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Quinta Temporada de The Boys: ironia, paródia, humor negro e a obscenidade para criticar o abuso de poder

Mesmo sem apresentar um equilíbrio entre suas cinco temporadas, o seriado consegue afirmar que cinema pode ser ousado, debochado e até mesmo fazer paródia da própria cultura pop

Quinta Temporada de The Boys
Créditos: Prime Video / Reprodução


Atenção: breve resumo e análise da temporada, cuidado pois contém SPOILERS!

 

O poder nas mãos das pessoas erradas. Esse tema sempre foi trabalhado na ficção e certamente ainda será muito frequente no cinema. Acontece que The Boys chegou escancarando, sem vergonha, trazendo um humor mordaz, entregando uma poderosa ironia. Não teve medo de ser um espetáculo onde explodir cabeças e corpos, matar pessoas, falar palavrões, expor nudez e mesmo satirizar seus próprios personagens e a cultura pop era algo rotineiro.

 

Desde sua primeira temporada, The Boys era aquela série que, já sabíamos, deixaria toda uma internet em alvoroço e entraria em diversas discussões pelas redes sociais. Polêmica, irreverente e ousada. Até mesmo quem nunca conheceu os quadrinhos (meu caso), ficou empolgado na trajetória de Billy Bruto (Karl Urban) e Hughie (Jack Quaid) em tentar dar fim a um grupo de super-heróis que abusavam de seus poderes.


 

Violência, sátiras, gore, reviravoltas e mesmo a obscenidade permearam os episódios das temporadas, sobretudo da quinta (e última). Tal qual um Game of Thrones que teve tantos eventos trágicos, mortes, mudanças e alianças, poderíamos esperar muitas surpresas e choques durante os episódios restantes.

 

Quinta Temporada de The Boys
Créditos: Prime Video / Reprodução

Infelizmente, The Boys peca por algo horrível e que costuma estar relacionado a séries de longa duração. Ao contrário de produções como Succession e A Sete Palmos que foram ficando sempre melhores conforme avançavam, por sua vez o seriado criado por Eric Kripke teve uma queda em suas temporadas. Mesmo assim, estávamos lá, acompanhando.

 

As características do seriado não ficaram perdidas. A fórmula ainda convencia. Apesar disso, e a julgar pela última temporada, sabemos bem que The Boys agiu mais em prol de alavancar suas séries spinoffs como Gen V (que foi cancelada) e Vought Rising que chegará em 2027 mostrando os primeiros super-heróis da corporação Vough.

 

Outra questão foi a hipótese de episódios fillers, caso do quinto episódio. Tudo bem que a presença de atores do seriado Sobrenatural trouxe algo nostálgico e atípico, mas o desenrolar do episódio é monótono e sabemos que tudo se caminha para um incontrolável banho de sangue. Vindo da própria cabeça de Kripke, melhor aceitar então que tudo é mais uma ironia num episódio de uma série para não ser levada tão a sério.

 

O último episódio, claro, abrirá discussões entre quem odiou e quem detestou. A luta no final era aguardada, fato. Billy e Capitão Pátria (Anthony Starr)? Nada mais justo. Eles se encontraram diversas vezes nas temporadas. Tudo bem que arrumar Kimiko (Karen Fukuhara) como uma arma mortal e praticamente servindo de plano B contra um personagem invencível foi algo pensando praticamente nos últimos episódios.

 

Justo dizer que a série foi irônica e sincera em seus momentos finais. Um personagem imbatível que afastou seu próprio grupo e que não teve nem apoio de seu pai e de seu filho. Em sua soberba e arrogância, perde seus poderes e se sente o ser fragilizado que agora é capaz de se humilhar perante seu oponente. Isso tudo sendo transmitido ao vivo. E o homem que pensava ser um novo Deus, se vê como um mero mortal recebendo seu trágico fim.


 

Num desfecho melancólico, Bruto acredita que um novo Capitão Pátria pode aparecer. Aquele velho discurso de que não adianta acabar com um vilão sempre vem outro no lugar. Mas é impedido por Hughie. Numa cena, convenhamos, também previsível. Para Hughie, ainda existe humanidade e é preciso acreditar nos super-heróis que ainda estão vivos, inclusive de sua amada Luz Estrela (Erin Moriarty).

 

Quinta Temporada de The Boys
Créditos: Prime Video / Reprodução

Nosso querido Francês (Tomer Capone) ainda pesa no coração de Kimiko. Bonita a cena onde Kimiko come num restaurante francês ao lado de um cachorro. Tudo que seu amado queria. Ter esse momento de paz ao lado dela. Foi o próprio Francês que deu forças para sua amada usar a 'arma mortal' contra o Capitão Pátria. Numa cena que reuniu certo sentimentalismo, até que aceitável, pois o casal conquistou nossos corações na série. Sem dúvidas que foram dois personagens que se destacaram.

 

Leitinho de Mãe (Laz Alonso) foi outro que passou por maus bocados, inclusive sendo sempre perseguido por um cara com órgão genital gigante. Essa temporada trouxe a reviravolta definitiva do personagem. Um homem que termina novamente bem com sua família e que, mesmo sendo mortal, consegue dar fim a super-heróis maléficos (sendo que um deles foi usando um oportuno acessório de sadomasoquismo).

 

Não poderíamos deixar de citar a música de The Boys. A música não parou. Tivemos nomes como Bad Company (‘Bad Company’), Joan Jett & The Blackhearts (‘Bad Reputation’), Bob Dylan (‘In My Time of Dyin'), INXS (‘Never Tear Us Apart’) e Billy Joel (‘Goodnight Saigon’). Citando Billy Joel, o músico até serviu para um diálogo hilário com Billy perguntando a Hughie quais suas músicas favoritas do cantor.

 

The Boys também é uma produção que acentua a atuação de alguns atores. Caso de Anthony Starr que personificou intensamente um vilão histriônico e marcante. Seus trejeitos, falas e atitudes (que renderam inúmeros memes pela internet) certamente ficarão na memória dos espectadores.

 

The Boys termina de forma não tão satisfatória, acaba deixando algumas pontas soltas e não se equipara o que vimos lá nas duas primeiras temporadas. Porém, é uma temporada longe de ser ruim e ainda deixa alguns momentos na lembrança. O poder que corrompe e que mata o mais fraco ainda estão mais fortes com um Capitão Pátria fora de si e sem controle.


Mesmo sem apresentar um equilíbrio entre suas cinco temporadas, o seriado consegue afirmar que cinema pode ser ousado, debochado e até mesmo fazer paródia da própria cultura pop que criou (aqui, neste caso, dos super-heróis). E ainda sobre espaço para criticar regras de poder da sociedade atual.

 Trailer:


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