Radiohead e Shakespeare se encontram em “Hamlet Hail to the Thief”; veja detalhes da produção
Com músicas de “Hail to the Thief” reorganizadas por Thom Yorke, espetáculo da Royal Shakespeare Company estreia em Londres no dia 31 de outubro

A produção teatral Hamlet Hail to the Thief, que combina a tragédia de William Shakespeare com as músicas do Radiohead, ganhou novas imagens dos bastidores antes de sua estreia em Londres, marcada para 31 de outubro de 2026, no Barbican Theatre.
As fotografias, registradas por Manuel Harlan, mostram os ensaios da montagem desenvolvida em parceria com a Royal Shakespeare Company. O espetáculo estreou originalmente em Manchester, em 2025, e agora se prepara para uma temporada na capital britânica, que seguirá até 23 de janeiro de 2027.
O projeto reúne Thom Yorke, vocalista do Radiohead, e os diretores Steven Hoggett e Christine Jones, vencedores dos prêmios Tony e Olivier. Para a adaptação, Yorke revisitou Hail to the Thief, sexto álbum de estúdio do Radiohead, lançado em 2003, e reorganizou suas composições para uma apresentação que reúne mais de 20 músicos e atores no palco.
As músicas são executadas ao vivo, integrando uma encenação que combina teatro, movimento e música.
Uma nova interpretação de “Hamlet”
A adaptação transporta a tragédia de Shakespeare para um ambiente dominado pela vigilância, pela instabilidade política e pela desconfiança. Na nova versão, Elsinore é apresentada como um Estado de vigilância, enquanto Hamlet e Ofélia começam a compreender a extensão das mentiras e da corrupção que cercam a Dinamarca.
A sinopse oficial descreve:
“Elsinore se tornou um estado de vigilância e a agitação corre nas veias de seus cidadãos. Hamlet: Ave ao Ladrão centra-se no despertar de Hamlet e Ofélia para as mentiras e a corrupção na Dinamarca, gradualmente reveladas por fantasmas e música. A paranoia reina e ninguém escapa de um desfecho trágico.”
Embora o álbum do Radiohead e a peça compartilhem temas que permitem estabelecer relações entre as duas obras, Thom Yorke explicou que essa conexão não foi planejada durante a criação do disco.
“Hamlet não estava em nossas mentes quando fizemos o disco”, afirmou o músico.
Em entrevista ao The Observer, Yorke também comentou como recebeu inicialmente a proposta de utilizar as composições do Radiohead em uma adaptação da tragédia.
“Não sou contra essa coisa de sincronicidade. Sabe, aquela história de O Mágico de Oz e 'Dark Side of the Moon'; você assiste a um filme, abaixa o volume, coloca outra trilha sonora e algo é revelado. Mas, obviamente, minha reação inicial foi: isto é Hamlet, portanto é sacrossanto, é intocável. Não dá para mexer. Mas a ideia não me abandonou. Plantou uma sementinha na minha cabeça.”
Thom Yorke revisitou “Hail to the Thief” para o espetáculo
O desenvolvimento da montagem também levou Yorke a retomar as músicas de um período importante da trajetória do Radiohead. Lançado em 2003, Hail to the Thief ganhou uma nova abordagem musical para a produção teatral, com arranjos concebidos especificamente para os músicos e atores envolvidos no espetáculo.
Esse processo também contribuiu para que a banda voltasse a explorar gravações de suas apresentações realizadas entre 2003 e 2009. O resultado foi o lançamento de Hail to the Thief Live Recordings 2003–2009, coletânea que reúne performances registradas em Londres, Amsterdã, Buenos Aires e Dublin.
O material permitiu aos integrantes do Radiohead “reavaliarem sua relação” com o sexto álbum de estúdio do grupo. Agora, as composições encontram outro espaço de apresentação, integradas ao texto de Shakespeare e à interpretação de um elenco que reúne música e teatro em uma mesma encenação.
Depois da estreia em Manchester, Hamlet Hail to the Thief chega ao Barbican Theatre em 31 de outubro, levando ao palco uma releitura de Hamlet construída a partir das músicas que o Radiohead lançou há mais de duas décadas.
Veja fotos abaixo:
Imagens por Manuel Harlan
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