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Elton John sobre Prince: o gĂȘnio que nem o mundo conseguia alcançar

Atualizado: hĂĄ 2 minutos

Entre encontros estranhos e admiração absoluta, Elton viu de perto o que fazia Prince ser inalcançåvel

Elton John
Foto: Gregg Kemp

2016 ainda ecoa como um daqueles anos que parecem irreais quando a gente revisita. NĂŁo foi sĂł a perda de grandes nomes. Foi a sensação de que alguma coisa essencial estava sendo arrancada da mĂșsica, quase como se uma geração inteira de artistas Ășnicos tivesse sido levada de uma vez.



David Bowie, Leonard Cohen, Prince. TrĂȘs nomes que nĂŁo ocupavam sĂł espaço nas prateleiras da histĂłria, mas dentro da prĂłpria forma como a gente entende arte. E, no meio disso tudo, a perda de Prince carregava algo diferente. NĂŁo sĂł pela genialidade, mas pela sensação de que ele ainda estava em movimento. Como se nĂŁo tivesse terminado.


Prince nunca pareceu um artista de ciclo fechado. Ele mudava, se reinventava, atravessava estilos como quem respira. Era imprevisĂ­vel atĂ© no silĂȘncio. Talvez por isso a morte dele tenha soado tĂŁo absurda, nĂŁo parecia o fim de alguĂ©m, mas uma interrupção. E quem viu isso de perto sentiu.


Elton John nunca economizou palavras ao falar sobre Prince. Pelo contrårio. Quando tentou definir o que ele representava, foi direto ao ponto:


“O maior artista que jĂĄ vi
 um verdadeiro gĂȘnio, musicalmente muito Ă  frente de qualquer um de nĂłs. Cantei com ele duas vezes no palco — que honra.”


Mas o curioso Ă© que essa admiração convivia com algo quase oposto: a distĂąncia. Prince nĂŁo era exatamente acessĂ­vel. Havia uma espĂ©cie de barreira invisĂ­vel entre ele e o resto do mundo. NĂŁo por arrogĂąncia evidente, mas por operar em outra frequĂȘncia. Um lugar onde a comunicação nem sempre seguia as regras comuns.



Elton descobriu isso da forma mais direta possível. No primeiro encontro entre os dois, ele tentou se aproximar como qualquer fã faria. Chegou perto, se apresentou, começou a falar, e não terminou.


“Ele estava sozinho encostado na parede
 eu fui atĂ© ele e disse ‘oi, sou o Elton, sou muito fĂŁ seu e sĂł queria dizer
’ — foi tudo que consegui. Ele simplesmente virou e foi embora, sem falar nada.”


NĂŁo houve troca, nĂŁo houve resposta, nĂŁo houve gesto. SĂł ausĂȘncia. E, ainda assim, isso nĂŁo diminuiu nada. Talvez atĂ© tenha reforçado. Porque quando Prince subia ao palco, tudo fazia sentido de novo. Mesmo quando ignorava Elton ali, ao lado, mesmo quando saĂ­a sem aviso, havia algo maior acontecendo. Uma presença que nĂŁo dependia de interação pra existir.


Anos depois, eles finalmente dividiriam o palco de forma mais concreta, interpretando “The Long and Winding Road”, dos Beatles, na O2 Arena, em Londres. E, para Elton, aquele momento não foi só especial, foi definitivo.


Ele comparou a experiĂȘncia a estar ao lado de gigantes como John Lennon, Bob Dylan e Ray Charles. NĂŁo como exagero, mas como reconhecimento. Porque Prince pertence a esse lugar. Um lugar onde a mĂșsica nĂŁo Ă© sĂł tĂ©cnica, nem sĂł emoção, Ă© linguagem prĂłpria. Onde o artista nĂŁo segue o tempo, ele cria o prĂłprio tempo. Onde a genialidade nĂŁo precisa ser explicada, porque ela simplesmente acontece.


E talvez seja por isso que a ausĂȘncia dele ainda pesa. NĂŁo porque nĂŁo existam grandes artistas hoje. Mas porque alguns sĂŁo impossĂ­veis de substituir.


HĂĄ talentos que brilham, e hĂĄ aqueles que mudam a forma como a luz existe.



O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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