Shirley Manson explica por que o Garbage decidiu reduzir drasticamente suas turnês na América do Norte
- Marcello Almeida
- há 19 horas
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Cantora diz que economia atual da música tornou o modelo tradicional de estrada insustentável

A vocalista do Garbage, Shirley Manson, voltou a comentar a decisão da banda de diminuir o número de shows em suas turnês na América do Norte. Em entrevista à NME, a cantora explicou que o grupo não pretende abandonar os palcos, mas reconhece que o modelo tradicional de turnê já não faz sentido do ponto de vista financeiro.
Segundo Manson, parte da confusão veio da interpretação de alguns veículos de imprensa sobre o assunto.
“Em nenhum momento dissemos que vamos parar de tocar ao vivo — embora alguns veículos tenham noticiado dessa forma. O que fizemos foi tomar a decisão de que nossas turnês terão outro formato daqui para frente.”
A cantora contou que a banda revisou os números de uma turnê recente e chegou a uma conclusão surpreendente.
“Fizemos as contas e descobrimos algo curioso. Realizamos cerca de 40 shows na América do Norte, e o Billy [Bush, marido de Manson] — que é meio nerd com números — analisou tudo e percebeu que poderíamos ter ganhado exatamente o mesmo valor se tivéssemos feito apenas 10 apresentações.”
De acordo com ela, a lógica seria simples:
“Algo como cinco shows na Costa Leste e cinco na Costa Oeste. Mesmo assim decidimos cruzar o continente inteiro, tocando também no centro da América do Norte, porque queríamos nos despedir de lugares que sabemos que provavelmente não conseguiremos visitar novamente.”
Manson também afirmou que o público ainda não percebeu o quanto a economia das turnês mudou nas últimas décadas. Para ela, a indústria vive uma transformação profunda que afeta diretamente artistas que dependem da estrada para sobreviver.
Ao lembrar o início da trajetória da banda, a cantora destacou que a realidade era diferente quando as vendas físicas ainda sustentavam os músicos.
“Durante muitos anos conseguimos equilibrar as contas porque vendíamos discos suficientes nos shows para, por exemplo, comprar um ônibus de turnê decente.”
Hoje, no entanto, ela vê um cenário preocupante, especialmente para artistas fora do circuito mais comercial.
“Estamos vivendo um verdadeiro estado de emergência para determinados tipos de músicos. As grandes estrelas pop continuarão prosperando — e espero que isso continue, porque precisamos delas, são divertidas e importantes.”
Mas a vocalista acredita que artistas mais experimentais enfrentam um cenário cada vez mais difícil.
“Quem cria obras originais, esotéricas, autênticas, provocativas ou rebeldes está sendo sufocado pelo sistema atual. O que vemos cada vez mais são estrelas pop que funcionam quase como fábricas de produtos: baratas de produzir, fáceis de manter e extremamente lucrativas para quem controla a indústria. Para mim, isso representa um desperdício enorme de talento da nossa geração.”
A discussão sobre o tema começou em agosto de 2025, quando Manson anunciou que o Garbage realizaria sua “última turnê como atração principal na América do Norte”. Um mês depois, a cantora voltou ao assunto e afirmou que o que chamou de “roubo da indústria fonográfica” havia obrigado a banda a reduzir drasticamente esse tipo de excursão.
Apesar das mudanças na estratégia, o grupo segue ativo. O Garbage prepara agora uma série de apresentações pelo Reino Unido e pela Europa, programadas para acontecer entre o final de março e meados de julho.






