Hope – O Primeiro Impacto tem ação vertiginosa, mas funciona melhor em sua primeira metade
O suspense inicial impressiona, mas a ação excessiva e os efeitos visuais comprometem o potencial da ficção científica sul-coreana

Em qualquer filme de ficção científica onde o alienígena é tratado como hostil, certamente uma das maiores curiosidades será a respeito das características desse invasor. Atributos como força física, resistência e inteligência sempre pesam, sobretudo quando a proposta do filme é colocar a fragilidade humana perante algo desconhecido e muito mais superior.
Então, mesmo entre ideias um tanto quanto cansadas e estagnadas, quanto mais o diretor não apresentar logo a ameaça alienígena, mais ele segura seu filme até o encontro fatal entre homem e criatura. Em algumas ocasiões, a trama é composta de uma reviravolta que chega nos instantes finais contrariando muito do que julgávamos ter visto ali (como aconteceu no fraco A Astronauta de 2025).
Hope – O Primeiro Impacto (2026) consegue essa façanha de forma primorosa. Entretanto, ao mesmo tempo que essa proeza acontece, é depois disso que o filme desaba em cenas arrastadas. Temos uma segunda metade onde tiros e correrias embalam uma Ação desenfreada, embora não consigam remediar a regularidade da produção. O filme tem roteiro e direção de Na Hong-jin, que também foi o responsável pelo roteiro de O Lamento (2016).
Um grupo de homens encontra um touro destroçado. Achando se tratar de um tigre, descobrem que estão diante de algo muito maior e mais mortal quando se deparam com mais mortes e destruição ao redor. O filme então apresentará dois cenários que se dividem entre os arredores da cidade e a região de uma floresta.
É na parte da cidade, quando a ameaça ainda não é conhecida, que o filme abusa do caos e do cinema que preza pelo caótico. O chefe de polícia local, Bum-seok (Hwang Jung-min) terá pela sua frente um cenário de destruição, mortes, tiros e perseguições num apelo visual que até nos lembra um jogo de videogame frenético.
A parte da floresta, por sua vez, que tinha como prioridade explicar mais sobre os acontecimentos e de funcionar mais como um suspense de nos segurar na cadeira, se salva em poucos momentos e não funciona bem quando o espectador já fica ciente da ameaça ao redor.

A narrativa não coloca uma profundidade maior em seus personagens, sendo que a maioria deles não passa carisma ao espectador. A ameaça chega por meio de uma CGI pobre. Pouco para um filme classificado como o mais caro feito até hoje dentro do cinema coreano e que precisa de muitos efeitos para a maioria das cenas. Da mesma forma, muitas cenas de ação soam robóticas e repetitivas, algumas delas fáceis de prever o que vai acontecer.
O humor que geralmente ganha seu espaço nos filmes coreanos, aqui também não agrada bastante. Cenas como a estranha autópsia feita até com motosserra e o relato (escatológico) de um senhor que se vê diante do perigo justamente quando estava com diarreia podem até render alguns risos, embora só estejam ali contribuindo para o filme ser mais arrastado (quando não precisava).
O filme faz uma metamorfose de gêneros até chegar a um final que abre ganchos para uma sequência (e que também não entrega todas as respostas sobre os alienígenas). Percebemos claramente como alguns diretores são influentes para Na Hong-jin, entre os quais podemos citar Guillermo Del Toro, James Cameron e o compatriota Bong Joon Ho (eu mesmo em alguns momentos me lembrei do clássico O Hospedeiro de 2006).
Hope – O Primeiro Impacto é o tipo de filme blockbuster com o toque peculiar e irreverente do cinema coreano, mesmo que aqui a perfeição não seja duradoura, do início ao fim. Para ser melhor apreciado, a dica é ver sem saber o que será desvendado em tela, e se possível nem veja o trailer (que mesmo assim deixamos aqui no final do texto).
Trailer:
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