Entre batidas e rupturas, Pupillo se reinventa no primeiro disco solo
- alexandre.tiago209

- há 5 dias
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Não é só estreia: é a afirmação de um artista que expande a música brasileira

Romário Menezes de Oliveira Jr., conhecido artisticamente como Pupillo, construiu uma trajetória sólida e respeitada na música brasileira. Como baterista da Nação Zumbi entre 1995 e 2018, ajudou a consolidar o legado do manguebeat. Já como produtor, assinou trabalhos relevantes como "A Gente Mora no Agora" de Paulo Miklos," A Pele do Futuro" de Gal Costa, e "Amor é Isso" de Erasmo Carlos. Além disso, também deixou sua marca em trilhas sonoras de filmes brasileiros importantes como "Amarelo Manga", "Baile Perfumado" e "Baixio das Bestas".
Com esse currículo expressivo, a expectativa por um trabalho solo era alta, e finalmente atendida em 2026 com o álbum “Pupillo”, um disco que não apenas corresponde às expectativas, mas amplia ainda mais o alcance artístico do músico.
Gravado em Los Angeles e lançado pela gravadora Amor in Sound, o álbum apresenta 12 faixas em cerca de 37 minutos, reunindo colaborações de nomes como Céu (que é esposa do Pupillo), Amaro Freitas, Davi Moraes e Pedro Martins. O resultado é uma obra que transita com naturalidade entre o experimental e o acessível, unindo referências globais com forte identidade brasileira.
A abertura “Tropical Exótica”, em parceria com Alberto Continentino, já estabelece o tom do disco: uma atmosfera psicodélica, envolvente e rica em texturas sonoras. É um convite direto para mergulhar em uma experiência musical que valoriza ritmo, ambientação e criatividade.
Em “Bem Bom”, Pupillo constrói uma ponte sonora entre Brasil e França ao lado de Hervé Salters, do grupo francês General Elektriks. A faixa mistura manguebeat com synth pop em um groove moderno e dançante, mostrando a versatilidade do artista em dialogar com diferentes estilos.
Outro destaque é “Fealhá”, com vocais de Céu, que entrega uma atmosfera intimista, sensível e profundamente brasileira. A química entre os dois artistas se reflete em uma faixa elegante, que equilibra emoção e sofisticação.
O álbum também reserva momentos marcantes como “O Sopro de Naná”, uma homenagem ao lendário Naná Vasconcelos, enriquecida pelos vocais da cantora portuguesa Carminho. Já “Forró no Asfalto”, com Agnes Nunes, traz uma energia vibrante que mistura tradição nordestina com estética contemporânea.
Em “Fervendo o Chão com Amaro”, o encontro com Amaro Freitas é um dos pontos altos do disco, unindo jazz e percussão em uma construção sonora intensa e sofisticada. Enquanto isso, Davi Moraes em "Que é isso, bicho?” e Pedro Martins nas faixas “Mica sonic groove” e “De Chegada” contribuem com faixas que ampliam ainda mais o espectro musical do álbum, adicionando elementos eletrônicos e experimentais.
Com uma sonoridade plural, produção refinada e colaborações bem exploradas, “Pupillo” se destaca como um dos melhores discos brasileiros de 2026. O álbum equilibra inovação e identidade, oferecendo uma experiência que agrada tanto ouvintes mais exigentes quanto aqueles que buscam novas descobertas musicais.
Mais do que uma estreia solo, o trabalho reafirma Pupillo como um artista completo — capaz de transitar entre diferentes linguagens, criar conexões culturais e expandir os limites da música brasileira contemporânea. Um disco essencial para quem acompanha a cena atual e valoriza projetos criativos, autênticos e bem executados.











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