Guilherme Arantes expande o amor e o tempo no disco “Interdimensional”
- alexandre.tiago209
- há 21 horas
- 3 min de leitura
Interdimensional se revela um trabalho poderoso e elegante, onde o músico celebra seus 50 anos de carreira com maturidade, beleza e inventividade

Guilherme Arantes é daqueles artistas que dispensam apresentações. Ao longo de cinco décadas de carreira, o cantor, compositor e pianista paulistano acumulou sucessos, conquistou multidões e atravessou gerações como um legítimo hitmaker da música brasileira. Em 2026, ano em que celebra 50 anos de estrada, Arantes retorna reafirmando seu poder criativo com o lançamento de Interdimensional, disco que chegou aos formatos digitais e físicos (LP duplo e CD) no dia 15 de janeiro.
Seu trabalho anterior, A Desordem dos Templários (2021), explorava um universo conceitual que misturava MPB, rock progressivo, synth-pop e baladas instrumentais ambientadas em atmosferas medievais. Agora, Arantes mergulha no afeto, no romantismo e na memória musical, construindo um repertório que abraça 15 faixas e 1h08 de duração, equilibrando intensidade e delicadeza com uma produção refinada.
Das 15 faixas, 10 são inéditas e cinco revisitadas, versões que o compositor havia cedido recentemente ao grupo Boca Livre e às cantoras Alaíde Costa, Claudette Soares e Gal Costa. O gesto resume o caráter generoso do trabalho: um artista celebrando o próprio legado, mas sem abrir mão do frescor, da humildade e da alta qualidade de execução que sempre marcaram sua trajetória desde os tempos em que era integrante da banda Moto Perpétuo.
A abertura com “A Vida Vale a Pena”, parceria com Nelson Motta, já anuncia o clima do álbum. Piano e cordas emolduram uma letra que invoca Tom Jobim, Chopin, Thelonious Monk e Stevie Wonder na mesma paisagem sonora, criando uma atmosfera lírica que ecoa poetas como Pablo Neruda, e Fernando Pessoa. É um hino ao amor e à existência, pulsando em frescor emocional e elegância harmônica.
O romantismo também se expande em “O Prazer de Viver para Mim É Você”, apresentada em duas versões: uma cantada, leve e calorosa; outra instrumental, quase cinematográfica, que encerra o disco em nuance orquestral. A faixa havia surgido em dueto com Claudette Soares em 2024, mas aqui ganha contornos ainda mais íntimos, reforçando sua beleza como declaração amorosa capaz de transformar fragilidade em grandeza.
Ao longo de Interdimensional, Arantes navega por diversas frequências românticas: o rock setentista surge em “Intergaláctica: missão”, o suingue latino ilumina “Enredo de Romance”, o R&B e o bossa-soul aparecem em “Libido da Alma”, enquanto “Minúcias” — com quase seis minutos — assume uma dimensão épica, mesclando sensibilidade e vigor emocional em uma das faixas mais bonitas do álbum.
O disco também dialoga com diferentes momentos da carreira do artista. “Sob o Sol” revisita o rock progressivo dos tempos de Moto Perpétuo; “O Espelho” mergulha em sintetizadores e texturas dos anos 1980, inspiradas em nomes como Dave Stewart e Vince Clarke; já “50 Anos Luz” se firma como um instrumental arrebatador que conecta passado e presente em estética atemporal.
No fim, Interdimensional se revela um trabalho poderoso e elegante, onde Guilherme Arantes celebra seus 50 anos de música com maturidade, beleza e inventividade. O álbum reafirma seu lugar entre os grandes nomes da música brasileira, não apenas pela técnica, mas pela capacidade de traduzir sentimentos universais em arte, provando que o amor, quando atravessa dimensões, também se torna interdimensional.












