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Bob Weir morre aos 78 anos e deixa um legado que ajudou a redefinir o rock ao vivo

Algumas músicas não terminam quando o músico parte. Elas continuam andando por aí

Bob Weir
Crédito: Kevin Mazur/Getty Images para a Recording Academy.

Bob Weir, guitarrista rítmico, vocalista e membro fundador do Grateful Dead, morreu no sábado, 10 de janeiro, aos 78 anos. A informação foi confirmada por meio de um comunicado publicado nas redes sociais oficiais do músico.



Segundo a nota, Weir enfrentava problemas pulmonares preexistentes e havia sido diagnosticado com câncer em julho de 2025.


“Ele faleceu em paz, cercado por seus entes queridos, após vencer corajosamente o câncer como só Bobby sabia fazer”, diz o texto.


Mesmo em tratamento, Weir voltou aos palcos poucas semanas depois do diagnóstico para uma celebração histórica em sua cidade natal. Em agosto de 2025, participou de três noites de shows no Golden Gate Park com o Dead & Company, marcando os 60 anos de carreira e também as últimas apresentações públicas de sua vida.


Nascido Robert Hall Weir, em São Francisco, em 16 de outubro de 1947, ele fundou o Grateful Dead aos 17 anos ao lado de Jerry Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e Ron “Pigpen” McKernan. A banda se tornaria um dos pilares da contracultura dos anos 1960, redefinindo a experiência do show ao vivo com longas improvisações, repertórios mutantes e uma relação quase ritualística com o público.


Foram mais de 2 mil apresentações ao longo das décadas, acompanhadas por uma comunidade fiel de fãs, os Deadheads. Mesmo após a morte de Garcia, em 1995, Weir manteve o espírito da banda vivo em diferentes formações, incluindo The Other Ones, The Dead e, mais recentemente, o Dead & Company, que contou com músicos como John Mayer.


Sempre inquieto, Weir também liderou projetos como RatDog, Furthur e Bobby Weir & Wolf Bros. Em junho de 2025, fez sua primeira apresentação em Londres em mais de 20 anos, no Royal Albert Hall, reinterpretando o repertório do Grateful Dead ao lado da Royal Philharmonic Concert Orchestra, em um encontro improvável e emocionante.


As homenagens começaram a surgir imediatamente. Trey Anastasio, do Phish, escreveu: “Isso dói muito. Eu realmente o amava”. Billy Corgan, do The Smashing Pumpkins, resumiu em poucas palavras: “Deus abençoe Bob Weir”. Em Nova York, o Empire State Building foi iluminado com cores tie-dye na noite de sábado, um aceno direto à estética e ao espírito dos Dead.



Bob Weir deixa mais do que discos ou gravações históricas. Ele deixa uma forma de entender a música como algo vivo, coletivo e em constante transformação. Como cantava em um dos versos mais lembrados do Grateful Dead: a música nunca para.



Veja a nota completa abaixo:


"É com profunda tristeza que compartilhamos a partida de Bobby Weir. Ele partiu em paz, cercado por pessoas amadas, depois de enfrentar o câncer com a coragem que sempre foi a sua marca. Infelizmente, acabou sucumbindo a problemas pulmonares preexistentes.


Por mais de sessenta anos, Bobby viveu na estrada. Guitarrista, vocalista, contador de histórias e membro fundador do Grateful Dead. Bobby será para sempre uma força guia, cuja arte singular ajudou a redefinir a música americana. Seu trabalho fez mais do que encher salas com som; foi como luz quente de sol preenchendo a alma, construindo uma comunidade, uma linguagem e um sentimento de família que gerações de fãs carregam consigo. Cada acorde que ele tocou, cada palavra que cantou, era parte essencial das histórias que tecia. Havia sempre um convite: sentir, questionar, vagar e pertencer.


Os últimos meses de Bobby refletiram o mesmo espírito que definiu sua vida. Diagnosticado em julho, ele iniciou o tratamento e, poucas semanas depois, retornou ao palco de sua cidade natal para uma celebração de três noites, marcando 60 anos de música no Golden Gate Park. Aquelas apresentações, emocionantes, cheias de alma e luz, não foram despedidas, mas presentes. Mais um ato de resistência. Um artista escolhendo, até o fim, seguir em frente do seu próprio jeito.


Ao lembrarmos de Bobby, é impossível não sentir o eco da forma como ele viveu. Um homem à deriva e sonhando, sem nunca se preocupar se a estrada o levaria de volta para casa. Uma criança de incontáveis árvores. Uma criança de mares sem limites.


Não há um pano final aqui. Não de verdade. Apenas a sensação de alguém partindo novamente. Ele costumava falar sobre um legado de trezentos anos, determinado a garantir que o repertório sobrevivesse muito além dele. Que esse sonho siga vivo através das futuras gerações de Dead Heads. E assim nos despedimos dele da mesma forma que ele guiou tantos de nós: com um adeus que não é um fim, mas uma bênção. Uma recompensa por uma vida que valeu a pena ser vivida.


Sua família amorosa, Natascha, Monet e Chloe, pede privacidade neste momento difícil e agradece por todo o carinho, apoio e lembranças compartilhadas. Que possamos honrá-lo não apenas na tristeza, mas na coragem de seguir em frente, com corações abertos, passos firmes e a música nos conduzindo de volta para casa. Pendure tudo e veja o que o amanhã traz."

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