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Faith No More explica por que decidiu voltar aos palcos em 2027

Segundo Bill Gould, o retorno da banda tem relação direta com a intensidade física de suas músicas e com a consciência de que o tempo passa para todos

Bill Gould, do Faith No More
Imagem: Reprodução


Durante anos, a possibilidade de uma reunião do Faith No More parecia cada vez mais distante. Entre cancelamentos, problemas de saúde e declarações que sugeriam um encerramento definitivo, muitos fãs acreditavam que a banda jamais voltaria aos palcos.





Mas agora o retorno está oficialmente em movimento e, segundo o baixista Bill Gould, existe uma razão bastante particular por trás dessa decisão.


Em entrevista ao podcast Rock Talk, o músico revelou que a banda decidiu agir antes que o tempo tornasse impossível reproduzir suas músicas da maneira como elas foram concebidas décadas atrás.


"Nossa música é muito física, e uma grande preocupação é que, em breve, talvez não consigamos mais tocá-la da forma como a compusemos", afirmou Gould.


A fala ajuda a compreender o que sempre diferenciou o Faith No More de muitos de seus contemporâneos. Desde os anos 80, a banda construiu sua identidade sobre uma combinação explosiva de metal, funk, punk, hardcore e experimentalismo, criando canções que exigem não apenas técnica, mas uma enorme entrega física de seus integrantes. Para Gould, essa intensidade nunca foi um detalhe secundário.


"Nós escrevemos essas músicas quando tínhamos pouco mais de 20 anos. Elas nasceram dessa energia e sempre foram extremamente físicas. Tem que ser assim. Eu simplesmente não consigo tocá-las de outra maneira."





Existe um tom de urgência que raramente aparece em anúncios de retorno de bandas veteranas. Em vez de apostar apenas na nostalgia ou em celebrações de catálogo, o Faith No More parece enxergar essa nova turnê como uma oportunidade de revisitar seu repertório enquanto ainda consegue reproduzi-lo com a mesma força que o tornou tão impactante.


A volta acontece após quase uma década de silêncio nos palcos. A última sequência de apresentações da banda ocorreu em 2016. Desde então, os planos de retorno foram interrompidos por uma série de acontecimentos, incluindo o cancelamento de shows em 2021 após Mike Patton enfrentar problemas de saúde mental agravados pelo período da pandemia.


Na época, o vocalista explicou que não se sentia capaz de entregar ao público o nível de performance que considerava adequado. A decisão recebeu apoio imediato dos demais integrantes, mas também alimentou dúvidas sobre o futuro do grupo. Agora, os sinais apontam para uma nova fase.


Recentemente, o Faith No More anunciou uma parceria estratégica com a produtora brasileira 30e, que ficará responsável pelo planejamento e pela operação global das próximas turnês da banda. O acordo prevê a organização de apresentações nos cinco continentes e o desenvolvimento de novos projetos ligados à marca do grupo.


A escolha de uma empresa brasileira para coordenar esse retorno também demonstra o peso que a América Latina, especialmente o Brasil, possui na trajetória do Faith No More. Ao longo dos anos, a banda construiu uma relação particularmente intensa com o público brasileiro, protagonizando alguns dos shows mais memoráveis de sua carreira no país.


Embora as datas ainda não tenham sido divulgadas, a expectativa é que os primeiros anúncios aconteçam em breve, abrindo caminho para uma turnê mundial prevista para 2027.


Para uma banda que ajudou a redefinir os limites do rock alternativo com clássicos como "Epic", "Midlife Crisis", "Evidence" e "Falling To Pieces", o retorno representa mais do que uma simples reunião.





É uma tentativa de preservar algo que sempre esteve no coração do Faith No More: a energia bruta, caótica e visceral que transformou suas músicas em experiências únicas.

E, pelo que Bill Gould deixa claro, eles querem fazer isso enquanto ainda conseguem incendiar o palco da maneira que sempre fizeram.



O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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