Elliott Smith ganha homenagem eterna no espaço
- Marcello Almeida
- há 16 horas
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Mais de vinte anos após sua morte, cantor e compositor agora tem seu nome gravado entre as estrelas em uma homenagem aprovada pela União Astronômica Internacional

Existem artistas que deixam marcas profundas na música. Outros conseguem algo ainda mais raro: permanecem orbitando a imaginação coletiva muito depois de partirem. Mais de duas décadas após sua morte, Elliott Smith acaba de receber uma homenagem que parece feita sob medida para a delicadeza melancólica de sua obra.
A União Astronômica Internacional aprovou oficialmente a designação "(861969) Elliottsmith" para um asteroide descoberto em 2014, eternizando o nome do cantor e compositor norte-americano entre os corpos celestes. Veja o comunicado oficial.
O detalhe que tornou a homenagem ainda mais emocionante não passou despercebido pelos fãs. A numeração do asteroide, 861969, faz referência direta à data de nascimento de Smith: 6 de agosto de 1969.
A iniciativa surgiu a partir de uma ideia do cineasta independente Orlando Campopiano, de Edimburgo. Segundo ele, tudo começou durante uma noite em que observava o céu enquanto ouvia "Shooting Star", uma das canções mais tocantes de From a Basement on the Hill, álbum lançado postumamente em 2004.
Na música, Elliott canta repetidamente a frase "you'll love me sad, shooting star", transformando a imagem de uma estrela cadente em um dos símbolos mais marcantes de sua obra. Foi justamente essa conexão que inspirou Campopiano a buscar uma forma de homenageá-lo.
Após entrar em contato com os responsáveis pelo espólio do músico, ele apresentou a proposta à União Astronômica Internacional. O pedido foi aceito e agora passa a fazer parte oficialmente dos registros astronômicos.
"Espero que isso apresente pelo menos uma nova pessoa à brilhante discografia de Elliott, e fico feliz em saber que ele agora possui um legado permanente nas estrelas", declarou Campopiano.
Ele acrescentou que ver a homenagem aprovada tanto pelos descobridores do asteroide quanto pelos representantes do legado de Smith tornou tudo ainda mais especial.
A homenagem coloca Elliott Smith ao lado de outros gigantes da música que também receberam reconhecimento semelhante no espaço. Entre eles estão David Bowie, Freddie Mercury, Frank Zappa e os quatro integrantes dos Beatles.
Embora seja um gesto simbólico, a escolha parece particularmente apropriada para um artista cuja música sempre habitou um território entre a beleza e a fragilidade. Poucos compositores conseguiram traduzir sentimentos de solidão, amor, perda e vulnerabilidade com a honestidade quase desconcertante que marcou discos como Either/Or, XO e Figure 8.
Nascido Steven Paul Smith, Elliott construiu uma das discografias mais respeitadas da música alternativa dos anos 90 e início dos anos 2000. Sua influência atravessou gerações e continua sendo percebida em artistas de diferentes estilos, do indie folk ao rock contemporâneo.
Smith morreu em 2003, aos 34 anos, deixando uma obra que continua encontrando novos ouvintes a cada ano. Agora, além de viver em suas canções, seu nome também ocupa um lugar permanente no cosmos.
Talvez seja a homenagem perfeita para alguém que transformou a melancolia em arte e fez da sensibilidade uma linguagem universal. Porque algumas vozes desaparecem. Outras continuam ecoando entre as estrelas.
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