Massive Attack apoia Macklemore e critica “neutralidade” de Ed Sheeran após saída de turnê
Grupo britânico se solidarizou com artistas que defendem os palestinos; Sheeran afirma que não decidiu retirar o rapper da Loop Tour

O Massive Attack se manifestou em apoio a Macklemore após a retirada do rapper da etapa norte-americana da Loop Tour, de Ed Sheeran. Em uma publicação nas redes sociais, o grupo britânico criticou o que classificou como “neutralidade” diante da guerra em Gaza e defendeu artistas que se posicionam publicamente em favor dos palestinos.
Macklemore deixou a programação depois de manifestações realizadas durante apresentações de abertura para Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jersey. No palco, o rapper pediu uma “Palestina livre” e defendeu que todas as pessoas fossem tratadas com “dignidade, respeito e igualdade”.
Após os shows, grupos como o Israeli-American Council pediram sua retirada da turnê. A Messina Touring Group, responsável pela promoção da etapa norte-americana, afirmou posteriormente que locais que receberiam as apresentações seguintes comunicaram que não permitiriam a realização dos shows com Macklemore no elenco.
Ed Sheeran afirmou que a decisão de retirar o rapper não partiu dele e disse ter participado de conversas na tentativa de encontrar uma solução para manter as apresentações.
Massive Attack critica silêncio de artistas
Ao comentar o caso, o Massive Attack afirmou que questões humanitárias não deveriam ser colocadas abaixo dos interesses da indústria do entretenimento.
“O entretenimento jamais poderá ser mais importante do que resistir ao apartheid e ao genocídio de outros seres humanos.”
O grupo também criticou diretamente a ideia de permanecer neutro diante da situação em Gaza e afirmou que artistas não deveriam aceitar a censura de outros músicos, independentemente dos interesses financeiros envolvidos.
Na mesma manifestação, o Massive Attack declarou solidariedade aos artistas que colocam suas carreiras em risco ao defender os direitos dos palestinos e ao denunciar as ações do Estado de Israel. As expressões utilizadas pelo grupo, incluindo “apartheid”, “crimes de guerra” e “genocídio”, fazem parte da declaração publicada pela banda.
A posição surge depois de outros músicos anunciarem a saída da Loop Tour. Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga desistiram de apresentações que fariam com Sheeran e declararam solidariedade a Macklemore.
Sheeran diz que decisão não foi dele
Em sua manifestação sobre o episódio, Ed Sheeran afirmou estar “consternado” com o conflito entre Israel e Palestina e classificou o sofrimento provocado dos dois lados como uma tragédia humana. O cantor também declarou que prefere não transformar seus shows em espaços para posicionamentos políticos.
Segundo Sheeran, Macklemore mantinha contrato com a promotora da turnê, e a decisão de retirá-lo da programação foi tomada após locais responsáveis pelas próximas apresentações se recusarem a recebê-lo. O músico afirmou ainda ter participado diretamente de conversas com Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e do Gillette Stadium, e com promotores na tentativa de encontrar uma solução.
O Massive Attack mantém há décadas uma atuação pública em apoio aos palestinos e boicota apresentações em Israel desde 1999. Agora, o grupo se soma aos artistas que transformaram a retirada de Macklemore da turnê de Sheeran em uma discussão mais ampla sobre posicionamento político e liberdade de expressão dentro da indústria musical.
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