Depois de Diana Ross, as The Supremes reinventaram seu som, e criaram um clássico esquecido
- Marcello Almeida

- há 23 horas
- 2 min de leitura
Right On marcou uma nova fase do trio na Motown, mais livre, política e surpreendentemente ousada

Poucos grupos traduziram tão bem o brilho da Motown Records quanto as The Supremes. Durante os anos 60, com Diana Ross à frente e o trio de compositores Holland-Dozier-Holland nos bastidores, elas dominaram as paradas com uma precisão quase irretocável. Mas, como quase tudo na música, aquele momento não era eterno.
Antes do estrelato, aliás, houve um longo período de invisibilidade. Quando ainda eram as Primettes, e mesmo depois de assinarem com a Motown no início dos anos 60, passaram anos sem conseguir um hit relevante. Eram coadjuvantes dentro da própria gravadora, vozes de apoio, palmas, presença de fundo. Um contraste brutal com o que viriam a se tornar.
A virada veio quase por acaso, quando “Where Did Our Love Go” caiu no colo delas depois de ser recusada por outro grupo. A partir dali, tudo mudou. A Motown encontrou seu principal nome feminino, e o mundo encontrou as Supremes.
Com o tempo, no entanto, ficou cada vez mais claro que a estrutura girava em torno de Diana Ross. A mudança de nome para “Diana Ross and The Supremes” não foi só simbólica, foi um aviso. Quando Ross seguiu carreira solo, parecia inevitável que o grupo perdesse o rumo.
Mas não foi isso que aconteceu. Com a chegada de Jean Terrell e a permanência de Mary Wilson, as Supremes entraram em uma nova fase. Menos protegidas, menos direcionadas, mas também mais livres. E foi nesse contexto que nasceu Right On, em 1970.
Sem a supervisão direta de Berry Gordy e com produção de Frank Wilson, o disco abriu espaço para experimentação. Há ali ecos de soul tradicional, mas também funk, política, questionamento. Faixas como “Up the Ladder to the Roof” mantêm o apelo pop, enquanto “Bill, When Are You Coming Back” traz um tom mais direto, mais conectado ao mundo lá fora.
É um disco que soa diferente, não apenas pela ausência de Ross, mas pela mudança de postura. As Supremes já não estavam mais tentando ser o que foram. Estavam tentando descobrir o que ainda poderiam ser.
E talvez seja justamente por isso que Right On acabou ficando à margem. Não tinha o peso comercial da era clássica, nem o reconhecimento imediato. Mas, ouvindo hoje, é difícil ignorar o quanto ele expande o que se espera de um grupo como elas.
Às vezes, o momento mais interessante de uma banda começa justamente quando o mundo para de olhar.
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