Maldição da Múmia é visceral e repugnante, mas cai na regularidade quando deixa suas ideias desconectadas
- Eduardo Salvalaio

- há 17 horas
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Maldição da Múmia é visceral, repugnante e explora muito sua parte gráfica feita para chocar

O Cinema de Terror não deixa que suas notórias figuras fictícias fiquem no esquecimento. Produções com zumbis, lobisomens e vampiros sempre tiveram espaço na tela, nunca saíram de moda e frequentemente são lançadas (mesmo que por vezes o filme exagere ou reinvente as características dessas criaturas). Exemplo recente é a história de Frankenstein, eternizada pela escrita de Mary Shelley, que ganhou um belo filme em 2025 nas mãos de Guillermo Del Toro.
Quando se trata de múmias, certamente o primeiro filme que chega a mente de muitos cinéfilos é A Múmia (1999), produção estrelada por Brendan Fraser que, convenhamos, trouxe uma mistura inusitada de aventura e comédia. O diretor irlandês Lee Cronin (A Morte do Demônio: Ascensão, 2023) resolveu trazer sua visão peculiar ao conhecido monstro ao escrever e dirigir Maldição da Múmia (The Mummy, 2026).
Charlie (Jack Reynor) e sua esposa Larissa (Laia Costa) vivem tranquilamente no Egito, até um fatídico dia em que sua filha Katie (Emily Mitchell) é sequestrada por uma misteriosa mulher. Mulher essa que aparece logo numa aterrorizante cena inicial que envolve um sarcófago no subterrâneo de uma casa e que termina com uma morte bem sangrenta.
Oito anos depois, Charlie e Larissa recebem a notícia de que sua filha foi encontrada. Realmente ver a situação de Katie após o tempo de desaparecimento passa desconforto em nós. Sua transformação causa um choque imediato. Difícil o espectador não sentir a comoção necessária pela situação da garota. Mesmo perplexo, o casal leva sua filha para ser cuidada em casa.
Esse momento do filme traz consigo uma carga mais dramática e sentimentalista. A família tentando de tudo para incorporar Katie ao lar. Cuidar do corpo fragilizado e envelhecido da garota muitas vezes recai para algo ligado ao Body Horror (subgênero também abordado). O simples ato de cortar as unhas acaba sendo algo brutal e inesperado.
O terror e o gore pesam mais na meia hora final do filme (contando que ele tem mais de duas horas). Infelizmente, algumas cenas são mal finalizadas com cortes inesperados, exemplo é a cena do velório que poderia ter ganhado um retoque melhor, mais aterrorizante e menos cômico.

O filme se divide entre os acontecimentos na casa e a investigação da Detetive Dalia Zaki (May Calamawy) que está determinada a encontrar quem deixou Katie nesse estado. Acontece que mesmo essa personagem torna-se apagada (mesmo que no final sua participação fique melhor) e as cenas com ela se aprofundando pelos locais onde Katie passou não entregam muita intensidade ao filme (acabam apenas alongando a história demais).
No interior da casa é que a narrativa funciona melhor, embora com muitos clichês. Constantes quedas de energia, ruídos, o próprio olhar aterrorizante de Katie deitada em sua cama, a insegurança da filha caçula Maud (Billie Roy) em entrar no banheiro da casa, sujeira pelo assoalho e alguns jumpscares típicos do gênero.
Contudo, o filme ainda vai lançar sua real intenção: trazer o tema da possessão. E funciona? Até que sim, assusta e traz mais sangue e ritmo, porém digamos que a batalha derradeira e brutal que está por chegar não faz jus ao tempo que o diretor usou para preparar toda uma atmosfera para esse momento crucial.
Maldição da Múmia é visceral, repugnante e explora muito sua parte gráfica feita para chocar. A cena do vídeo encontrado e mostrado aos pais de Katie, sejamos sinceros, corta o coração do espectador e também nos leva ao mesmo desespero da família.
Problema aqui é que as ideias não são bem conectadas e a mitologia da múmia que conhecemos bem acaba perdendo seu espaço e sendo pano de fundo para outro filão, a possessão. E a personagem Maud certamente conquistará um lugar em nossos corações, junto com a boa atuação de Natalie Grace (que interpreta a Katie depois de encontrada).
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