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As minhas cinco obsessões musicais de 2025, parte 5

Algumas músicas não passam. Elas ficam, e ajudam a gente a atravessar o ano

Trunstile. Imagem: Alexis Gross
Trunstile. Imagem: Alexis Gross

A música nunca foi coadjuvante. Ela não entra em cena apenas para preencher silêncios ou embalar o fundo dos dias. A música assume papel principal no roteiro da nossa vida, caminha ao lado, atravessa momentos, marca viradas, sustenta quedas e celebra pequenos triunfos. O que seria do mundo sem ela? Talvez um lugar mais silencioso, certamente mais vazio. Discos não são apenas discos: são memória em movimento. E toda vez que a memória se cria, a vivência se aprofunda.



Essas são as minhas cinco obsessões musicais de 2025. Não necessariamente os “melhores” discos do ano, mas aqueles que mais tocaram, mais rodaram, mais bateram por aqui. Álbuns que acompanharam dias intensos, noites longas, decisões difíceis e alguns bons momentos no meio do caos. Seja no fluxo do digital ou no apego persistente ao analógico, a música esteve sempre presente, como abrigo, impulso e companhia.


2025 foi um ano de aprendizado, desafios e reviravoltas. Tocar um portal independente como o Teoria Cultural, equilibrar isso com o trabalho, lidar com incertezas e, ainda assim, ver o projeto crescer de forma tão viva e abundante, foi atravessar um turbilhão com a trilha sonora certa. A música ajudou a manter o eixo quando tudo parecia girar rápido demais.


Há planos, há futuro, há coisas se desenhando para 2026, ainda em silêncio, por enquanto. Mas, como sempre, a música segue ali, antecipando sentimentos, criando sentido, abrindo caminhos. No fim, a mensagem é simples e essencial: aproveite a vida, valorize os momentos, esteja presente com as pessoas ao seu lado. Viva a música. Curta seus cinco, dez, vinte discos preferidos do ano. Entregue-se às suas obsessões musicais, sem contraindicações.


  1. Turnstile – Never Enough

Turnstile – Never Enough
Imagem: Reprodução

Never Enough chegou meio despretensioso, sem grandes expectativas, e acabou se tornando um desses discos que atravessam o ano sem pedir licença. A faixa-título, explosiva e imediata, foi a que mais ouvi em 2025, daquelas que grudam no corpo e na cabeça. Tem algo de anos 90 ali, um espírito grunge diluído em energia hardcore, um refrão que soa urgente sem ser óbvio. É impacto puro, mas com sensação, não só barulho.


A partir dali, o disco se abre como um turbilhão: pesado, dançante, estranho na medida certa. O Turnstile mistura riffs, grooves, synths e climas sem parecer refém de hype ou fórmula, soando livre e confiante. Never Enough não foi um álbum que eu esperei acontecer, foi um álbum que aconteceu comigo. E, às vezes, é exatamente assim que a música mais importa.



  1. Wet Leg – Moisturizer

Wet Leg – Moisturizer
Imagem: Reprodução

As meninas do Wet Leg lançaram um dos discos mais legais do ano. Moisturizer rodou alucinado por aqui e virou briga feia pelo pódio com o Turnstile. É um álbum que abandona o escudo do sarcasmo para se jogar de cabeça no afeto, no desejo e no ridículo delicioso de amar sem proteção. Pop nervoso, grunge de sorriso torto, romance que ri enquanto escorrega.


Mangetout é o melhor exemplo disso: um vício pop, inebriante, quase alucinógeno, daqueles que você deixa tocar e se permite navegar sem rumo. Rhian Teasdale canta como quem sonha acordada, misturando humor, tesão e vulnerabilidade com uma naturalidade rara. Moisturizer não quer ser cool nem perfeito — quer grudar, bagunçar e ficar. E fica.


Como se apaixonar sabendo que vai dar errado, e ir mesmo assim.



  1. Deftones – Private Music

Deftones – Private Music
Imagem: Reprodução

É impressionante como o Deftones atravessa mais de três décadas sem perder identidade nem tensão. Private Music soa como a consolidação de tudo o que a banda construiu: riffs densos, groove pulsante e aquela sensualidade sombria que sempre caminhou lado a lado com a brutalidade. É um disco que não precisa provar nada, mas ainda assim soa faminto, físico, atento ao detalhe e à atmosfera.


Chino Moreno segue sendo o fio condutor entre extremos, ora rasgando, ora acariciando, enquanto a banda inteira trabalha o contraste com precisão cirúrgica. Peso e delicadeza coexistem o tempo todo, criando um som que ocupa o corpo e a mente ao mesmo tempo. Private Music reafirma algo raro: o Deftones não envelheceu tentando se atualizar. Evoluiu permanecendo inteiro. E continua sendo sentido, não apenas ouvido.




  1. Hayley Williams – Ego Death at a Bachelorette Party

Hayley Williams – Ego Death at a Bachelorette Party
Imagem: Reprodução

Hayley Williams sempre foi intensidade em combustão, mas aqui ela abandona qualquer ideia de performance. Ego Death at a Bachelorette Party soa como um disco lançado aos pedaços, fragmentado, confessional, quase improvisado, e é justamente aí que ele acerta. As músicas funcionam como páginas de um diário exposto sem retoque, lidando com exaustão, trauma, autonomia e a necessidade de deixar morrer versões antigas de si mesma.


No meio desse caos emocional, Whim surge como um respiro lindo e viciante. As camadas grudam na gente, a levada é gostosa, o pop flui com um ritmo contagiante que insiste no repeat. A voz adocicada de Hayley soa quase angelical, íntima, como se estivesse cantando só para quem está ouvindo. Não é um disco confortável nem linear, mas é profundamente humano, um rito de passagem em que ela escolhe existir em voz própria, mesmo quando isso dói.



  1. My Raining Stars – Momentum

My Raining Stars – Momentum
Imagem: Reprodução

Momentum é dessas descobertas que encaixam de imediato, não pelo impacto, mas pela familiaridade emocional. Um disco de canções no sentido mais puro: melodias grudentas, guitarras acolhedoras e um domínio claro da escrita pop. A sonoridade dialoga diretamente com o indie dos anos 90, entre o indie rock e o dream pop que orbitavam selos como Creation e Sarah Records, evocando aquela sensação rara de conforto que só certos discos conseguem oferecer.


Dentro desse universo, Special Place funciona como ponto de síntese. A faixa traduz com precisão essa nostalgia do fim dos anos 80 e início dos 90, tanto pela levada quanto pela melodia, lembrando a fluidez e o groove dos Stone Roses. É ali que o disco revela com mais clareza sua força afetiva: uma música que não apenas remete a uma época, mas cria um espaço emocional onde dá vontade de ficar.



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