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Minissérie Profundezas não domina por completo o conjunto de temáticas e gêneros que aborda

há 3 horas
3 min de leitura

Com uma atmosfera sombria e um mistério intrigante, a minissérie começa bem, mas perde força ao tentar explorar temas demais

Minissérie Profundezas
Imagem: Reprodução


Calvin Penney (Josh Hartnett), ainda criança, se vê diante de um fato trágico: ele presencia seu pai e sua casa rebocada por um barco afundarem no mar. Responsável por cortar a corda, ele evita que a tragédia atinja uma proporção maior quando consegue salvar os tripulantes da embarcação em que estavam. Mesmo que tenha visto algo estranho na água, a culpa do evento acabou recaindo para o pai do garoto.





É com esse cenário desolador e melancólico que Profundezas (Below, 2026) começa criando uma promessa que, além da atmosfera aquática enevoada da região, o trauma e o passado serão bem decisivos para a minissérie presente no catálogo da Netflix.

 

Infelizmente, conforme avança em seus 6 episódios e ao tentar abraçar diversas temáticas que vão desde a exploração comercial até questões ambientais, digamos que a minissérie criada por Jesse McKeown se perde e não se desenvolve tão bem apesar de seu início intrigante.

 

Morando em Snook's Arm, um remoto vilarejo, Calvin seguiu adiante com sua vida, tentando superar esse trauma da infância. Ele tenta viver com sua irmã Ruth (Willow Kean) e seus filhos Mary (Ruby Stokes), Wade (Charlie Heaton) e Jay (Rohan Campbell), apesar de nem tudo ocorrer de forma harmoniosa, entre diversos conflitos e desentendimentos.

 

A comunidade da região passa por momentos complicados. Jim Crocker (Frank Moore), um empresário ganancioso, pretende adquirir as terras do lugar. A pesca não oferece mais rendimentos. A coleta de fragmentos de iceberg passou a ser uma das poucas fontes de renda do lugar. Pior quando Calvin descobre que há algo estranho contaminando as águas da região e para isso ele recorre da ajuda da cientista marinha Dr. Fonda Howander (Mackenzie Davis).

 

Com dois episódios iniciais bem estruturados, uma paisagem sombria e bucólica realçada pela geografia costeira canadense, a minissérie tinha tudo para empolgar até seu último episódio. Entretanto, muitos elementos e subtramas surgindo de forma descoordenada atrapalham a regularidade da história.

 




O monstro marinho está ali, faz suas vítimas, consegue criar pânico em algumas cenas, sobretudo para Calvin que acredita na existência dele, mas a criatura é apenas um instrumento dentro de uma narrativa que deseja abordar coisas demais e trazer outros problemas da região que até o final acabam sem o devido desenvolvimento.

 

Da mesma forma, alguns personagens são desnecessários. A família de Calvin, a princípio, não consegue trazer um lado dramático que seria importante para construir ainda mais a personalidade de Calvin. Wade, por exemplo, começa a ter mais desenvolvimento perto da história terminar.

 

Minissérie Profundezas
Créditos: Divulgação


Jay como tipo de filho problemático que não diz toda a verdade a seu pai, no final nem pesa tanto, sobretudo pelo evento que o transforma até numa espécie de herói. Jan Hicks (Natasha Henstridge) também se torna uma personagem apagada e nem tem forte influência na narrativa e nos outros personagens.

 

Até mesmo quando uma equipe de cientistas chega a fim de estudar o monstro, a história não desenvolve tanto. E é a partir desse momento que notamos que a direção começa a usar de alguns eventos absurdos (e até contra a Física, eu diria) para revelar então outro mistério que antes nos era oculto. Interessante saber que a região esconde muitos mais do que imaginávamos, mas tudo acontece sem clímax por conta de um roteiro forçado e apressado que domina metade da minissérie.



 



E ainda tem outro problema chegando à comunidade lá no penúltimo episódio, apesar de ser um evento que é construído para completar duração de episódio do quê para criar mais tensão e dramaticidade aos moradores. Muita informação passa a chegar nos dois últimos episódios, sendo que tudo não é de fácil absorção para o espectador.

 

Ao tratar de um homem querendo continuar em sua terra natal, de querer deixar o passado e se aproximais mais de sua família, muitas vezes Profundezas me fez lembrar aquela típica produção de uma saudosa Sessão da Tarde num dia chuvoso.

 

Os dois primeiros episódios podem até trazer aquela atmosfera assustadora comum de filmes como Moby Dick (1956) e Tubarão (1975), mas é preciso que o espectador saiba que a minissérie passa por constantes mudanças e diversos temas como mitologia marinha, exploração territorial, traumas familiares e mudanças climáticas. Embora a mistura não seja tão bem executada, ainda é uma produção que pode ser vista num final de semana junto com a família, sem muita exigência.

 Trailer:


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