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O dia em que Ozzy Osbourne chamou um disco do Black Sabbath de “repugnante”

“Never Say Die!” não foi só um álbum, foi o retrato de uma banda já no limite

Ozzy Osbourne 
Ozzy Osbourne em 1998 - Foto: Mick Hutson / Redferns

A história do Black Sabbath não é feita só de discos que mudaram o mundo. Ela também é feita de momentos em que tudo parecia prestes a desmoronar, e, às vezes, de fato desmoronou.



No fim dos anos 70, a banda já não era mais aquela força coesa que reinventou o peso no rock. Havia talento, claro. Ainda havia riffs, ainda havia ideias. Mas faltava algo essencial: vontade de estar ali.


E Ozzy Osbourne sentia isso com uma clareza incômoda. Depois de um período criativo intenso que culminou em Sabbath Bloody Sabbath, o grupo começou a entrar num território mais instável. Sabotage ainda carregava força, mas já vinha impregnado de tensão, parte dela direcionada à própria indústria, às pressões externas, ao desgaste acumulado.


O problema é que esse tipo de energia não sustenta tudo por muito tempo. Quando chegaram a Technical Ecstasy, a sensação já era de deslocamento. Não exatamente um fracasso, mas algo fora do eixo do que a banda representava. E, nos bastidores, a desconexão só aumentava. Mas é em Never Say Die! que tudo fica impossível de ignorar.


Ali, já não existe mais unidade criativa. A banda vinha de idas e vindas, trocas internas, cansaço. Ozzy, inclusive, já ensaiava sua saída e pensava no que viria depois. O disco acabou sendo menos um projeto artístico e mais um registro de um momento em que ninguém parecia realmente presente.


Anos depois, ele não fez questão de suavizar essa memória. Ozzy disse que aquele foi o pior trabalho da sua vida. Que tinha vergonha do disco. Que aquilo soava errado até para ele, alguém que viveu intensamente cada fase da banda. Em outras palavras: não era só crítica, era incômodo real.


"O último álbum que fiz com o Sabbath foi Never Say Die e foi o pior trabalho em que já estive envolvido. Tenho vergonha desse álbum. É repugnante," disse ele em entrevistas.


E quando você ouve hoje, dá pra sentir. Não porque tudo ali seja ruim. Pelo contrário, há momentos que ainda funcionam. A faixa-título, por exemplo, mantém uma energia que lembra o que o Sabbath já foi. “Johnny Blade” aponta caminhos interessantes. Mas o conjunto carrega uma estranheza difícil de ignorar.



Como se cada música estivesse tentando sobreviver sozinha. Talvez o detalhe mais simbólico esteja no fato de que, em parte do disco, Ozzy sequer aparece nos vocais, função assumida por Bill Ward. Um sinal claro de que aquela formação já não se sustentava. No fim, “Never Say Die!” não é só um álbum problemático. É documento.


O registro de uma banda que já tinha ido longe demais para continuar do mesmo jeito, e que, mesmo tentando resistir, já estava se despedindo sem dizer isso em voz alta. Alguns discos não marcam pelo que são, mas pelo momento que revelam.




O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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