top of page

Quando Roger Waters entendeu o que faz uma canção realmente durar

Entre Syd Barrett, soul music e Ray Charles, o caminho até a maturidade como compositor passou pela empatia

Roger Waters
Imagem: Reprodução

Demorou um pouco até Roger Waters entender o que separa uma boa música de uma canção que atravessa o tempo. Porque escrever algo agradável, que gruda na cabeça, é uma coisa. Criar algo que permanece, que toca alguém mesmo anos depois, é outra completamente diferente.



No início, isso não era tão evidente. Dentro do Pink Floyd, quem ocupava esse espaço criativo era Syd Barrett, com sua mente imprevisível e suas composições fora do eixo. Quando Barrett saiu de cena, Waters não assumiu só o comando, ele herdou um vazio difícil de preencher. Não dava para imitar aquilo. Nem fazia sentido tentar.


A virada começa a aparecer em momentos como Echoes. Ali, já não era mais sobre experimentação pura. Havia algo mais humano, mais conectado. Uma tentativa de transformar som em sentimento. E talvez tenha sido nesse ponto que Waters percebeu que técnica não bastava, era preciso empatia.


Essa busca não veio só do rock. Muito do que ele procurava estava na música soul. Em artistas que não necessariamente escreviam tudo o que cantavam, mas que faziam cada palavra parecer absolutamente real. Gente como Aretha Franklin ou Otis Redding, que não interpretavam músicas — viviam elas.


Mas um nome em especial mudou a forma como Waters enxergava tudo isso: Ray Charles.

Quando ouviu Georgia on My Mind, algo virou. Não era só a música. Era a forma como ela existia. Como se cada nota tivesse peso, como se cada palavra carregasse uma história inteira dentro dela. Aquilo não era só execução, era presença.


Waters nunca escondeu o impacto desse momento.


“Quando ouvi Ray Charles cantando ‘Georgia On My Mind’ pela primeira vez, pensei: ‘se um dia eu escrever algo que faça alguém sentir o que estou sentindo agora, já vai ter valido a pena’. Não estou me comparando ao Hoagy Carmichael, mas gosto de pensar que, em algum momento, consegui provocar isso em alguém.”


Essa percepção muda tudo. Porque, a partir daí, não se trata mais de escrever a melhor música possível, mas de entender o que aquela música precisa para existir plenamente. E, às vezes, isso significa reconhecer que outra voz pode levá-la mais longe.



Ao longo da carreira, Waters passou a explorar isso. A ideia de que a composição não termina quando a música é escrita. Ela continua em quem canta, em quem interpreta, em quem dá corpo àquilo.


E talvez seja aí que mora o verdadeiro crescimento. Porque, no fim, uma grande canção não é só aquilo que você escreve, é aquilo que alguém consegue sentir.





O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • Tópicos

Categorias + Comentadas

Institucional

Teoria Cultural

INSCREVA SEU EMAIL PARA RECEBER

ATUALIZAÇÕES, POSTS E NOVIDADES

© 2026 Todos os direitos reservados a Teoria Cultural |  PRODUZIDO CRIADO E DESENVOLVIDO, com EXPRESSÃO SITES

Expressão Sites
bottom of page