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Jonny Greenwood compara cancelamento de shows à retirada de livros das prateleiras

Guitarrista do Radiohead voltou a comentar a suspensão de apresentações com Dudu Tassa após pressões e protestos ligados ao movimento BDS

Jonny Greenwood
Crédito: Raph_PH


Jonny Greenwood voltou a se manifestar sobre o cancelamento de uma série de shows que realizaria ao lado do músico israelense Dudu Tassa no Reino Unido. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o guitarrista do Radiohead comparou a interrupção das apresentações à censura de obras literárias, afirmando que impedir a circulação da música é equivalente a retirar livros das prateleiras.





A controvérsia começou em 2025, quando apresentações da dupla foram canceladas após relatos de ameaças e protestos considerados críveis por parte de apoiadores do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções). Na ocasião, a organização incentivou o público a observar o envolvimento mais amplo de Greenwood com Israel e criticou tanto o guitarrista quanto Dudu Tassa por suas apresentações no país.


Em uma declaração divulgada à época, o movimento afirmou:


“Jonny Greenwood se apresentou na Tel Aviv do apartheid junto com Dudu Tassa em maio de 2024, em uma noite em que forças israelenses genocidas massacraram palestinos deslocados em suas tendas em Rafah, queimando-os vivos, a poucos minutos de carro de distância.”


O texto também dizia:


“A dupla repetiu a apresentação lá em março de 2025. Dudu Tassa tem entretido repetidamente as forças genocidas israelenses entre esses massacres de palestinos em Gaza, atuando de bom grado como embaixador cultural do apartheid israelense.”


Após o cancelamento das apresentações, Greenwood e Tassa divulgaram uma resposta conjunta condenando a decisão dos locais que desistiram dos shows. Na ocasião, os músicos declararam:


“Intimidar locais para que cancelem nossos shows não ajudará a alcançar a paz e a justiça que todos no Oriente Médio merecem.”




Durante a entrevista ao El País, Greenwood foi questionado sobre comparações entre o boicote cultural ao regime do apartheid na África do Sul e os atuais movimentos que defendem o isolamento de artistas ligados a Israel. Ao responder, o músico destacou sua relação com a produção cultural israelense e o caráter artístico do projeto desenvolvido ao lado de Tassa.


“Sou fã de muitos filmes, escritores e músicos israelenses, e a música que faço com Dudu está resgatando canções mais antigas do que a maioria dos países que estão atualmente em guerra uns com os outros”, afirmou.


Em seguida, acrescentou:


“Isso sempre será mais importante para mim. Há livrarias em Madri que vendem abertamente os romances de Amos Oz, e ele é israelense. Para mim, cancelar a música é o mesmo que tirar livros das prateleiras.”



Desde o cancelamento das datas no Reino Unido, Greenwood e Tassa não anunciaram novas apresentações conjuntas. Enquanto isso, o guitarrista segue dividido entre projetos de trilhas sonoras para o cinema e os compromissos recentes com o Radiohead, que também se tornaram alvo de campanhas de boicote.


Em uma dessas ações, o movimento BDS declarou: “Boicote às turnês do Radiohead! A cumplicidade deve ter consequências.”


O episódio mantém o debate sobre arte, política e boicotes culturais no centro das discussões que cercam artistas internacionais e suas relações com o conflito no Oriente Médio.

O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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