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Julia Branco elenca como a vida pode melhorar com a chegada da maternidade; no afável baby blue

Com uma abordagem minimalista, arranjos cativantes e sedutores, o álbum é embasado pelo sentimento da maternidade e vivências da cantora no decorrer dos anos.

Foto: Rafael Sandino/Divulgação


Julia Branco tem se destacado como um dos grandes nomes do pop contemporâneo. Após sua estreia no cenário musical com a banda 'Todos os Caetanos do Mundo', deu início a sua carreira solo em 2018 com o disco 'Soltar os Cavalos'. A artista recebeu elogios de Arnaldo Antunes e foi definida por André Midani como uma das vozes mais doces e sedutoras de sua geração. O novo trabalho, intitulado 'baby blue', lançado pelo selo Dobra Disco, viu o mundo pela primeira vez em 4 de agosto de 2023.


Com uma abordagem minimalista, arranjos cativantes e sedutores, o álbum é embasado pelo sentimento da maternidade e vivências da cantora no decorrer dos anos até a chegada de sua filha Cora. Com isso, a vida ganhou uma novo colorido e sentido, e esse sentimento é estampado logo na introdução de 'baby blue', com as gargalhadas de Cora abrindo o trabalho apresentando ao ouvinte as temáticas tratadas no decorrer de 10 faixas e pouco menos de 30 minutos.



A faixa-título ("baby blue") ancora ótimas melodias com vocais meigos e sedutores. As notas de piano se fundem em uma atmosfera climática envolvente. Julia segue amparada pela certeira e precisa produção de Ana Frango Elétrico. "Fique Comigo" deixa claro os sentimentos da maternidade em uma canção repleta de nuances. Em certos momentos, possui ritmos que lembram os balanços do eterno Tim Maia, com uma certa semelhança com o ótimo 'Little Electric Chicken Heart' de Ana Frango.


É fácil pontuar todas as influências que permeiam pelo trabalho, que vão desde Marina Lima, a já mencionada Ana Frango, Pato Fu, Letrux e Sara Não Tem Nome. Branco consegue captar todas essas conexões e transformá-las em belas canções autênticas, sinceras e honestas sobre a vida e como ela é. Em "Silêncio", ela nos proporciona uma viagem reflexiva sobre todas aquelas coisas que a gente pensa e fala em silêncio: os medos, as inseguranças e aquela velha e conhecida frase, "e se?" Uma canção pop que embasa um ritmo dançante, como se buscasse inspiração no Synth Pop. “Nem tudo que eu sinto tem palavra", canta ela serenamente.



O disco segue os cuidados e a produção caprichada apresentada em 'Soltar os Cavalos', trabalho que foi premiado como melhor disco do ano de 2018 pelo BDMG. Pode ser que a história se repita com 'baby blue'. O forte do disco é como Julia da vida para cada canção. A ordem que cada uma chega até o ouvinte cria uma história sobre a vida, maternidade, os desejos, sonhos e inseguranças, sentimentos que sentimos a todo instante nesse mundo louco e cada vez mais acelerado e modernista. Mas a graça e a paz pode ser alcançada pela benção der ser mãe ou pai. São canções sobre essa magia, medo, inseguranças, amor e como passamos a enxergar a vida com outros olhos depois da maternidade e paternidade. O amor e as relações amorosas também se infiltram no meio desse emaranhado carro de montanha-russa carregado de sentimentos filtros da vida que levamos.


Sentimentos muito bem configurados na bonita e singela "Quase Te Esqueci", uma faixa poética que emula docemente uma canção do Pato Fu. "Lost In The Paradise" é uma releitura formidável da canção de Caetano Veloso, lançada originalmente pelo poeta das palavras no disco homônimo de 1969. A composição exibe o mesmo nível de requinte evidente durante toda a apresentação. Contudo, parece mais uma breve curva do que uma parte essencial do conjunto.


"Fora da Curva" apresenta ótimas guitarras que conversam abertamente com os vocais de Branco. A canção é sobre não se sentir parte das bolhas e conformismos da sociedade. É um misto de conflitos internos que abrem a porta para que a compositora possa dialogar francamente com o ouvinte.



'Baby Blue' trata de assuntos sérios, sentimentos às vezes áridos, e contextualiza a loucura de se viver no Brasil e as angústias vivenciadas na pandemia. A faixa que encerra o disco, "Ponto de Virada/Carta para o Futuro", é um bálsamo sobre a maternidade. É um diálogo íntimo da cantora com sua filha que pode se abrir para o coletivo. É um dos momentos mais bonitos do álbum e encerra a contextualização lançada na introdução do trabalho. Representa um ambiente caracterizado pela reflexão, inspiração e sensação de acolhimento. São momentos nos quais somos convidados a nos imergir em um território criativo profundamente pessoal da artista de Minas Gerais, tão nosso quanto dela.

 


baby blue

Julia Branco


Lançamento: 4 de agosto de 2023

Gênero: Pop Rock

Ouça: "Ponto de Virada/Carta para o Futuro", "Silêncio" "Quase Te Esqueci"

Humor: Agridoce, Suave, Afetuoso

Pra quem curte: Pato Fu, Ana Frango Elétrico


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Veja o clipe de "Silêncio"


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