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Cinco discos nacionais de 2025 para escutar sem pressa; parte 2

Discos que atravessaram 2025 sem perder força, pedindo escuta, tempo e sensibilidade

Luedji Luna
Luedji Luna - Foto: Henrique Falci

Nem todo disco nasce para cumprir agenda. Alguns chegam para atravessar o tempo, para ecoar além do momento do lançamento e continuar fazendo sentido quando a pressa já passou. A música brasileira de 2025 foi fértil nesse sentido: diversa, inquieta, emocionalmente densa e profundamente conectada ao agora.



As escolhas reunidas aqui partem desse lugar. Não são rankings, nem tentativas de fechar um ano que já virou página. São escutas que permanecem. Discos que dialogam com tradição e ruptura, que misturam poesia, política, espiritualidade, corpo e cidade, e que revelam artistas em pleno estado criativo.


Do peso coletivo e urbano ao lirismo íntimo, da ancestralidade à invenção sonora, esta segunda parte da série reafirma algo essencial: a música nacional segue viva, pulsante e em constante transformação. E alguns trabalhos pedem mais do que atenção imediata. Pedem tempo.


Essa é uma curadoria pessoal. E, sobretudo, um convite à escuta.


  1. “O Mundo Dá Voltas” – BaianaSystem

 “O Mundo Dá Voltas” – BaianaSystem
Imagem: Reprodução

Desde 2009, o BaianaSystem se firma como uma das bandas mais inventivas da música brasileira, expandindo constantemente as fronteiras sonoras da Bahia para o mundo. Em O Mundo Dá Voltas, o grupo entrega seu projeto mais ambicioso até aqui: são 13 faixas produzidas por Daniel Ganjaman e atravessadas por participações de peso, como Gilberto Gil, Emicida, Seu Jorge, Anitta e Melly.


O álbum combina percussões intensas, timbres inovadores e letras que refletem a força cultural construída pela banda ao longo dos anos. O resultado é uma obra potente, diversa e profundamente emocional, que reafirma o BaianaSystem como uma das vozes mais relevantes da música contemporânea brasileira e abre 2025 com um lançamento à altura de sua trajetória.


 


  1. “Novo Mundo” – Arnaldo Antunes

 “Novo Mundo” – Arnaldo Antunes
Imagem: Reprodução

Em 2025, Arnaldo Antunes retornou em grande forma com Novo Mundo, seu 14º álbum solo, reafirmando o lugar que ocupa entre os artistas mais inquietos e criativos do país. Com 12 faixas distribuídas em 39 minutos, o disco combina poesia, melodias envolventes e parcerias marcantes, reforçando a versatilidade de um músico que transita com naturalidade entre rock, MPB e pop.


As letras, repletas de reflexões existenciais e jogos de linguagem, apresentam um ex-Titãs renovado, mas plenamente fiel à sua identidade experimental. Novo Mundo é uma obra que acolhe e instiga, ao mesmo tempo em que confirma a força e a genialidade poética de um artista que nunca se acomoda.


  1. "Um Mar Pra Cada Um" – Luedji Luna

"Um Mar Pra Cada Um" – Luedji Luna
Imagem: Reprodução

Em 2025, Luedji Luna encerrou sua trilogia oceânica com Um Mar Pra Cada Um, um dos trabalhos mais sensíveis e ousados do ano. No mesmo período, a artista ainda lançou Antes Que a Terra Acabe, ampliando um ciclo criativo marcado pela intensidade e pela coerência estética. Ao longo de 11 faixas e cerca de 44 minutos, Um Mar Pra Cada Um mergulha em temas como amor, trauma, ancestralidade, cura e espiritualidade.


A sonoridade mistura MPB, jazz, neo-soul, rap e elementos de sound healing, resultando em uma obra que toca corpo e alma com igual delicadeza. As participações de Nubya Garcia, Liniker, Takuya Kuroda e Tali elevam ainda mais o projeto, reforçando Luedji Luna como uma das vozes mais autênticas e potentes da música brasileira contemporânea.




  1. “Céu de Giz – Lô Borges Convida Zeca Baleiro” – Lô Borges e Zeca Baleiro

“Céu de Giz – Lô Borges Convida Zeca Baleiro” – Lô Borges e Zeca Baleiro
Imagem: Reprodução

Céu de Giz – Lô Borges Convida Zeca Baleiro é um dos lançamentos mais emocionantes de 2025 e ganhou contornos ainda mais profundos com a morte de Lô Borges, um dos pilares do Clube da Esquina, em 2 de novembro daquele ano. Gravado e lançado meses antes, o álbum reúne letras de Zeca Baleiro e melodias de Lô Borges em dez faixas e cerca de 35 minutos de pura poesia e musicalidade.


O disco atravessa temas como amor, humanidade, crise climática e tecnologia com lirismo e profundidade, evidenciando a sintonia rara entre os dois artistas. Trata-se de uma obra delicada, sensível e brilhantemente construída, que celebra trajetórias fundamentais da música brasileira e reafirma a força criativa de Lô Borges e Zeca Baleiro em um dos projetos mais marcantes do ano.



  1. “Eita” – Lenine

“Eita” – Lenine
Imagem: Reprodução

O ano de 2025 se encerra como uma celebração da criatividade nacional, e Lenine é um dos grandes responsáveis por isso com Eita. Com 11 faixas e duração enxuta, pouco menos de 30 minutos, o disco marca o aguardado retorno do artista após uma década desde Carbono (2015).


Aqui, Lenine surge ainda mais afiado, sensível e inventivo, costurando referências, afetos e inquietações contemporâneas em uma obra que pulsa brasilidade e nordestinidade. O resultado é um álbum que dialoga com o passado, observa o presente e aponta possibilidades para o futuro, firmando-se como um dos trabalhos essenciais da música brasileira em 2025.



Indicação Extra: "Dominguinho” – João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.

 "Dominguinho” – João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.
Imagem: Reprodução

O encontro entre Jota.pê, João Gomes e Mestrinho resulta em uma das obras mais carismáticas e emocionantes de 2025. Unindo três artistas que representam vertentes distintas da música brasileira, Dominguinho celebra com afeto e maestria o legado de Dominguinhos, ao mesmo tempo em que ecoa influências de Luiz Gonzaga, Sivuca e João do Vale.


Enquanto João Gomes e Mestrinho carregam com orgulho a força do forró, do pé de serra ao romantismo contemporâneo, Jota.pê acrescenta soul, R&B, rap e MPB com uma versatilidade impressionante. Com 12 faixas encantadoras, o disco é um convite para sentir a grandeza do Nordeste e a beleza dessa fusão entre MPB e forró, resultando em um trabalho vibrante, afetuoso e absolutamente irresistível.



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