Massive Attack se pronuncia após banimento em Singapura e relata interrogatórios policiais
- Marcello Almeida

- 2 de ago.
- 2 min de leitura
Banda afirma que integrantes foram separados para interrogatórios após show e defende manifestação de apoio à Palestina feita durante apresentação

O Massive Attack se pronunciou pela primeira vez após ser proibido de retornar a Singapura em razão da exibição de uma bandeira palestina durante um show realizado no dia 29 de julho, no Star Theatre. Em um longo comunicado publicado nas redes sociais, o grupo britânico afirmou que seus integrantes foram detidos pela polícia após a apresentação, interrogados separadamente e submetidos a medidas que classificou como preocupantes.
Segundo a banda, toda a equipe foi surpreendida pela abordagem das autoridades logo após o fim do espetáculo.
"Após nossa apresentação no Star Theatre, em Singapura, no dia 29 de julho, ficamos surpresos e decepcionados com o fato de toda a nossa banda ter sido detida pela polícia, isolada e interrogada separadamente."
O Massive Attack também afirmou que alguns integrantes tiveram quartos de hotel revistados e passaportes retidos temporariamente durante a investigação.
O caso teve início dois dias após o show, quando as autoridades de Singapura anunciaram uma investigação por uma possível violação das condições da licença do evento. O país possui regras rigorosas sobre manifestações públicas e proíbe a exibição de bandeiras, emblemas nacionais ou estandartes sem autorização prévia. Como resultado da apuração, a banda foi proibida de voltar a se apresentar ou entrar no país.
No comunicado, o grupo relembrou que parte do público passou a gritar espontaneamente "Palestina Livre" durante a apresentação.
"Antes de subirmos ao palco e novamente no final do show, grandes setores do auditório entoaram espontaneamente cânticos de 'Palestina Livre', presumivelmente cientes, mas sem se deixarem intimidar, de que essa expressão espontânea por si só poderia violar as leis de censura do governo."
Os músicos afirmaram ainda que não imaginavam que exibir a bandeira palestina pudesse ser interpretado como uma infração às leis locais.
"Por nossa parte, não imaginávamos que simplesmente hastear a bandeira de um Estado soberano reconhecido por 157 países violaria alguma lei."
Apesar das consequências, a banda declarou manter sua posição e afirmou sentir orgulho da manifestação realizada durante o show, classificando a experiência como um lembrete da importância da defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão.
O texto também faz referência ao Reino Unido, onde, segundo o Massive Attack, manifestantes pacíficos têm enfrentado restrições em protestos relacionados ao conflito no Oriente Médio. O grupo lembrou ainda que, em abril, o integrante Robert Del Naja esteve entre os manifestantes detidos em Londres durante um ato de apoio ao movimento Palestine Action.
Ao encerrar a nota, a banda agradeceu ao público de Singapura pela recepção, pediu que o governo do país adote padrões internacionais de proteção aos direitos civis e concluiu a mensagem retomando o slogan entoado durante a apresentação:
"Como estávamos dizendo... Palestina Livre."
A publicação rapidamente repercutiu nas redes sociais e recebeu mensagens de apoio de fãs e artistas.
Entre elas, a banda Garbage comentou: "Obrigado por tudo o que vocês fazem. Solidariedade."
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