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Skinamarink funciona mais como experiência audiovisual que faz o espectador montar um quebra-cabeça

Mesmo sendo um filme bastante escuro, incomoda ver uma luz que surge no canto do compartimento sugerindo que algo vai pular ali na nossa frente

Foto: Kyle Edward Ball/Reprodução


Para se criar algo dentro do gênero terror, basta apenas uma simples câmera e uma ideia na cabeça. Exemplo são os filmes A Bruxa de Blair (1999) e Atividade Paranormal (2007). Considerados como Found Footage, tais filmes fizeram escola e trouxeram muitas outras produções na cola, sendo muito modismo usar esse método entre os anos 90 e a década de 2000.


Pensando assim, de uma forma bem caseira e amadora, é que o diretor Kyle Edward Ball criou Skinamarink. Podemos dizer que este é mais um filme que não precisa de muito orçamento (ou praticamente nenhum) e até mesmo com um celular em mãos é possível exercer essa ligação com o cinema, apesar da forma mais rudimentar que possa parecer.



A trama, também é bem simples. Duas crianças acordam no meio da noite e descobrem que os pais desapareceram, além da casa que perdeu portas e janelas, isso sem contar que elas começam a desconfiar que não estão sozinhas ali. Entender que existe algo estranho ali não faz entregar nenhum spoiler, até porque em 100 minutos de duração, a película não mostra sua verdadeira intenção e nos faz ligar as peças de um possível quebra-cabeça que presenciamos na tela. Não fique desiludido caso não consiga. E termina deixando muita coisa em aberto e plausível de inúmeras interpretações.



O filme não tem vergonha de assumir esse tom de amadorismo ou de ser inspirado no gênero Terror do passado ou com baixo orçamento. A técnica e a qualidade de filmagem bastante granulada, inclusive, correspondem exatamente ao ano que o filme sugere ocorrer, em 1995. Os personagens aqui não tem sequer seus rostos revelados, o foco do diretor é assustar usando escassa iluminação, espaço limitado, móveis e objetos que podem surgir e desaparecer repentinamente em cenas fragmentadas ou mesmo repetidas.



Mesmo sendo um filme bastante escuro, incomoda ver uma luz que surge no canto do compartimento sugerindo que algo vai pular ali na nossa frente ou então, um rosto que se vê ao longe, mas que na verdade era um simples boneco. O filme apresenta determinadas cenas onde existe a hipótese de algum vulto ou algo escondido. Ou seria nossa mente sendo enganada pensando haver alguém ali?

O que mais assusta no filme é sua sonoplastia. Aqui, essa técnica vale mais do que as imagens. Incomodam realmente. A todo instante, móveis se arrastando, gritos, chiados, vozes distorcidas, sussurros e barulho de objetos caindo no chão aumentam a tensão do que a casa pode reservar para as crianças. Aconselho ver o filme na escuridão de seu quarto e com bons fones de ouvido. Até mesmo um desenho antigo que passa na TV ligada a toda altura contribui para uma angústia que nos encharca pelo tanto de pistas sonoras que nos chegam a cada cena.


Também é oportuna a decisão de colocar crianças no elenco. Fazendo assim, desencadeia no espectador uma própria lembrança de sua infância. Acordar no meio da noite na escuridão de casa e não saber o que nos espera. Chamar por alguém em nosso socorro e não ser atendido. Assumir uma responsabilidade quando sabemos que não existe uma garantia materna/paterna ou um conforto necessário. Isso traz o nosso medo mais primal, que sempre acompanhou a humanidade, que chega quando nos sentimos sozinhos ou abandonados, na escuridão e sem a certeza do que teremos que enfrentar adiante.


Skinamarink é uma experiência diferente que pega muito das ideias desse conceito Amador/Found Footage. Não agradará a todos, talvez muitos não passem de dez minutos do filme. Em contrapartida, outros espectadores aceitarão o desafio e até mesmo serão confrontados a ver tudo novamente. Para alguns, cada sessão pode desvendar mais o enigma na tentativa de juntar peças do quebra-cabeça e compreender melhor o que está ali, permeado pela escuridão. Depois lembre-se de acender as luzes.

 

SKINAMARINK


Ano: 2022

Gênero: Terror, Horror

Direção: Kyle Edward Ball

Roteiro: Kyle Edward Ball

Lançamento nos Cinemas: 13 janeiro de 2023

Duração: 1h 39 min

Elenco: Lucas Paul, Dali Rose Tetreault e outros

Disponível: No Catálogo da Shudder


 

NOTA DO CINÉFILO: 6,0

 

Trailer do filme:




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