Lição de Casa: um filme brasileiro emocionante sobre dislexia e inclusão social
- Alexandre Tiago
- há 20 horas
- 3 min de leitura
“Lição de Casa” é mais do que um filme sobre inclusão: é uma obra sobre humanidade

O cinema brasileiro segue provando sua força criativa ao apresentar histórias capazes de unir sensibilidade, crítica social e emoção genuína. Entre produções independentes que merecem mais atenção do público, “Lição de Casa” surge como um dos projetos mais humanos e necessários dos últimos anos. Produzido pela Catrina Filmes, o longa transforma temas complexos em uma narrativa acessível, comovente e profundamente acolhedora.
A trama acompanha a amizade entre um menino com dislexia e uma menina cega, explorando as dificuldades de adaptação no ambiente escolar, os desafios emocionais enfrentados pelas crianças e os impactos sociais provocados pela pandemia da Covid-19 em comunidades carentes do Rio Grande do Sul. Mais do que apenas contar uma história sobre inclusão, o filme constrói um olhar empático sobre pessoas frequentemente invisíveis dentro da sociedade.
Um dos aspectos mais importantes de “Lição de Casa” está justamente em sua representatividade. O longa se destaca por ser a primeira produção cinematográfica brasileira, e também latino-americana, a abordar diretamente a dislexia como tema central. E essa escolha ganha ainda mais força pelo fato de o projeto contar com pessoas divergentes e com deficiência tanto no elenco quanto na produção, incluindo participantes com autismo, deficiência auditiva, TDAH e dislexia.
A direção e o roteiro de Juli Torquato, em parceria com Joice Oliver, demonstram enorme cuidado ao desenvolver uma narrativa que consegue equilibrar informação, emoção e naturalidade. Ao lado dos produtores Marcos Pacheco, Nicanor Santos e Rachel Campos, a equipe constrói um filme sensível sem cair em exageros melodramáticos. O resultado é uma obra dinâmica, envolvente e emocionalmente honesta.
Mesmo sendo uma produção independente, “Lição de Casa” impressiona pela qualidade técnica e pelo cuidado artístico. A fotografia acolhedora, a construção das cenas e o desenvolvimento narrativo revelam um trabalho extremamente dedicado, capaz de emocionar em diversos momentos sem perder sua leveza. Há cenas que tocam profundamente justamente pela simplicidade com que tratam amizade, afeto e superação.
Outro grande destaque do filme está nas atuações de Mayara Netto e Luckas Santos. A dupla entrega interpretações naturais, espontâneas e carregadas de sinceridade emocional. Existe uma química muito forte entre os protagonistas, algo que torna a amizade dos personagens ainda mais convincente e afetiva ao longo da narrativa. É o tipo de atuação que aproxima o espectador da história de maneira imediata.
“Lição de Casa” também merece reconhecimento por abordar inclusão de forma verdadeira e humana. Em vez de transformar seus personagens em símbolos artificiais, o longa permite que eles existam como crianças reais, com medos, sonhos, inseguranças e desejos simples. Isso torna o filme ainda mais poderoso emocionalmente.
Em tempos marcados por intolerância, preconceito e dificuldade de diálogo, a obra reforça a importância da empatia, do acolhimento e da compreensão das diferenças. E faz isso sem discursos excessivamente didáticos, deixando que a própria experiência dos personagens conduza o impacto emocional da narrativa.
Atualmente, a equipe do filme busca parceiros para ampliar sua distribuição em plataformas de streaming como Netflix, Globoplay, Prime Video e HBO Max. E sinceramente, “Lição de Casa” merece alcançar públicos ainda maiores. Não apenas pela relevância dos temas abordados, mas porque representa o potencial do cinema brasileiro independente em criar obras emocionantes, necessárias e artisticamente fortes.
No fim, “Lição de Casa” é mais do que um filme sobre inclusão: é uma obra sobre humanidade. Um longa que emociona, conscientiza e mostra como o cinema ainda pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e emocional.

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