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Thom Yorke faz duro discurso contra streaming e gravadoras: “Sem nós, vocês não são nada”

Vocalista do Radiohead criticou práticas da indústria musical durante cerimônia do Ivor Novello Awards em Londres

Thom Yorke
Crédito: Raph Pour-Hashemi

Poucos artistas conseguem transformar um discurso de agradecimento em um alerta direto para toda a indústria musical. Thom Yorke fez exatamente isso.


Durante a edição de 2026 do Ivor Novello Awards, realizada em Londres no dia 21 de maio, o vocalista do Radiohead subiu ao palco para receber sua entrada oficial na Academia Ivor e aproveitou o momento para disparar críticas contundentes contra serviços de streaming, gravadoras e executivos da música.



E não foi um discurso protocolar. Yorke usou o espaço para falar sobre algo que acompanha há anos: o esvaziamento financeiro e artístico da música contemporânea em meio à lógica das plataformas digitais e dos algoritmos.


“Muita conversa fiada acontece em torno da música nova”, afirmou o músico, segundo registros divulgados pela NME.


“Playlists feitas apenas por interesse próprio, discursos sobre uma cena musical vibrante… mas existe uma recusa em oferecer qualquer aparência de fonte de renda sustentável para a maioria dos músicos.”


A crítica então ficou ainda mais dura. Segundo Yorke, a indústria continua repetindo práticas antigas de exploração financeira dos artistas, agora adaptadas ao universo digital.


“Eles continuam com aquelas malditas práticas obscuras de contabilidade que as grandes gravadoras já usavam nos anos 90”, disparou.


O músico também direcionou parte de sua fala diretamente aos serviços de streaming e aos executivos do mercado musical.


“Se mexam”, afirmou. “De onde vocês acham que virão os próximos grandes catálogos de música?”





Em seguida, Yorke elevou ainda mais o tom ao alertar sobre o futuro da própria indústria caso o atual modelo continue desvalorizando artistas emergentes e seus públicos.


“Essa indústria vai morrer junto com os idiotas que a comandam se tudo o que vocês fizerem for destruir a próxima geração de músicos e fãs”, declarou. “Sem nós, vocês não são nada.”


O discurso rapidamente repercutiu nas redes sociais e reacendeu debates antigos envolvendo a relação do Radiohead com plataformas digitais e modelos de distribuição musical.


Vale lembrar que Thom Yorke e o Radiohead já criticam abertamente o streaming há muitos anos. Em diferentes entrevistas, o músico questionou principalmente os baixos pagamentos destinados aos artistas enquanto plataformas e grandes empresas seguem concentrando boa parte do lucro gerado pela música online.


Na cerimônia, o clima não foi totalmente tenso o tempo inteiro. Quem apresentou Yorke no palco foi Harry Styles, que arrancou risos da plateia ao revelar que perdeu a virgindade ouvindo Talk Show Host, clássico lançado pelo Radiohead em 1996.


A noite também teve outros momentos políticos e sociais importantes. A cantora irlandesa CMAT, vencedora do prêmio de Melhor Álbum, pediu que músicos se posicionem diante do crescimento do extremismo político e afirmou que “o fascismo está em ascensão”.


Entre os premiados da edição deste ano também estiveram nomes como Sam Fender, Lola Young, Kae Tempest e Rosalía. Talvez o mais simbólico em tudo isso seja perceber que Thom Yorke continua incomodando exatamente como sempre fez.


Mesmo sendo um artista consolidado há décadas, ele ainda parece enxergar a música menos como produto e mais como expressão humana ameaçada por uma lógica cada vez mais automática, corporativa e descartável.


E vindo de alguém que ajudou a redefinir o rock alternativo moderno, esse tipo de alerta dificilmente soa vazio.

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