'Metal lords', a versão Metal de 'Escola de Rock', que funciona muito bem



Metal Lords da Netflix é aquele filme ambientado por uma comédia Teen nostálgica e contagiante que apesar dos clichês embutidos na trama consegue fazer um bom uso deles e garantir a diversão com ótimas referências ao gênero do Metal. Quem vivenciou na adolescência tal paixão pelo Heavy Metal vai embarcar em uma verdadeira ode enternecedora de bons tempos onde as paredes dos quartos eram cobertas por pôsteres de bandas, jeans rasgados e jaquetas de coro. Para muitos isso permanece até hoje, aquele sentimento ávido e eterno no coração de uma legião fiel aos seus ídolos do rock pesado.


Entretanto, é nesse sentindo que ‘Metal Lords’ cativa com sua visão bem-humorada e cativante sobre a adolescência e o poder da música em nossas vidas. Aquele sentimento enérgico que filmes como ‘Escola de Rock’ (2003) e Detroit Rock City (1999) enalteceram e abordaram em outros tempos. Mas, a ideia aqui, vem em forma de homenagem a um estilo musical que teve seu auge e popularidade global entre os anos 80 e 2000, uma carta aberta de amor a todos os jovens amantes e fãs de Metal.


O diretor Peter Sollett ao lado do roteirista D.B. Weiss um dos criadores de Games Of Thrones embasam sua trama em uma amizade entre os amigos Kevin (Jaeden Martell) e Hunter (Adrian Greensmith) jovens introvertidos e ridicularizados na escola que compartilham de um sonho de montar uma superbanda de Metal e vencer a Batalha das Bandas da escola e se tornarem famosos. Para isso eles irão contar com a ajuda de Emily (Isis Hainsworth) uma violoncelista fora de série.


Apesar da história seguir uma narrativa previsível sem grandes aprofundamentos sobre as expectativas da sociedade, ao longo do caminho esses jovens irão conseguir unir suas vidas, aprender a amar um nicho e desafiar a si mesmos e se apaixonar.

O filme esboça o seu melhor, mas não vai além dos seus limites. Muitas passagens podem parecer longas demais para encontrar uma solução que chega tarde demais, mas não é por isso que perde seu efeito contagiante. As atuações garantem o divertimento. O estreante Adrian, explora seu personagem Hunter de uma maneira convincente ao defender com unhas e dentes seu amor pelo Metal, Jaeden de ‘It: A Coisa’ segura legal a onda do jovem virgem e nerd da escola e Isis de ‘Emma’ é meiga e fofa. Difícil não reparar na semelhança dela com a Regine Chassagne do Arcade Fire. E se me permitem a divagação, o corte de cabelo de Hunter também lembra muito o corte que Win Butler usava até uns tempos atrás. Mas isso é apenas uma divagação de quem vos escreve.


A trilha sonora é abundante e sensacional. Embala o filme do começo ao fim indo de Imagine Dragons com o hit “Believer” a Black Sabbath e sua nervosa “War Pigs”. Em um filme como esse, onde o Metal é plano de fundo, já era de se esperar uma trilha sonora a altura. E quem assina pela curadoria musical e produção executiva é Tom Morello do Rage Against The Machine. Entre outras músicas que aparecem durante o filme estão “Metal Gods” do Judas Priest, “The Trooper” do Iron Maiden, “Dee” do Ozzy Osbourne, "Cowboys From Hell” do Pantera, “Since I Don’t Have You” do Guns N’ Roses, entre outras mais.


Metal Lords pode muito bem ser uma história sincera e divertida sobre as adversidades de ser um estranho e a alegria de se encontrar nesse meio. Fazer música pode ser uma tarefa árdua e de muita dedicação, mas também é encontrar seu lugar ao sol com pessoas certas e pelas razões certas.

 

Metal Lords

Netflix


Ano: 2022

Diretor: Peter Sollett

Roteiro: Greg Shapiro, D.B. Weiss

Produção executiva: Tom Morello

Lançamento: Netflix (8 de abril)

Gênero: Comédia, Música e Drama

Elenco: Jaeden Martell, Isis Hainsworth, Adrian Greensmiith, Brett Gelman e outros

Duração: 1h 38 min


 

NOTA DO CRÍTICO: 7,5

 

Confira o trailer do filme abaixo:


 

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