que luta para que possamos estar aqui. Obrigado a Baltimore por nos dar um palco. Obrigado a todos que permitiram que esta banda fosse um reflexo desta comunidade. Obrigado.”



O Grammy, o metal… e a eterna discussão


A vitória na categoria de Melhor Performance de Metal foi o estopim de um debate previsível. O som do Turnstile passa longe das convenções do metal tradicional, misturando hardcore, rock alternativo, indie e até hip hop. Ainda assim, a banda superou nomes muito mais associados ao gênero, como Dream Theater, Spiritbox, Ghost e Sleep Token.



O episódio reacende uma velha discussão: a dificuldade do Grammy em entender, classificar — e respeitar — os gêneros mais pesados. Para alguns, é um erro conceitual. Para outros, um reflexo de como as fronteiras sonoras estão cada vez mais borradas.




De Baltimore para o mundo (e para o Brasil)


Independentemente da polêmica, o fato é que o Turnstile saiu do Grammy maior do que entrou. E os brasileiros terão a chance de ver isso de perto: a banda está confirmada no Lollapalooza Brasil 2026, ao lado de nomes como Deftones, Doechii, Skrillex, Sabrina Carpenter, Chappell Roan, Lewis Capaldi, Cypress Hill, Lorde, Addison Rae e outros.


O festival acontece nos dias 20, 21 e 22 de março. E, goste o Grammy ou não de rótulos, o Turnstile segue fazendo o que sempre fez: empurrar limites, incomodar classificações fáceis e lembrar que música, antes de qualquer prêmio, é comunidade. Ingressos aqui.



Comentários


bottom of page